O ex-secretário de Operações e Serviços Urbanos (Semsur) da Prefeitura de Divinópolis, Gustavo Mendes, um servidor efetivo e dois empresários foram presos na manhã desta quinta-feira (12/3) durante a Operação Ghost Machine, em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas. A investigação apura um esquema de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro dentro da secretaria.

Os contratos sob suspeita ultrapassam R$ 37 milhões, enquanto o pagamento de propinas pode passar de R$ 2 milhões, segundo o Ministério Público. As apurações indicam que pelo menos 14 pessoas podem estar envolvidas no esquema. Entre os mandados de busca e apreensão, um foi cumprido na casa de outro servidor da Semsur.

Gustavo Mendes ocupou a secretaria no primeiro mandato do atual prefeito, Gleidson Azevedo (Novo). Ele foi exonerado em fevereiro de 2025, um mês antes do início das investigações. Servidor de carreira, ele está afastado por questões de saúde desde então. Os nomes dos demais envolvidos ainda não foram confirmados.

As apurações tiveram origem em denúncias apresentadas pelo próprio prefeito de Divinópolis. Ele não deu detalhes específicos de como obteve essas informações. "Acredito que foi no dia a dia, ouvindo empresários", explica o promotor da Vara da Fazenda Pública, Marcelo Maciel.

As investigações apontam que o grupo teria usado a estrutura administrativa da secretaria para beneficiar interesses particulares. Os investigados direcionavam editais e contratos públicos. "Eles recebiam como se tivessem executado mais do que o executado e pagavam propina por isso", afirma o promotor.

O esquema teria começado em 2021. Ele utilizava contratos de locação de máquinas e serviços urbanos, por exemplo, de caminhões-pipa. Entretanto, os investigadores identificaram medições fictícias de serviços, que serviam como base para liberar pagamentos e, posteriormente, desviar recursos públicos.

"Eles prestavam serviço de locação de máquinas com operação. É uma prestação de serviço com controle mais difícil por parte do município, para saber se foi prestado ou não", informou o promotor da Vara da Fazenda Pública, Marcelo Maciel.

A Justiça determinou a indisponibilidade de bens e ativos financeiros dos investigados, incluindo contas bancárias, veículos, imóveis, investimentos em bolsa de valores e até criptoativos.


Prisões e apreensões

As equipes cumpriram quatro mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão em Divinópolis. Os presos foram levados para a delegacia e, encaminhados para o Presídio Floramar. Os nomes dos envolvidos e das empresas não foram divulgados pelo Ministério Público.

Durante a operação, foram apreendidos documentos, equipamentos eletrônicos e bens possivelmente ligados ao esquema. Na casa de um dos empresários, a polícia apreendeu R$ 168 mil em espécie. Também houve a apreensão de uma arma.

Afastamento

O servidor de carreira preso continuava exercendo suas funções normalmente. Ainda nesta quinta-feira (12/3), o promotor responsável pelas investigações vai se reunir com o atual secretário da pasta e com o controlador do município, Diôgo Andrade Vieira, para solicitar, de forma extrajudicial, o afastamento do servidor detido e também de outro servidor que foi alvo de mandado de busca e apreensão.

Ele disse que vai recomendar uma auditoria e que seja dada atenção especial a contratos considerados suspeitos.

As investigações devem ser concluídas em dois meses e deverão esclarecer como houve a execução dos contratos. "Até que ponto os serviços foram prestados, a que nível foram prestados? O que do contrato foi executado e o que foi maquiado? O que virou propina dos valores recebidos por empresários, o que foi direcionado para os agentes públicos e de que maneira outros agentes facilitaram que houvesse esse esquema", questiona o coordenador do Gaeco, Leandro Wili.


Operação mobilizou força policial

A Operação Ghost Machine mobilizou diversas instituições de segurança e investigação. Participaram da ação o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco); a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Divinópolis e as polícias Civil, Militar e Penal.

Ao todo, a operação contou com dois promotores de Justiça, sete agentes do Gaeco, 30 policiais militares, 14 policiais civis e 16 viaturas.

Transparência

Em nota, a prefeitura informou que ao tomar conhecimento dos fatos, o prefeito determinou a exoneração imediata do ex-secretário suspeito de envolvimento e procurou o Ministério Público para solicitar a investigação do caso, colocando à disposição todos os documentos necessários para assegurar transparência e colaborar com o esclarecimento completo da situação.

"Reforçando o compromisso com a transparência e a responsabilidade na gestão pública, a vice-prefeita Janete Aparecida também protocolizou documentos junto ao Ministério Público solicitando investigação rigorosa sobre as denúncias apresentadas.", informou o órgão.

A iniciativa, conforme a prefeitura, "demonstra a postura da atual administração em não tolerar qualquer prática que comprometa a integridade da gestão pública e a correta aplicação dos recursos da população."

"A Prefeitura de Divinópolis reafirma que a atual gestão conduz suas ações com base na transparência, na responsabilidade e na idoneidade, princípios que orientam todas as decisões administrativas e políticas do governo municipal. Qualquer indício ou suspeita de irregularidade será sempre tratado com seriedade, com apuração criteriosa e comunicação imediata aos órgãos de controle e fiscalização, para que as medidas legais cabíveis sejam adotadas e eventuais crimes sejam devidamente investigados e combatidos", afirma em nota.

A administração municipal destacou ainda que "continuará colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pelas investigações, colocando à disposição todas as informações necessárias para o esclarecimento completo dos fatos e para o fortalecimento das instituições que atuam na defesa do interesse público."

A reportagem tenta contato com a defesa do ex-secretário e, tão logo obtenha retorno, a matéria será atualizada.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

*Amanda Quintiliano especial para o EM

compartilhe