Animal foi fotografado devido ao monitoramento da biodiversidade da reserva feito por meio do Projeto Mamíferos -  (crédito: Usina Coruripe/Divulgação)

Animal foi fotografado devido ao monitoramento da biodiversidade da reserva feito por meio do Projeto Mamíferos

crédito: Usina Coruripe/Divulgação

Popularmente conhecida como onça-preta ou “pantera negra”, uma onça-pintada melânica, ameaçada de extinção, foi fotografada na Reserva Ambiental Porto Cajueiro, mantida pela Usina Coruripe, em Januária, no Norte de Minas Gerais. O registro da espécie rara aconteceu no fim de outubro, mas só foi divulgado nesta terça-feira (14/11) pela assessoria da usina. O felino foi fotografado no limite sudoeste da reserva, próximo à borda da chapada, distante das comunidades que margeiam o rio Carinhanha.

 

A pelagem negra do animal, que representa cerca de 10% da população de onças-pintadas, é resultado da produção em excesso do pigmento melanina. Apesar da coloração escura, o animal tem as pintas características da espécie, mas, devido a uma mutação genética, o pelo é mais pigmentado, e as marcas não ficam tão visíveis.

 

 

A onça-pintada – ou Panthera onca, conforme nome científico – é o maior animal felino e carnívoro das Américas, mas, em todo o mundo, ela ocupa a terceira colocação entre os felinos. No primeiro e segundo lugares estão o tigre (Panthera tigris) e o leão (Panthera leo), respectivamente.

 

A Reserva Ambiental Porto Cajueiro, onde a onça foi localizada, tem mais de 18 mil hectares no bioma cerrado. O animal foi fotografado devido ao monitoramento da biodiversidade da reserva feito por meio do Projeto Mamíferos, com o apoio do Instituto Biotrópicos, e indica uma provável conexão com a população de onças-pintadas do Parque Nacional Grande Sertão Veredas.

 

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“Essa potencial conexão é muito importante, pois possibilitaria o movimento de animais através da região, o que é essencial para a manutenção da população de onça-pintada, já que a espécie precisa de grandes áreas naturais para sobreviver”, explica Marcell Soares Pinheiro, biólogo e coordenador de campo do Instituto Biotrópicos, via assessoria.

 

“Em setembro, nas câmeras que monitoram animais de médio e grande portes na unidade de conservação, foram identificadas outras espécies de mamíferos importantes do cerrado: lobo-guará, anta, jaguatirica, gato-do-mato pequeno, irara, paca e tatu-do-rabo-mole. Houve também, em parceria com o Instituto Biotrópicos, a coleta de informações para inventariar espécies da anurofauna em áreas do rio Carinhanha, a fim de apontar medidas efetivas de conservação da fauna de anfíbios”, pontua a Usina, em comunicado.