A cidade de Congonhas, na Região Central de Minas, adotou uma tecnologia desenvolvida por uma empresa inglesa e já consegue perceber resultados positivos no controle do mosquito da dengue. Chamados de 'Aedes do bem', os mosquitos passam por um processo de modificação genética.

O secretário de Saúde do município, Allan Diego Falci, explica como a tecnologia funciona.

“Ela faz a modificação genética em mosquitos Aedis aegypti machos. Eles são criados dentro de caixas e soltos no ambiente. Cruzam com as fêmeas selvagens e os descendentes que vão nascer serão só machos. Como são as fêmeas que transmitem a doença, com o tempo a gente diminui a incidência das fêmeas, aumenta a dos machos e, consequentemente, diminui a probabilidade de transmissão das arboviroses.” Entre as arboviroses estão dengue, zika e chikungunya.



Segundo Falci, a empresa encaminha para a secretaria ovos dos mosquitos Aedes aegypti geneticamente modificados. Existem cerca de 4,5 mil caixas distribuídas por todo o município. “Elas são como criadouros do mosquito. É colocada água e uma fonte de alimento para os mosquitos se desenvolverem.”

O secretário destaca que outra vantagem é que os mosquitos machos não picam as pessoas. “As pessoas ficam preocupadas com o aumento do número de mosquitos que podem picar, mas isso não acontece.”
Em laboratório, os cientistas também conseguem identificar o 'aedes do bem' dos demais mosquitos. Ele tem uma luminosidade que é possível ser observada em microscópio.

Uma equipe técnica da empresa inglesa visitou e mapeou o município. “Eles vieram e escolheram, estrategicamente, por meio do aplicativo desenvolvido pela empresa, os locais em que as caixinhas deveriam ser instaladas. Cada caixa cobre aproximadamente 5 mil m2.”

Ainda segundo ele, a eclosão de ovos ocorre de 10 a 14 dias. Cada caixa pode liberar até 1.200 mosquitos."

Resultados positivos

A tecnologia foi aprovada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em 2020. O município contratou os serviços da empresa em agosto e terminou a implementação em dezembro do ano passado. Segundo o secretário, mesmo em pouco tempo, já é possível perceber resultados positivos. “O município tem, atualmente, 155 casos confirmados de dengue. Nessa época, ano passado, já tínhamos quase mil.”

Ainda de acordo com o secretário, a empresa inglesa estabelece que os resultados concretos podem ser vistos de seis a dez meses após a implementação. “Mas vimos que a realidade tem sido diferente, observando tantos nossos dados do ano passado como de municípios próximos. Conselheiro Lafaiete, distante cerca de 20 km daqui, tem mais de dois mil casos.”

A escolha da tecnologia foi feita após testes em outros lugares, como Indaiatuba e Piracicaba, no interior de São Paulo. Segundo Falci, no caso de Indaiatuba, houve queda de mosquitos em 96% nas áreas tratadas. “O investimento é caro. Aqui, investimos R$ 15 milhões. Mas quando dividimos isso pela população, chegamos em um quantitativo de cerca de R$ 30, por ano, para cada indivíduo. É um investimento alto, mas vemos que vale a pena. Além de desafogar nosso sistema de saúde.”

O contrato com a empresa inglesa termina no fim deste ano e a renovação depende da continuidade da administração municipal no poder, já que haverá eleição neste ano.

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