PROFISSÃO

Ofício do alfaiate: arte que atravessa gerações

Além de ser passado de pais para filhos, também envolve, muitas vezes, a produção de peças para gerações de uma mesma família

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Já falamos muito das noivas e da criação dos vestidos para o grande dia mas, cada vez mais, os noivos estão tão exigentes quanto, quando o assunto é se vestir bem.

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Por isso, nesta edição da série “Casamento em Pauta”, do Caderno Feminino & Masculino, falamos de profissionais que, desde a pré-adolescência, se dedicam a criar paletós, coletes e calças deslumbrantes – seja ou não para casamentos.


Roupa que modela

Geraldino Nunes Filho cresceu vendo a mãe fazendo calças à noite, depois de longos dias de trabalho e dedicação para dar sustento aos onze filhos. “Comecei a aprender com a minha mãe mesmo, ajudei muito a fazer as calças, ia chuleando os pontos na borda dos tecidos, naquela época nem tinha o overlock, era à mão”, lembra o alfaiate.

Hoje, já são muitos os avanços tecnológicos que auxiliam não apenas a produção das peças, mas também a logística de pedido dos tecidos. E por falar nos materiais, Geraldino chama a atenção para mudanças na oferta. “Hoje, usamos muito a lã fria italiana, enquanto antes tínhamos tecidos mais encorpados e sintéticos”.


Provas

Seja com noivos ou com clientes habituais, as provas são de suma importância para Geraldino. “Preciso de no mínimo cinco provas para que fique perfeito. Faço primeiro o terno todo em algodão para só depois cortar o tecido a ser usado, é um trabalho minucioso”, destaca.


Os diferentes biotipos também podem reforçar os pontos positivos de um terno sob medida. “Determinados tipos de corpo podem ser difíceis de encontrar opções prontas em lojas”.
Geraldino conta como os alfaiates passaram a ser raros no interior do estado. “Tem muitos que vêm do interior para fazer ternos aqui”.


O Alfaiate conta com uma equipe de priemiera na alfaiateria e outros tantos profissionais que estão com ele há anos, e trabalham em casa. Um dos calceiros que trabalha há mais de 50 anos com Geraldino se mudou para Sabinópolis, na Região do Vale do Rio Doce, e vez ou outra Geraldino corta a calça, põe todo o aviamento, toda a cola de entretela na capital e, envia para o calceiro fechar a peça a cerca de 260km de distância.


Geralmente, um terno sob medida para casamento leva de 2 a 3 meses para ser feito, mas Geraldinho não nega socorro a noivos desesperados e tem condições de atender casos de urgência com 30 dias e até um pouco menos, e com perfeição.


Gerações

Uma das partes mais bonitas da profissão de Geraldino é o atendimento que atravessa gerações. “Recebo ternos de 30, 25 anos de avôs de netos que querem reformar a peça para usarem. E nesses casos, preciso desmanchar o terno todo. Não aperto e nem faço remendos”, reforça, destacando ainda que muitos filhos de clientes antigos também se tornaram assíduos.

Marcelo Blade aprendeu a trabalhar com o pai, o saudoso hermano, e hoje, atua com a esposa simone na blade alfaiataria
Marcelo Blade aprendeu a trabalhar com o pai, o saudoso hermano, e hoje, atua com a esposa simone na blade alfaiataria Jair amaral/EM/D.A Press


De pai para filho

Marcelo Blade, à frente da Blade Alfaiataria ao lado da esposa Simone Martins, herdou a vocação do pai, Hermano Augusto do Carmo. “Ele sempre foi dedicado, me lembro que passava os domingos riscando as paredes com giz. Na infância, meus carrinhos eram carretéis de linha”, relembra o alfaiate.


Com apenas 12 anos, já se tornou o braço direito de Hermano. E muito além de aprender sobre o ofício em si, Blade foi conquistando, desde cedo, clientes importantes do pai – reconhecido por atender personalidades como o ex-presidente José Alencar Gomes da Silva.


Hoje, com os mais de 30 anos de empresa, Blade coleciona milhares de clientes – muitos habituais. “Meu pai lia muito e conversava com os clientes, que iam até ele muitas vezes por um interesse além do terno em si. Hoje, vejo que isso está acontecendo comigo também, até porque toda a experiência é maravilhosa que o sob medida proporciona”, conta, destacando, assim como Geraldino, que a maior parte dos materiais que utiliza são importados.


Trabalho minucioso

Quando chegamos no ateliê de Blade, é como se entrássemos em um paletó – as paredes são pintadas para trazer essa impressão. Todo o ambiente, certamente, corrobora para a experiência dos clientes. O cuidado com uma peça feita totalmente personalizada também é o maior diferencial dos ternos sob medida. “Para cada terno, mais ou menos oito profissionais passam pela construção da roupa. Ela é toda feita do zero”, destaca Simone.

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Apesar de produzir termos para ocasiões diversas, inclusive para o dia a dia, o ateliê, segundo Simone, tem os noivos como carro-chefe. “A roupa do noivo deve estar impecável, temos muitos casos de clientes que veem um noivo com um terno daqui, se interessam e nos procuram”. 

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