O prefeito em exercício de Belo Horizonte, Juliano Lopes (Podemos), afirmou que a Prefeitura conseguiu organizar um cronograma para regularizar os repasses atrasados aos hospitais conveniados ao SUS na capital, após um cenário de forte tensão no início do ano. Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, ele disse que os atrasos ocorreram porque recursos previstos no orçamento municipal chegaram apenas no dia 30 de dezembro, sem tempo hábil para execução, já que não houve expediente nos dias seguintes.
O acesso efetivo aos valores, de acordo com Lopes, só ocorreu em 5 de janeiro, data em que ele assumiu interinamente o comando do Executivo municipal. O presidente da Câmara de BH relatou que, logo no primeiro dia útil após a posse, a Prefeitura convocou uma reunião extraordinária com proprietários e diretores dos hospitais conveniados.
O encontro ocorreu no dia 6 de janeiro e resultou na definição de um cronograma de pagamentos que se estende até março. Pelo acordo, 80% dos valores em atraso estarão quitados até o dia 10 de fevereiro, e os 20% restantes serão pagos até o fim de março. O prefeito em exercício ressaltou que o planejamento foi feito em conjunto com as instituições para evitar novos atrasos e, principalmente, impactos no atendimento ao cidadão.
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A fala de Lopes ocorre em meio a críticas da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais (Federassantas-MG), que vinha denunciando atrasos nos repasses da Prefeitura de Belo Horizonte aos hospitais 100% SUS da capital. Segundo a entidade, até o início de janeiro apenas cerca de 25% do montante devido havia sido pago, o equivalente a aproximadamente R$ 25 milhões. No fim de 2025, a dívida total, de acordo com a federação, chegava a cerca de R$ 100 milhões com impacto direto sobre o pagamento de fornecedores, prestadores de serviços e até da folha salarial de algumas unidades.
Entre os hospitais afetados estão a Santa Casa de Belo Horizonte, o Hospital São Francisco, o Risoleta Neves, a Rede Mário Penna, o Hospital Sofia Feldman, o Hospital da Baleia e o Hospital Universitário Ciências Médicas. A Federassantas-MG alerta que essas instituições respondem por mais de 70% dos tratamentos de alta complexidade e por cerca de metade de toda a produção hospitalar da capital, o que, segundo a entidade, torna o atraso nos repasses um risco concreto de colapso financeiro e assistencial.
Lopes afirmou que, ao assumir a Prefeitura, havia um “barulho na cidade” sobre salários atrasados e paralisações iminentes, o que exigiu uma resposta rápida da administração municipal. Segundo ele, a definição do cronograma e o diálogo com os hospitais ajudaram a acalmar os ânimos e a reorganizar a situação.
O prefeito em exercício destacou que o resultado é fruto de um trabalho coletivo, envolvendo a Secretaria Municipal de Saúde e a equipe técnica da Prefeitura, e que o acordo teve o aval dos diretores hospitalares justamente para garantir previsibilidade e estabilidade. "Conseguimos colocar esse cronograma com o aval dos diretores dos hospitais para não ter atraso de pagamento e nem o cidadão não sofrer lá na ponta com isso", disse no programa EM Entrevista.
A Federassantas-MG, por sua vez, cobra mais transparência sobre os critérios adotados para os pagamentos parciais e afirma que ainda há cerca de R$ 75 milhões em aberto. A entidade também critica o que chama de priorização inadequada por parte do Executivo municipal e chegou a classificar a prática como uma “pedalada” na saúde, acusação negada pela Prefeitura.
Em nota, a PBH afirma que atua dentro dos marcos legais e orçamentários, que depende do financiamento tripartite do SUS e que atrasos ou insuficiências de repasses da União e do Estado afetam diretamente o fluxo de caixa do município.
A Prefeitura informa ainda que, entre 1º de janeiro e 19 de dezembro do último ano, os hospitais 100% SUS de Belo Horizonte receberam cerca de R$ 1,46 bilhão em pagamentos por produção assistencial, emendas parlamentares e incentivos.
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A entrevista completa com o presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte está disponível no canal do Portal Uai no YouTube, além de trechos publicados em reportagens no portal do EM.
