(Por Tim Filho)

 

A mulher que teve um ataque de fúria e agrediu uma professora da Escola Municipal Pastor Fabiano Alves, no Bairro Vila dos Montes, em Governador Valadares, vai ter de depor nesta semana no Juizado Especial Criminal. A agressão causou revolta e perplexidade em toda a comunidade escolar de Governador Valadares, deixando as professoras inseguras.



Ninguém entendeu a ação tresloucada da agressora, que, aparentemente sem motivo, partiu pra cima da professora, acertando um tapa no seu rosto. Uma agressão maior somente não aconteceu porque outras professoras protegeram a colega agredida.



A agressão aconteceu no dia 25 de março de 2024, quando a mulher foi à escola buscar o filho de 3 anos de idade. Segundo relato de testemunhas, a mulher estava muito agitada, conversando com outra pessoa ao telefone, e quando viu o filho saindo, correndo na direção dela, começou a gritar e xingar a professora que estava com a criança no portão da escola. E acertou em cheio o rosto da professora com um tapa.



A Polícia Militar foi chamada, ouviu as professoras e a direção da escola e iniciou as buscas pela agressora. Os militares encontraram certa dificuldade para localizar a mulher, porque o endereço da mãe, informado pela escola, estava desatualizado. Eles a localizaram a mulher em outro endereço.

 





Na conversa entre os militares e a mulher agressora, ela contou que não gostou da forma como a professora tratava o filho dela, por isso reagiu. A direção da escola, por sua vez, considera a professora agredida uma profissional de conduta exemplar, e que sempre preza pelo respeito não apenas com a comunidade escolar, mas com todos os estudantes, sem distinções.



Professoras se unem



Professoras e funcionárias da escola estão apoiando a colega agredida e temem que casos semelhantes ocorram novamente. Em manifestação realizada na sexta-feira (5/4), elas pediram respeito e providências das autoridades da educação e órgãos de segurança, para que novas agressões não aconteçam.



O clima de revolta na escola Pastor Fabiano Alves é de indignação e revolta. Desde o dia da agressão, as professoras se sentiam abandonadas pela Secretaria Municipal de Educação, que, segundo elas, não havia se posicionado sobre a humilhação sofrida pela professora. E fizeram várias manifestações coletivas, evitando pronunciamentos isolados. Outras escolas da rede municipal de ensino também estão solidárias com as colegas da Escola Pastor Fabiano Alves.


Posicionamento da Prefeitura de Valadares

A Prefeitura divulgou em nota que "repudia qualquer ato de agressão contra os servidores e solidariza-se com a professora da Escola Municipal Pastor Fabiano Alves que foi agredida." A secretaria municipal de Educação "ressalta ainda que todas as medidas legais, como boletim de ocorrência, foram feitas pela direção da escola e lamenta o ocorrido."


Sindicato dos Servidores Municipais


Em nota publicada em redes sociais, o Sindicato dos Servidores Municipais de Governador Valadares (Sinsem-GV) pede que a Secretaria Municipal de Educação (Smed) "tome providências urgentes para apurar o caso e a motivação da fúria da mulher que agrediu a professora", e que sejam dadas garantias de segurança aos servidores e servidoras que atuam na escola.

Na sexta-feira (5/4), o professor Daniel Rômulo, diretor do sindicato, foi à Escola Professor Fabiano Alves e prestou solidariedade à professora agredida. Colocou o departamento jurídico do Sinsem-GV à disposição da direção da escola e disse que o sindicato vai pedir providências enérgicas do Ministério Público de Minas Gerais, e vai pedir ao Conselho Tutelar que acompanhe a família da mulher agressora.


Nota do Sindicato na íntegra


É com grande consternação que tomamos conhecimento do lamentável incidente ocorrido no último dia 25 de março, no qual uma professora foi agredida fisicamente por uma mãe de aluno. Este ato de violência é não só inaceitável, mas também repudiável em todos os aspectos.



O Sindicato dos Servidores Municipais de Governador Valadares (Sinsem-GV) manifesta sua solidariedade irrestrita à professora agredida e a todos os profissionais da educação que, diariamente, dedicam-se incansavelmente ao ensino e à formação de nossas crianças e jovens.


A agressão física a um educador é um ataque não apenas à pessoa agredida, mas também à integridade de todo o corpo docente e ao ambiente escolar como um todo.



Portanto, exigimos que a Secretaria Municipal de Educação (Smed) tome medidas imediatas para apurar este acontecimento, de forma a assegurar a segurança e o respeito aos profissionais da educação em nosso município.



O Sinsem permanecerá atento e vigilante, acompanhando de perto o desdobramento deste caso e lutando pelos direitos e pela dignidade dos trabalhadores da educação e de todos os setores do município.

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