Foi realizado nesta segunda-feira (2/3), em Brumadinho (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o lançamento oficial do Método Wolbachia para o combate à dengue no município. O método consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia, tecnologia segura e cientificamente comprovada, que reduz a transmissão da dengue, zika e chikungunya.
A ação é realizada pelo World Mosquito Program (WMP) Brasil, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Prefeitura de Brumadinho e o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).
Chamados de “Wolbitos”, os mosquitos que começaram a ser liberados em Brumadinho no mês passado são Aedes aegypti que carregam a Wolbachia, uma bactéria natural presente em cerca de 50% dos insetos. Ela impede que os vírus da dengue, Zika e chikungunya se desenvolvam dentro do mosquito, reduzindo significativamente a transmissão dessas doenças.
A secretária municipal de Saúde de Brumadinho, Cinthya Pedrosa, destaca a eficácia comprovada do método: “O Método Wolbachia é seguro, aprovado por órgãos reguladores e baseado em evidências científicas sólidas. Trata-se de mais uma estratégia que fortalece nossas ações de prevenção e cuidado com a saúde da população. Seguimos monitorando e atuando de forma responsável e transparente”, afirma.
O projeto faz parte do Acordo de Reparação pelo rompimento da barragem ocorrido em 2019 e atenderá 22 municípios da Bacia do Paraopeba, ampliando a proteção regional contra as arboviroses, que são as doenças virais transmitidas por mosquitos.
Método Wolbachia
Mosquitos Aedes aegypti com bactéria Wolbachia prontos para serem liberados em Brumadinho (MG)
Descoberta em 1924, a Wolbachia é uma bactéria extremamente comum que ocorre naturalmente em 50% das espécies de insetos, incluindo alguns mosquitos, moscas-das-frutas, mariposas, libélulas e borboletas. A bactéria vive dentro das células e é transmitida de uma geração para a outra por meio dos ovos do inseto.
Em 2009 foi descoberto que a Wolbachia impede a transmissão da dengue e de outros vírus causadores de doenças humanas pelo Aedes aegypti. O Brasil foi um dos primeiros países a aderir ao método, realizando as primeiras liberações de mosquitos com Wolbachia em 2014 no Rio de Janeiro.
O que a bactéria faz é bloquear o crescimento dos vírus nos corpos dos mosquitos, fazendo com que os insetos que a carregam tenham capacidade reduzida de contaminar seres humanos.
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O World Mosquito Program (WMP) cria mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia e, em parceria com as comunidades locais, os libera em áreas afetadas por doenças transmitidas por mosquitos, para combater essas doenças de forma natural e autossustentável.
Também é comprovado que a bactéria representa um risco insignificante para os seres humanos e o meio ambiente. O método não envolve modificação genética, uma vez que o material genético do mosquito não é alterado. Um grupo de mosquitos é liberado a cada 50 metros na área-alvo e o período de soltura pode variar de 12 a 20 semanas.
No Brasil, o método já foi implementado em 12 municípios. Além de Brumadinho, as cidades mineiras a receber o programa foram Belo Horizonte e Uberlândia.
A cidade de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, recebeu o método Wolbachia pela primeira vez em 2015 e se tornou a primeira cidade do Brasil a ser totalmente protegida pela bactéria nove anos depois.
O monitoramento no município constatou que pelo menos 97% dos mosquitos Aedes aegypti carregavam Wolbachia até oito anos após o término da liberação. O município registrou uma redução de 90% dos casos de dengue após a implementação do método.
Arboviroses em Minas
De acordo com dados do Ministério da Saúde, até 21 de fevereiro foram registrados 17.084 casos prováveis de dengue em Minas Gerais em 2026. Três pessoas morreram devido à doença. Também foram registrados 2.097 casos de chikungunya no estado esse ano.
Em 2025, Minas Gerais fechou o ano com 166.705 casos de dengue e 151 óbitos registrados. Além disso, foram documentados 20.329 casos e seis óbitos por chikungunya, além de 70 casos de zika.
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*Estagiária sob supervisão do subeditor Gabriel Felice
