O grupo de venezuelanos da etnia indígena Warao — composto por homens, mulheres e crianças — que estava abrigado provisoriamente em um ginásio poliesportivo em Montes Claros desde 15 de novembro do ano passado, deixou a cidade neste sábado (31/1) em direção a Belo Horizonte.

O deslocamento para a capital mineira ocorreu após a gestão municipal tentar encaminhar os migrantes para uma casa espaçosa na zona rural do município, próxima ao distrito de Nova Esperança. Segundo o prefeito de Montes Claros, Guilherme Guimarães (União Brasil), o grupo foi retirado do ginásio e levado ao local que seria seu abrigo definitivo. No entanto, os indígenas não aceitaram a "nova moradia" e solicitaram o encaminhamento para Belo Horizonte.

Os migrantes estavam instalados no Ginásio Poliesportivo Municipal Ana Lopes desde que foram deixados na rodoviária da cidade, em novembro, procedentes de Itabuna (BA) — em viagem custeada pela prefeitura baiana.

Na época do desembarque em Montes Claros, informou-se que o grupo era formado por 41 pessoas de sete famílias, incluindo sete homens, sete mulheres (quatro gestantes) e 27 crianças. Neste sábado, a prefeitura atualizou o número de abrigados para 57 pessoas, após a chegada de mais 16 venezuelanos do mesmo grupo na semana passada.

Em entrevista ao Estado de Minas em 10 de janeiro, o líder da etnia, cacique Amario Mota, afirmou que, mesmo após a deposição de Nicolás Maduro na Venezuela, o grupo pretende continuar morando no Brasil. A justificativa é o acesso ao Programa Bolsa Família, benefício inexistente em seu país de origem.

“Aqui temos ajuda para comprar comida e roupa para as crianças. Lá não tem ajuda nenhuma”, disse o cacique. Ele informou que as famílias recebem valores de R$ 1.200 mensais (para quem tem filhos pequenos) e R$ 600 (sem filhos em idade escolar).

Em nota divulgada neste sábado, após 75 dias de permanência dos indígenas na cidade, a Prefeitura de Montes Claros informou, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social, que o grupo foi inicialmente levado para “uma casa apropriada, com quartos, banheiros, cozinha e quintal”.

“No entanto, ao chegar ao local, o grupo manifestou o desejo de não permanecer e solicitou apoio para se deslocar para Belo Horizonte onde, segundo eles, possuem familiares. A partir daí, o município fez a mobilização necessária para garantir o traslado seguro e digno”, diz a nota da administração municipal, que providenciou um ônibus para o transporte.

O comunicado ressalta ainda que a Prefeitura de Belo Horizonte foi notificada sobre a iniciativa dos migrantes antes de o transporte ser providenciado. Contudo, a gestão de Montes Claros não revelou o endereço de destino do grupo na capital.

Ouvido pelo Estado de Minas na tarde deste sábado, o prefeito Guilherme Guimarães afirmou que a cidade ofereceu “o melhor tratamento possível”.

“Primeiro, houve a recepção no ginásio com toda a infraestrutura, alimentação, banheiros e acessibilidade. Mas percebemos que a situação estava se tornando desfavorável, principalmente para as crianças. Tivemos dificuldade em alugar uma casa que comportasse 57 pessoas, mas identificamos um local arejado na zona rural”, explicou o chefe do Executivo.

Segundo Guimarães, após a recusa do imóvel rural e a opção do grupo por BH, o município colheu assinaturas de consentimento. “Eles optaram por ir. Alugamos um ônibus e organizamos toda a documentação. Entendemos que estarão melhor lá”, enfatizou.

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Nem todos os 57 venezuelanos seguiram para a capital. Uma pequena parte — cerca de sete pessoas — decidiu retornar para a Bahia em ônibus de linha.

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