Uma operação conjunta deflagrada na manhã desta segunda-feira (23/2) realiza buscas em Minas Gerais e em outros três estados para desarticular uma organização criminosa interestadual investigada por furto de cabos, receptação e lavagem de dinheiro. A ofensiva integra a Operação Caminhos do Cobre e é coordenada pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, o grupo movimentou R$ 417.954.201 ao longo do esquema.
Além de Minas Gerais, os mandados de busca e apreensão são cumpridos no Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins. No território fluminense, as diligências ocorrem nos municípios do Rio de Janeiro, Nilópolis, Mesquita e Itaguaí.
De acordo com a Polícia Civil, a organização possuía estrutura hierarquizada e divisão clara de funções. O núcleo estratégico seria responsável pela liderança e coordenação das atividades. O núcleo operacional executava os furtos e realizava o transporte do material subtraído. Já o núcleo de receptação reunia ferros-velhos e empresas de reciclagem vinculados ao grupo, enquanto o núcleo financeiro atuava na ocultação e dissimulação dos valores obtidos ilegalmente.
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Os furtos ocorriam principalmente durante a madrugada. Caminhões eram utilizados para arrancar cabos subterrâneos, enquanto motocicletas atuavam como batedores, monitorando a movimentação policial e bloqueando vias para facilitar a ação. Após a retirada, os materiais eram levados a pontos específicos, onde passavam por fracionamento antes da revenda.
Segundo a corporação, a comercialização era feita por meio de estabelecimentos previamente ligados ao esquema. Para dar aparência de legalidade às transações, eram emitidas notas fiscais falsas. Os valores arrecadados eram fragmentados em transferências bancárias sucessivas, com o objetivo de dificultar o rastreamento financeiro.
As apurações indicam que apenas o principal investigado teria movimentado cerca de R$ 97 milhões, quantia considerada incompatível com a capacidade econômica declarada. Uma das empresas apontadas como central no esquema registrou movimentação superior a R$ 90 milhões.
A operação tem como objetivo interromper a cadeia criminosa e assegurar a recuperação patrimonial vinculada às atividades ilícitas. A Delegacia de Roubos e Furtos solicitou à Justiça o sequestro de veículos e imóveis dos investigados, além do bloqueio integral dos ativos financeiros do grupo.
Desde setembro de 2024, mais de 430 fiscalizações em ferros-velhos foram realizadas, resultando em cerca de 200 prisões. No mesmo período, aproximadamente 300 toneladas de fios de cobre e outros materiais metálicos foram apreendidas, além do pedido de bloqueio de cerca de R$ 240 milhões em ativos financeiros.
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Segundo a Polícia Civil, as ações também buscam descapitalizar financeiramente estruturas que fomentam o furto de cabos, crime que impacta serviços essenciais e a infraestrutura urbana.
