COMOÇÃO E REVOLTA

'Sinto que vou perder meu país': imigrante em BH reage ao ataque dos EUA

Venezuela foi invadida na madrugada deste sábado (3/1); psicólogo e outros imigrantes que moram em Belo Horizonte lamentam o cenário no país de origem

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“Eu sinto que vou perder o meu país, de qualquer forma”. O desabafo é do psicólogo Jose Miguel Ocanto, natural de Carora, no Noroeste da Venezuela, e reflete o temor dos imigrantes que vivem em Belo Horizonte. Como muitos, ele saiu do país de origem, em 2018, por perseguição política e se instalou na capital mineira desde então. Na madrugada deste sábado (3/1), a notícia do ataque dos Estados Unidos levantou a preocupação e a revolta pelas infrações ao direito internacional e à soberania da Venezuela.

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Após a perseguição do regime de Nicolás Maduro, Jose Miguel deixou o país e, junto com os pais e os irmãos, veio para BH. Aqui se formou como psicólogo pela PUC Minas e atua na defesa dos direitos humanos de migrantes e refugiados por meio da Cáritas Brasileira e da Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO), onde é integrante da diretoria nacional. Ao Estado de Minas, ele contou que seus parentes continuam na Venezuela, mas não presenciaram os ataques. “Eles disseram que estão bem e atentos ao que está acontecendo, mas a maior preocupação no momento é com a estabilidade da internet”, relatou.

Ocanto afirmou que a captura do presidente foi comemorada por parte dos venezuelanos, uma vez que, segundo ele, a população sofria sob o comando de Maduro. “Muitas pessoas se alegram pelo ditador que afetou suas vidas de forma direta, levando várias pessoas à morte, à miséria e a violações sistemáticas de direitos humanos”, disse. Por outro lado, o psicólogo considera os atos do norte-americano Donald Trump uma infração ao direito internacional e uma ameaça à soberania da Venezuela.

 

Jose Miguel também comenta que os ataques não podem ser apagados pelas comemorações, já que, conforme destacado por ele, a história da América Latina mostra que intervenções americanas não acabam com a saída do ditador, mas continuam com os países sucumbindo ao poder norte-americano.

“Saímos da tragédia de um governo totalitário, mas tem outra questão que é o imperialismo dos Estados Unidos, ou seja, o controle americano sobre um país que deveria conservar sua soberania. Sinto que vou perder meu país, de qualquer forma: nas mãos do Maduro eu perco o meu país, mas nas mãos do Trump eu também perco o meu país”, lamentou Ocanto.

O ativista ainda acredita que é necessário pensar em uma redemocratização do país e na real libertação da Venezuela. Sua preocupação também abarca o ano eleitoral brasileiro, uma vez que a escolha do novo presidente pode impactar a geopolítica da América Latina. “Saímos do totalitarismo do Maduro, mas estamos entrando, de alguma forma, sob controle dos Estados Unidos, que tem interesse não só na Venezuela, mas em todos os países latino-americanos”, avaliou ele.

Nas redes sociais, a jornalista e criadora de conteúdo venezuelana Alexandra Rojas, que vive na capital mineira há 7 anos, relatou o desespero daqueles que presenciaram os bombardeios. “Essa intervenção trouxe consequências graves. O cenário atual para o povo venezuelano é extremamente preocupante. Há desespero e pessoas comprando alimentos de forma desesperada. Há regiões em que os serviços básicos, como energia elétrica, não estão funcionando”, afirmou ela.

Vida reinventada

Pelo Instagram, os empresários e donos do restaurante Dorian Cacao Venezuela lamentaram a situação. Impactados pelo contexto econômico na Venezuela, incapaz de cobrir as necessidades básicas, o casal Yenither Olivar e Reinaldo Nieves encontrou na gastronomia uma oportunidade para recomeçar a vida em outro país, especificamente em BH.

Em homenagem ao filho Dorian, nasceu o Dorian Cacao Venezuela, o primeiro restaurante típico do país latino-americano na capital mineira. Inicialmente focado na venda de brownies, o negócio se expandiu e conquistou uma unidade física em 2023. Ontem, ao anunciar o horário de funcionamento da casa, o restaurante desejou boas vibrações para o país latino-americano. “Dios te bendiga, Venezuela (Deus te abençoe, em português)”, escreveram.

O que se sabe sobre o ataque?

Os Estados Unidos lançaram uma série de ataques aéreos contra a Venezuela durante a madrugada deste sábado (3), e Donald Trump afirmou que as forças americanas haviam capturado o presidente venezuelano Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores.

As explosões foram ouvidas pouco antes das 02h locais (3h em Brasília) em Caracas e arredores e continuaram até às 03h15 (4h15 em Brasília), segundo a AFP. Imagens que circulavam nas redes sociais mostravam mísseis cruzando o céu e depois explodindo. Também foram vistos helicópteros sobrevoando Caracas. Pouco antes das 11h GMT (8h em Brasília), um senador americano declarou que Washington havia concluído sua operação militar.

As explosões, seguidas por colunas de fumaça e incêndios, tiveram como alvo Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, sede do Ministério da Defesa e da Academia Militar, que abriga não só instalações militares como também conjuntos habitacionais para tropas, onde vivem milhares de famílias.

Outros bombardeios foram ouvidos perto do complexo aeronáutico La Carlota, um aeroporto militar e privado na zona leste de Caracas, e também no oeste do país, em La Guaira (aeroporto internacional e porto de Caracas), em Maracay, capital do estado de Aragua (100 km a sudoeste de Caracas), e em Higuerote (100 km a leste de Caracas), no estado de Miranda, na costa do Caribe. Não foi divulgado um número de vítimas, e não se sabe ao certo como Maduro foi capturado, bem como onde se hospedava.

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(com informações de Izabella Caixeta e AFP)

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