A delegada Wanessa Santana Martins Vieira, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), foi transferida de unidade após ter sido presa por emprestar uma viatura descaracterizada da corporação ao marido.

A servidora deixou a delegacia de São José da Lapa, na Região Central do estado, e passará a atuar na 1ª Central Estadual do Plantão Digital, em BH.

A mudança foi confirmada em publicação administrativa divulgada nesse sábado (14/3). A decisão partiu do Órgão Especial do Conselho Superior da Polícia Civil, que aprovou a medida por unanimidade em reunião realizada na quinta-feira (12/3), um dia após a delegada deixar a prisão.

No documento, a corporação afirma que a transferência ocorreu “por conveniência da disciplina”, termo utilizado em processos administrativos quando a chefia decide realocar um servidor após apuração interna. O procedimento foi conduzido pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil.

Relembre o caso

O episódio que resultou na investigação começou na terça-feira (10/3), quando o marido da delegada, um advogado de 38 anos, foi preso em flagrante dirigindo uma viatura descaracterizada da policia. A abordagem ocorreu durante uma blitz na Avenida Antônio Carlos, na Pampulha, em BH.

A fiscalização havia sido planejada após denúncias anônimas encaminhadas à corregedoria da corporação e à ouvidoria do estado. As informações indicavam que o advogado estaria utilizando o veículo oficial para se deslocar até o trabalho.

Durante a operação, os policiais identificaram um carro com as características descritas nas denúncias e determinaram a parada. O motorista se apresentou como advogado e mostrou a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil. Ao confirmarem que o automóvel pertencia à frota da Polícia Civil e que ele não era servidor público, os agentes o conduziram à corregedoria.

A viatura foi apreendida e encaminhada para perícia. Paralelamente, outra equipe foi até a residência da delegada responsável pelo veículo. Ela foi levada para prestar esclarecimentos e também acabou presa em flagrante.

Segundo a Polícia Civil, o advogado foi autuado como coautor do crime de peculato, quando um bem público é utilizado de forma indevida. Ele foi encaminhado ao sistema prisional, enquanto a delegada foi levada para a Casa de Custódia da Polícia Civil.

Liberdade provisória

O casal passou por audiência de custódia e teve liberdade provisória concedida pela Justiça. A juíza Juliana Beretta Kirche Ferreira Pinto entendeu que, apesar de haver indícios de autoria e materialidade, ambos são primários, e não houve violência ou grave ameaça.

Durante as diligências, os policiais identificaram que o advogado utilizava a viatura com frequência para se deslocar de Lagoa Santa, na Região Metropolitana de BH, até a capital, retornando no fim da tarde. Também foi constatado que ele utilizava a faixa exclusiva do Move, destinada ao transporte coletivo e a veículos oficiais.

Em depoimento, o advogado admitiu ter dirigido o veículo. Inicialmente, afirmou que o levaria para manutenção, mas depois declarou que vinha utilizando a viatura nas últimas semanas, alegando que seu carro particular apresentava problemas mecânicos.

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Ao conceder a liberdade provisória, a magistrada determinou o pagamento de fiança de três salários mínimos e meio para cada um dos investigados, além de medidas cautelares, como proibição de se ausentar das comarcas de Belo Horizonte e Lagoa Santa por mais de 30 dias sem autorização judicial. Eles também deverão manter os endereços atualizados e comparecer aos atos do inquérito e de eventual ação penal.

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