O corpo de uma mulher de 29 anos com múltiplos ferimentos e em estado de decomposição foi localizado nessa sexta-feira (13/02), em um matagal no bairro São Geraldo, em Nova Serrana (MG), na Região Centro-Oeste do estado.

A ocorrência foi registrada pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) nas proximidades da Rua Antônio Dalzira, em um matagal que faz divisa com o Bairro São José. Trata-se de um local ermo, sem câmeras de vigilância nos arredores e com histórico de concentração de usuários de entorpecentes para consumo e comércio de tóxicos.

O lote vago é parte da mata ciliar urbana ao longo do Ribeirão da Fartura (do Gama), afluente do Rio Pará e fica a cerca de 500 metros da 5ª Delegacia Regional de Polícia Civil.

A vítima foi identificada como Regiane Silva de Souza. O 60º Batalhão da Polícia Militar, está situado a aproximadamente 2.600 metros do ponto do encontro do cadáver.

As circunstâncias do crime podem indicar uma tentativa de dificultar a investigação do crime com a desova do cadáver, já que Regiane estava dentro de um sofá oco, abandonado em meio à vegetação densa.

A Polícia Militar isolou a área após ser acionada por populares que encontraram a estrutura de madeira e tecido no terreno baldio.

Segundo os policiais militares que fizeram a ocorrência, o corpo estava dentro de um sofá velho abandonado e só foi localizado por ser possível ver o pé da vítima que ficou para fora do móvel.

O corpo apresentava algumas lesões aparentes, como corte e perfurações nos braços, pernas, queixo e olho direito, bem como sangue na boca e no nariz

A mãe da vítima, de 47 anos, e a filha da mulher morta, de idadenão identificada, relataram que a trajetória de Regiane foi marcada por perdas que a levaram a um quadro de depressão severa depois da morte de uma irmã.

O luto resultou no uso abusivo de entorpecentes e na transição para a situação de rua - vulnerabilidade social que ficou associada à exposição à violência e contínua.

O local de tráfico está a quase 3 quilômetros do Centro de Nova Serrana e a 800 metros da rodovia BR-262, importante via de escoamento do polo industrial de calçados que cerca o bairro com fábricas e pequenos comércios.

O local é um ponto crítico mapeado pelo tráfico de drogas para venda e consumo de drogas, sobretudo crack. A vegetação alta e a iluminação precária do bairro São Geraldo facilitam a movimentação de grupos criminosos, tornando o lote vago um ambiente de risco para moradores e pessoas em trânsito.

Dor, abuso e violência em Nova Serrana

Mateus Parreiras

Como a vítima estava?

Os peritos da Polícia Civil examinaram o corpo e constataram diversos ferimentos, mas não foi possível precisar, no local, qual a causa da morte.

inicialmente, supôs-se de se tratar de a morte por asfixia ou lesão contusa (pancada) na base do crânio (nuca), contudo, devido a uma lesão no olho direito e a sangramentos na boca, a perícia completa só será possível após exame de necropcia.

O cadáver foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para determinar a causa exata do óbito e a cronologia da morte.

Após o trabalho técnico da perícia e dos socorristas, o isolamento foi desfeito e o corpo, removido.

Os últimos passos de Regiane devem ser reconstituídos para se tentar identificar possíveis testemunhas que frequentam o ponto de consumo de drogas.

Segundo a PMMG, foi buscado um histórico da vítima, mas não se constatou passagens policiais e nem sequer acompanhamento social a pessoas em situação de rua.

A Polícia Civil apura várias hipóteses de motivações para o crime, como as ligadas a dívidas com o tráfico ou crimes de oportunidade. As equipes de investigação aguardam o laudo completo do Instituto Médico Legal (IML).

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

O caso será investigado na Delegacia de Polícia Civil de Nova Serrana, onde a ocorrência foi encerrada. Por enquanto não há suspeitos do crime.


O caso

  • Vítima: Regiane Silva de Souza, mulher de 29 anos em situação de rua
  • Método de ocultação: corpo inserido dentro de um sofá oco para evitar detecção imediata
  • Atuação da perícia: constatação de múltiplos ferimentos sem definição imediata da causa da morte
  • Histórico pessoal: depressão e uso de drogas após perda familiar como fatores de risco
  • Próximos passos: realização de exames no IML e busca por testemunhas em pontos de tráfico
compartilhe