Servidora de posto de saúde é presa por cometer ato racista contra paciente
Ao ouvir reclamação por permitir que pessoas "furassem fila", servidora comentou: "é preto, mesmo, né?"
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Uma servidora do Centro de Saúde Itamarati, no Bairro Paquetá, na Pampulha, em Belo Horizonte, que não teve a identidade revelada, foi presa nesta sexta-feira (27/2) após ter cometido um ato racista contra um paciente.
O crime ocorreu na última quarta-feira (25/2), mas a prisão em flagrante foi decretada pela Justiça dois dias depois, com base em relatos de testemunhas que estavam no local e presenciaram o ataque.
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A vítima foi o profissional em hotelaria Rafael Ribeiro, de 30 anos. Ele estava na unidade de saúde acompanhado pela mãe e relata que sofreu racismo após reclamar que a mesma funcionária estaria permitindo que alguns pacientes "furassem a fila" de espera. "Ela passava porque conhecia as pessoas, passava diretamente para o médico", explica.
De acordo com Rafael, a mãe dele se direcionou a uma lixeira para descartar uma máscara cirúrgica quando ouviu a servidora em questão falar com uma colega: "é preto, mesmo, né?" A mulher, então, confrontou a funcionária, solicitando que ela repetisse o que havia dito. Nesse momento, então, um agente da Guarda Municipal que estava no centro de saúde interveio e também questionou a atendente.
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Por sua vez, a funcionária permaneceu em silêncio, manuseando um telefone celular. "Ela ignorou o guarda, ignorou a mim, ignorou a minha mãe. Ela não se defendeu momento algum", relata Rafael. Segundo ele, a mulher com a qual a servidora teria dirigido o comentário racista teria dito que não ouviu tal frase.
A servidora acabou sendo conduzida a uma delegacia ainda na quarta-feira, onde todos foram ouvidos. "A gente teve total apoio tanto do comandante que nos atendeu quando a gente chegou na delegacia quanto dos guardas que estiveram do nosso lado o tempo inteiro", destaca.
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Para o profissional em hotelaria, a prisão da servidora foi um ato de justiça. Estou bem satisfeito com isso, porque, enfim, depois de muitos anos sofrendo racismo, de testemunhas se omitindo ou mesmo não havendo testemunhas, dessa vez houve uma testemunha, e eu consegui levar esse caso até o final", conta Rafael. "É inadmissível qualquer tipo de crime e racismo, é uma coisa muito pesada", complementa.