A vida útil das minas da Vale localizadas em Itabira (MG), cidade que é berço da mineradora, foi ampliada até 2053. Essa previsão foi divulgada pela empresa em comunicado nesta sexta-feira (27/3). 

Conforme a multinacional, a decisão foi tomada após a realização de uma pesquisa geológica, estudos de processamento mineral e adoção de tecnologias que ampliam o aproveitamento dos recursos minerais de forma segura e sustentável na cidade localizada na região Central do estado.

A estimativa anterior indicava vida útil até 2041. A nova previsão foi documentada na Securities and Exchange Commission (SEC), agência federal independente dos Estados Unidos que regula e fiscaliza o mercado de capitais. Apesar da extensão do prazo em 12 anos, a Vale afirma que não prevê aumento no volume de produção anual.

“Itabira continua como uma das operações mais relevantes em Minas Gerais, com produção ativa e estratégica no portfólio de produtos da empresa. Embora exista uma previsão formal de horizonte operacional, esses números são dinâmicos e trabalhamos para permanecer no município pelas próximas décadas”, destacou Rafael Bittar, vice-presidente técnico da Vale, no comunicado. 

As minas de Itabira começaram a ser exploradas pela Vale em 1957. Com o porte das atividades, a cidade cresceu dependente da empresa e, como efeito colateral, vieram prejuízos ambientais, rachaduras em imóveis e impactos na saúde dos moradores. 

Em dezembro de 2024, a Justiça determinou que a Vale realocasse todas as famílias que estivessem com as moradias em risco de desabamento devido às obras no complexo de barragens e diques do Sistema Pontal. À época, a mineradora alegou que os danos nas casas decorreram das condições de construção desses imóveis e não das obras realizadas.

Em setembro de 2025, representantes da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) visitaram a região. Meses antes, em maio daquele ano, moradores dos bairros Nova Vista e Bela Vista reclamaram que não estavam sendo ouvidos pela mineradora e cobraram o cumprimento da decisão judicial. 

No comunicado sobre a extensão da vida útil das operações, a Vale frisou que "mantém o compromisso de investir no desenvolvimento local, na diversificação econômica e na construção de um legado duradouro para a cidade". 

"A empresa integra o Programa Itabira Sustentável e investe continuamente em projetos estruturantes nas áreas de educação, saúde, meio ambiente, cultura, esporte e infraestrutura", declarou. 

"Conhecimento geológico da região"

Segundo a Vale, houve um aprofundamento do conhecimento geológico em Itabira, aliado à evolução das tecnologias de beneficiamento, que passaram a permitir o aproveitamento de materiais anteriormente classificados como estéreis.

"Esse avanço técnico resultou em um aumento relevante da reserva mineral declarada, que passou de aproximadamente 760 milhões de toneladas (base 2024) para cerca de 1,15 bilhão de toneladas (base 2025) — o que representa um aumento de 52%", afirmou a Vale. 

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Em 2025, o município contribuiu com cerca de 1,5 milhão de toneladas de minério de ferro provenientes de fontes circulares e desenvolve novos projetos de reaproveitamento de rejeito no complexo, atualmente em processo de licenciamento ambiental. 

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