O Carnaval de rua de Belo Horizonte é um retrato fiel da criatividade e da força coletiva da cidade. O que começou em 2009, com pequenos grupos ocupando o espaço público como forma de resistência cultural, hoje se traduz em números impressionantes.
Em 2026, a capital mineira conta com mais de 600 blocos cadastrados, espalhados por todas as regionais e responsáveis por movimentar milhões de foliões ao longo de quase um mês de festa.
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Do improviso à multidão: os blocos que fizeram história
Nesse crescimento acelerado, alguns blocos se destacam por trajetórias que misturam afeto, identidade, ativismo e muita música. Eles nasceram pequenos, quase despretensiosos, e se tornaram gigantes sem perder a essência que os fez cair no gosto da cidade.
Então, Brilha!
O sol nem nasceu e o Centro de BH já está tomado: o Então, Brilha! transformou o amanhecer da folia em um dos rituais mais icônicos
Criado em 2010, no bairro Santa Tereza, o Então, Brilha! surgiu da vontade de amigos de ocupar a cidade com brilho, liberdade e diversidade. Inspirado no verso “Gente é pra brilhar”, do poeta Maiakovski, o bloco apostou desde o início em uma proposta simbólica: sair cedo, muito cedo, quando o dia ainda está nascendo.
O que era um pequeno cortejo se transformou em um dos momentos mais emblemáticos do Carnaval de BH. Todos os anos, às 5h da manhã do sábado de Carnaval, milhares de foliões se concentram para acompanhar o desfile pelas ruas do Centro. O nascer do sol, embalado por clássicos do axé dos anos 1990, virou ritual coletivo e abriu oficialmente a maratona dos grandes blocos.
O Então, Brilha! se consolidou como um espaço de expressão política e cultural, defendendo pautas como diversidade, combate à LGBTfobia, ao racismo e ao machismo, sempre mantendo o clima de celebração.
Baianas Ozadas
O Baianas Ozadas levou o tempero da Bahia para BH e virou um dos maiores blocos da cidade.
O Baianas Ozadas nasceu em 2012 quase como uma brincadeira. Fantasiados de baianas, um grupo de amigos decidiu levar o axé baiano para as ruas de Belo Horizonte. A resposta do público foi imediata e muito maior do que o esperado.
O primeiro desfile oficial já reuniu milhares de pessoas, obrigando o bloco a crescer rapidamente. A mudança da Praça da Liberdade para a Avenida Afonso Pena marcou o início de uma nova fase. Hoje, o Baianas Ozadas figura entre os maiores blocos do Carnaval de BH, reunindo grandes multidões a cada edição.
Com foco exclusivo nos ritmos da Bahia, o bloco mantém tradições como a lavagem da escadaria da Igreja São José e investe em uma estética forte, com figurinos, coreografias e uma bateria numerosa. O resultado é um desfile que une Minas e Bahia em uma das manifestações mais potentes da folia belo-horizontina.
Quando Come Se Lambuza
O bloco mistura pagode, axé e hits pop e transforma o Centro de BH em pista de dança a céu aberto.
A história do Quando Come Se Lambuza é a prova de que o improviso também pode virar fenômeno. Criado a partir de uma festa de aniversário, o bloco apostou em uma fórmula simples e certeira: misturar pagode dos anos 1990, axé, hits atuais e uma comunicação direta com o público jovem.
O crescimento foi rápido. Em poucos anos, o Lambuza deixou de ser um cortejo modesto para se tornar um dos blocos mais aguardados do Carnaval de BH. A bateria numerosa, as coreografias animadas e o repertório que convida todo mundo a cantar junto transformam o desfile em uma grande celebração pop a céu aberto.
Hoje, o bloco arrasta multidões pelo Centro da cidade e se consolidou como um dos queridinhos da geração universitária, mostrando que o Carnaval de BH também dialoga com novas linguagens e tendências musicais.
Tchanzinho Zona Norte
Axé retrô, irreverência e orgulho da periferia: o Tchanzinho Zona Norte cresceu e hoje arrasta multidões no entorno do Mineirão
Fundado em 2013, o Tchanzinho Zona Norte surgiu com uma proposta clara: descentralizar o Carnaval e valorizar a festa nas regiões fora do hipercentro. O bloco nasceu na Zona Norte, com espírito de festa de bairro e forte influência do axé dos anos 1990.
A resposta do público foi tão grande que o crescimento se tornou inevitável. O que era um cortejo local ganhou projeção em toda a cidade, mantendo como marca registrada os figurinos irreverentes, o humor escrachado e o coro de foliões cantando clássicos do É o Tchan e outros sucessos da época.
Com o passar dos anos, o bloco precisou mudar de endereço para comportar a multidão e hoje desfila no entorno do Mineirão, sem perder o vínculo com suas origens periféricas e populares.
Carnaval de BH cresce mantendo a essência
Para 2026, a expectativa é de centenas de desfiles espalhados pelas dez regionais de Belo Horizonte. A programação começa no dia 31 de janeiro, esquenta no pré-Carnaval e segue com força total entre 14 e 17 de fevereiro, com cortejos que se estendem até o fim do mês.
Mesmo com números cada vez mais grandiosos, o Carnaval de BH segue fiel à sua essência: a rua como palco, a diversidade como motor e a coletividade como protagonista.
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