A Rua Augusta Sacchetto Scalzo, no Bairro Jardim Vitória, Região Nordeste de Belo Horizonte, foi interditada na manhã desta quarta-feira (25/3). A avaliação técnica da Defesa Civil apontou risco geológico na área. A via, cujo trecho interditado possui cerca de 15 metros de extensão e é cercado de ambos os lados por paredões rochosos, liga o Jardim Vitória ao Bairro Nossa Senhora de Fátima, em Sabará, na Região Metropolitana da capital.
Além da Defesa Civil de Belo Horizonte e de Sabará, estiveram presentes equipes da BHTrans e da Guarda Municipal de BH.
De acordo com o laudo, há instabilidade no talude da encosta, com potencial para deslizamentos que podem comprometer a via e colocar em risco a população.
Equipes da Defesa Civil de Belo Horizonte e de Sabará, da BHTrans, e da Guarda Municipal de BH estiveram no local nessa manhã e interditaram a via. É um fechamento preventivo e o local passará a ser monitorado continuamente por equipes técnicas.
O risco preocupa moradores, como Rosemeire Marques, que vive no Bairro Jardim Getsêmani há 16 anos e passa pelo trecho para levar o filho, de 6, para a escola e também a outros compromissos.
“Eu passo porque tem coisas que a gente tem que resolver no Bairro Fátima, casa lotérica, supermercado, então a gente vem aqui. Mas tenho medo. Quando passo, acelero um pouquinho” diz Rosemeire.
Embora a população se preocupe com potenciais deslizamentos, a indignação em relação à não realização das obras prometidas prevalece. “Já fecharam outras vezes e não fizeram nada. A gente tem que preservar a vida, mas também tem que fazer a obra” acrescentou Rosemeire.
Outros moradores também estiveram no local e protestaram, alegando que não é a primeira vez que a rua é interditada, sem que as obras necessárias sejam realizadas.
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"A gente não é contra o fechamento, desde que façam as obras e intervenções necessárias", diz Marcelo Santos, líder da Associação Comunitária do Bairro Vitória. “Há cerca de um ano e 4 meses, esse mesmo risco foi detectado, a prefeitura interditou falando que ia fazer obras no local, depois o local foi reaberto e nenhuma intervenção foi feita”, completa Marcelo.
Outro ponto que preocupa os moradores são os caminhos alternativos que terão que ser utilizados, principalmente pelos caminhões de empresas da região.
"Esse trecho é um trecho onde passam carretas com 30 toneladas de cimento, de concreto. Então, tem esse trânsito de carretas pesadas, tem três linhas de ônibus que passam. Esse fechamento vai ocasionar um desvio onde essas carretas vão ter que passar por subidas e descidas muito íngremes, o que se torna um risco tanto para o carreteiro quanto para a população" afirma Marcelo Santos.
Marcinha, liderança comunitária do Jardim Vitória, destaca também a falta de transparência em relação às intervenções realizadas. “A prefeitura não informou para a gente qual o prazo do início das obras, quais intervenções serão feitas e, principalmente, a rota que vai ser traçada para os ônibus passarem, para as carretas pesadas passarem. Lá no Bairro Nossa Senhora de Fátima que pertence a Sabará existem muitas empresas, muita geração de emprego. Tem escola, tem pedestres que passam por aqui", disse.
"Nós estamos com o laudo em mãos que foi enviado pela Prefeitura de Belo Horizonte, mas esse laudo tem fotos de 2022, e 2024. Se já existe esse risco há mais tempo, por que só agora que vai ser feita a intervenção. A gente precisa que seja feita uma discussão, uma audiência pública, não de forma arbitrária como está sendo feito”, acrescentou a líder comunitária.
Os moradores presentes no local conversaram com os representantes da Defesa Civil dos municípios. Após negociações, a decisão de interdição foi mantida.
"O que nós ajustamos com a comunidade é que vai ficar interditado e vamos realizar um estudo detalhado de risco. Então, vamos fazer uma reunião com o secretário municipal de Obras agora e iniciar esse trabalho de imediato para que no menor espaço de tempo possível, a gente retorne com um parecer. Se pode liberar o caminho ou se tem que permanecer interditado. Neste caso, vamos melhorar a interdição e voltar a discutir com a comunidade rotas, sinalização e tentar fazer isso de forma que cause o mínimo de desgaste possível para a comunidade", disse o superintendente da Defesa Civil de Belo Horizonte, Elcione Menezes.
Lar de idosos
O trecho interditado da Rua Augusta Sacchetto Scalzo fica a menos de 2km de onde ficava a Casa de Repouso Pró-Vida, lar de idosos que desabou no Bairro Jardim Vitória, no início deste mês. Doze pessoas morreram no desabamento. O asilo desabou por volta de 1h30 de 5 de março. Os dois proprietários do estabelecimento estavam no prédio. Oito pessoas foram resgatadas.
De acordo com os bombeiros, a edificação tinha três pavimentos, além do térreo. O lar de idosos ficava no primeiro andar e a casa do proprietário, acima, no segundo andar. No terceiro, funcionava uma academia. No térreo, também funcionava uma clínica de bronzeamento.
O edifício onde estava sediado o lar de idosos era considerado de porte de alto risco, conforme critérios do Corpo de Bombeiros. Entre fevereiro de 2025 e agosto do mesmo ano, o imóvel passou por intervenções e reformas, sobretudo com alterações no pavimento superior.
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Juliana Lima
