A população de Pirapora, no Norte de Minas, celebra neste sábado (28/3) um importante passo para o retorno dos passeios do legendário Vapor Benjamim Guimarães no leito do Rio São Francisco. Será feita a entrega pela Marinha do Brasil do Cartão de Tripulação de Segurança (CTS), que, na prática, significa a autorização para que a embarcação, construída em 1913, possa voltar a navegar.
A entrega do documento será feita em grande estilo, um evento festivo, durante um show da Banda de Fuzileiros Navais (Fuzibossa) da Marinha do Rio de Janeiro, marcada para as 19h, aberta gratuitamente ao público, dentro do vapor Benjamim Guimarães, que está ancorado no Velho Chico, no cais do porto de Pirapora. A apresentação também marcará a comemoração dos 100 anos da presença da Marinha em Minas Gerais.
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A centenária embarcação, a única com máquina a vapor alimentada por lenha ainda existente no mundo, ficou parada por 12 anos e, por cinco, permaneceu fora d'água. O vapor foi “reinaugurado” e colocado novamente dentro do leito do Velho Chico (onde permanece “estacionado”), em 1º de junho do ano passado, após passar por um processo de restauração completa.
A recuperação do barco foi viabilizada pelo Ministério de Minas e Energia e pela Eletrobras, com verba federal no valor de R$ 5,8 milhões, do Programa de Revitalização dos Recursos Hídricos das Bacias Hidrográficas do Rio São Francisco e do Rio Parnaíba. Durante a revitalização, foi feita a reforma geral do vapor na parte de madeira. Foram ainda instaladas caldeira e chaminé novas e reestruturadas partes do casco e da casa de máquinas.
O Cartão de Tripulação de Segurança é um documento emitido pela Marinha do Brasil que define o número mínimo e a qualificação dos tripulantes para a operação segura das embarcações. O documento foi emitido após o cumprimento de uma série de exigências e uma vistoria no Vapor Benjamim Guimarães Guimarães, realizada pela Marinha no último dia 19.
Mas, mesmo vencidos os trâmites burocráticos e obtida a autorização para que o vapor possa navegar, a embarcação ainda continuará parada por algum tempo. O retorno dos bucólicos passeios do Benjamim Guimarães está relacionado a providências e obras necessárias por causa do processo de degradação ambiental do Rio da Integração Nacional.
O presidente da Empresa Municipal de Turismo de Pirapora (Emutur), Elton Jackson Gomes da Mota, disse que o vapor só poderá a voltar a percorrer o Velho Chico após a dragagem dos canais de navegação do rio, que sofre com o assoreamento ao longo do tempo. Ele informou que, após ser procurado pelo prefeito de Pirapora, Alex Cesar (União Brasil), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, assegurou a liberação de recursos da ordem de R$ 3 milhões, que serão aplicados na sinalização e na dragagem de um trecho de 12 a 14 quilômetros do Velho Chico, a ser usado para os passeios da embarcação movida a vapor.
Segundo o presidente da Emutur, a verba de R$ 3 milhões também será viabilizada por meio do Programa de Revitalização dos Recursos Hídricos das Bacias Hidrográficas do Rio São Francisco e do Rio Parnaíba. Ele disse que a expectativa é de que, sendo agilizada a liberação dos recursos e a execução das obras, o vapor volte a navegar nas águas do Rio São Francisco dentro de um prazo de quatro meses.
De acordo com Elton Jackson, a proposta é que o Vapor Benjamim Guimarães volte a fazer os passeios pelo trecho de 12 a 14 quilômetros do Velho Chico a partir de Pirapora, descendo o rio, no sentido Barra do Guaicuí. “Os passeios deverão demorar três horas, sendo uma hora descendo e outras duas horas na subida do rio, quando a embarcação fica mais lenta”, afirmou.
Ainda segundo o presidente da Emutur, após ser restaurado, o Benjamim Guimarães teve capacidade redimensionada para 104 pessoas, sendo 14 tripulantes e 90 passageiros. “Com o retorno dos passeios do vapor vamos colocar Pirapora novamente no destaque do turismo, recebendo visitantes de todas as partes de Minas Gerais e do Brasil”, assegura Elton Jackson.
História
O vapor Benjamim Guimarães foi construído em 1913, pelo estaleiro norte-americano James Rees & Sons, e navegou inicialmente pelo Rio Mississipi, no país de origem. Na sequência, veio para o Brasil, onde, por alguns anos, percorreu o Rio Amazonas, sendo transferido para o São Francisco em 1920.
Na segunda metade da década de 1920, a empresa Júlio Guimarães adquiriu a embarcação e a montou no porto de Pirapora, onde recebeu o nome de “Benjamim Guimarães”, uma homenagem ao patriarca da família proprietária da empresa. A partir de então, o vapor passou a fazer contínuas viagens ao longo do Rio São Francisco e em alguns dos seus afluentes.
O Benjamim Guimarães foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) em 1985. Durante décadas, foi um importante meio de transporte para mercadorias e passageiros, conectando comunidades ribeirinhas e promovendo o comércio e a troca cultural. A cada viagem entre Pirapora e Juazeiro (BA), trecho de 700 quilômetros em que o Rio São Francisco é navegável, ele se tornava um elo entre o passado e o presente, transportando não apenas pessoas, mas também tradições e memórias.
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A partir da década de 1980, o Benjamim Guimarães passou a ser usado para passeios turísticos, com ponto de partida e de chegada em Pirapora. Com problemas em sua caldeira e outras avarias, o vapor parou de navegar em 2013. O processo de recuperação ficou muito tempo parado devido à falta de dinheiro. Somente em setembro de 2024 a revitalização foi viabilizada e agilizada Ministério de Minas e Energia e pela Eletrobras.
