Sete anos depois do rompimento da Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, o Corpo de Bombeiros encerrou as buscas pelas duas vítimas ainda não identificadas. A informação foi confirmada durante o ato, neste domingo (25/1), em homenagem às vidas perdidas na tragédia
O tenente Henrique Barcelos, porta-voz do Corpo de Bombeiros, explicou que os mais de 11 milhões de metros cúbicos de rejeitos já foram totalmente vistoriados, e que o trabalho de identificação segue com a Polícia Civil.
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“Estamos aqui hoje para renovar o nosso compromisso com todo cidadão, principalmente de Brumadinho, e prestar nossa homenagem aos familiares e às vítimas. Nós atingimos 100% de vistoria no rejeito, um parâmetro que era muito importante para nós, e agora a gente tem a continuidade de um trabalho muito importante da Polícia Civil, que é seguir com a análise perícia nos segmentos corpóreos encontrados pela nossa corporação”, disse o tenente Henrique Barcelos, porta-voz da corporação.
Tragédia de Brumadinho
No dia 25 de janeiro de 2019, o mar de lama que irrompeu da Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão interrompeu bruscamente a vida de 272 pessoas, entre elas funcionários da Vale, residentes locais, turistas e dois nascituros que viriam a se chamar Maria Elisa e Lorenzo.
Para honrar a memória das vítimas, hoje foi celebrada uma missa, seguida de uma romaria pelas ruas de Brumadinho em direção à Praça das Jóias, onde foram colocadas cruzes com os nomes de todos aqueles que tiveram suas vidas ceifadas na tragédia. Os familiares deram as mãos em um abraço simbólico e, exatamente às 12h28, horário do rompimento, fizeram um minuto de silêncio.
Finalizando o ato, 272 balões foram soltos no céu da cidade e o nome de cada jóia foi anunciado. Para os familiares, todos estes momentos mostram a importância de preservar a memória dos entes queridos e de buscar justiça.
“Todo ano eu venho participar da missa, para rezar e clamar por justiça. Até hoje não houve justiça, não houve nada, está impune”, conta Malvina Firmina Nunes, mãe de Peterson Firmino Nunes, que tinha 34 anos no dia da tragédia e era pai de três filhos, que sentem sua falta todos os dias.
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Com lágrimas nos olhos, Malvina afirma que a mineradora só trouxe destruição para sua vida. “A Vale é assassina, ela matou 272 pessoas. Todos eles trabalhando para levar o pão para dentro de casa. Eu perdi o meu Peterson e foi a mesma coisa de perder eu mesma. Meu tempo parou, eu não vivo mais, todo dia eu peço a Deus por ele, chamo por ele”, desabafa.
