Depois de enfrentar uma estiagem de quase 11 meses, considerada a pior da história, o Norte de Minas teve o retorno das chuvas no início deste mês. No extremo Norte do estado, uma das áreas mais castigadas pela seca, o retorno da temporada chuvosa foi comemorada, mas, na madrugada e manhã desta segunda-feira (8/1), temporais chegaram a provocar transtornos nos municípios de Porteirinha, Mato Verde, Monte Azul e Espinosa.


Por causa de uma enchente no Rio Pequeno, o trânsito ficou interrompido em um ponto da MGC 122, a três quilômetros de Monte Azul, entre a 8h e ao meio-dia. Em Espinosa, Mato Verde e Porteirinha, houve inundações de ruas.


O coordenador municipal de Defesa Civil de Monte Azul, Robson Fernandes, disse que os estragos dos temporais foram pequenos. “Para nós aqui, mais do que problema, a chuva sempre é solução”, afirmou Fernandes.

Ele salientou que a expectativa é que as precipitações continuem para a recuperação do volume dos dois principais reservatórios que abastecem a população de Monte Azul: as barragens de Angical (que ainda está com 30% de sua capacidade) e de Cana Brava, que, até o fim de dezembro, estava praticamente seca.




O coordenador de Defesa Civil de Monte Azul disse que o município já solicitou ao Departamento Estadual de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) para fazer melhorias na ponte da MGC sobre o Rio Pequeno, com a construção de mais uma galeria. O objetivo da intervenção solicitada é evitar que durante as enchentes, a água venha invadir a pista, como ocorreu na manhã desta segunda-feira.


O coordenador municipal de Defesa Civil de Mato Verde, Daniel Souza Lopes, afirmou que, devido à cheia no Rio Viamão, em ponto da área urbana da cidade, algumas vias públicas foram inundadas, mas sem prejuízos. Ele informou que o telhado de uma casa de Mato Verde foi danificado pela chuva forte da madrugada desta segunda-feira.


Por outro lado, Daniel lembra que “o retorno das chuvas” é muito comemorado por causa do flagelo provocado pela estiagem prolongada no município durante quase todo o ano passado. “Tivemos em 2023 uma seca nunca vista no município. Comunidades onde antes existiam seis famílias atendidas com caminhão-pipa passaram a contar com 30 famílias com a necessidade de serem abastecidas”, relata. 


“Todos os rios e córregos do município secaram e agora estão sendo recuperados com as chuvas, graças a Deus”, comemora Daniel Souza. Segundo ele, até o fim de dezembro, cerca de 200 famílias da zona rural de Mato Verde estavam sendo abastecidas com a água levada por caminhões-pipas.

 

A secretária municipal de Agricultura de Porteirinha, Edinês Medrado Cantuária, informou que as fortes chuvas da madrugada e manhã desta segunda-feira danificaram as estradas vicinais que dão acesso a cerca de cinco a seis comunidades rurais do município. Por outro lado, ela afirma que, mesmo com os percalços, os agricultores festejam o retorno da temporada chuvosa. Pois, Porteirinha ficou sem chuvas durante quase um ano. Edinês lembra que relatório da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG) aponta que estiagem prolongada de 2023 provocou prejuízos da ordem de R$ 264,7 milhões no setor agropecuário de Porteirinha.

Estrago em ponte na MGT 122,Monte Azul

Defesa Civil/ Monte Azul


O meteorologista Claudemir Azevedo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), revela que as chuvas retornaram neste mês em todo o semiárido mineiro, que foi duramente castigado pela estiagem no ano passado, abrangendo as regiões Norte de Minas e os vales do Jequitinhonha e do Mucuri. Segundo ele, entre as cidades que tiveram maiores precipitações neste início de janeiro estão Capelinha (onde já foram registrados 154,2 milímetros neste mês), Pedra Azul (154,2 milímetros), Monte Claros (97,8 milímetros) e Januária (93,4 milímetros).


Outros municípios mineiros que tiveram grandes volumes de chuva neste mês foram: Arinos (213,1 milímetros), Unaí (176,8 milímetros) e Formoso (105,8 milímetros).


Ainda de acordo com Azevedo, as precipitações deverão continuar no Norte de Minas e nos vales do Jequitinhonha e do Mucuri até o fim do mês, embora as fortes chuvas deverão dar uma “trégua” nos próximos dias.

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