Dois adolescentes foram flagrados utilizando patinetes elétricos dentro do Shopping Boulevard, no Bairro Santa Efigênia, Região Centro-Sul de Belo Horizonte (MG).

Em vídeo que circula nas redes sociais, os jovens aparecem rindo e andando pelo interior do shopping, enquanto clientes observam a situação. Um chega a pilotar sentado e outro realizava um "grau" no equipamento. 

O uso do serviço é proibido para menores de 18 anos, mas, segundo relatos, a liberação pode ocorrer ao inserir o CPF de um adulto no aplicativo, o que tem gerado preocupação entre pais e responsáveis.

Além disso, a reportagem identificou outras irregularidades, como o uso do patinete por duas pessoas ao mesmo tempo, prática também proibida pelas regras do serviço. O Ministério Público acompanha a operação dos patinetes na capital desde a última semana. Recentemente, um adulto que utilizava o equipamento se envolveu em um acidente com uma motocicleta, deixando o motociclista ferido.

Os patinetes começaram a operar em Belo Horizonte no dia 18 de março, inicialmente na região central e em bairros da Região Oeste. Para utilizar o serviço, é necessário baixar o aplicativo da empresa responsável, realizar cadastro e efetuar pagamento via cartão ou Pix.

As tarifas variam conforme horário e demanda, com desbloqueio entre R$ 2 e R$ 3 e cobrança por minuto entre R$ 0,49 e R$ 0,99. O uso também exige estacionamento em pontos específicos indicados no aplicativo, para evitar obstrução de calçadas.

Morte em 2019

Os debates acerca do uso de patinetes voltam à tona em BH pouco mais de seis anos da morte de Roberto Pinto Batista Júnior, aos 43 anos. Ele pilotava um patinete elétrico quando caiu, bateu a cabeça e morreu. A startup Grow era responsável pelo empréstimo dos veículos em Belo Horizonte e encerrou as atividades na capital mineira no início de 2020. Ela controlava as empresas de aluguéis de bicicletas e patinetes elétricos Yellow e Grin. Na ocasião, a Grow disse, em comunicado, que o encerramento se deveu a "razões operacionais". A instituição foi vendida na metade do mesmo ano para o fundo Mountain Nazca.

Para o professor e geógrafo Eduardo Augusto Nogueira Guimarães, que pesquisou a chegada de empresas de bicicletas e patinetes elétricos na capital mineira, o município tem uma legislação favorável à inserção desses serviços, mas há uma dificuldade de gestores públicos entenderem o papel desses meios de transporte na mobilidade urbana.


“O principal papel é a integração aos outros modos de transporte. Há um senso comum de que Belo Horizonte não favorece o deslocamento de bicicleta, por causa dos morros, que é um fator a se considerar, mas há vários exemplos de sucesso em outros locais do mundo, como na Colômbia. Quando as empresas chegam em uma cidade, elas não pensam em conjunto com a sociedade civil e com o poder público para integrar os transportes”, diz o geógrafo.

Segundo Eduardo, a fiscalização é falha, pois as empresas não fazem esse papel, nem o poder público. Ele explica que como é um fenômeno recente, não é possível afirmar que não haja um diálogo entre empresas e o poder público. Mas, segundo ele, é necessário promover a segurança para a população e ainda há uma lacuna na questão da fiscalização e da segurança.

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Outro ponto analisado é a não obrigatoriedade o uso de capacetes, o que aumenta a chance de lesões em caso de acidente. Como não há uma política pública de segurança, a possibilidade real de uma pessoa usar um capacete é baixa.

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