A Copa do Mundo de 2026 talvez esteja oferecendo ao mercado publicitário um dos melhores estudos de caso do ano. Em um torneio que amplia a presença comercial da FIFA e de seus parceiros, movimentando bilhões em patrocínios, licenciamentos, direitos de transmissão e vendas de produtos, um detalhe chama atenção pela uniformidade. Atletas patrocinados por marcas concorrentes entram em campo usando chuteiras praticamente idênticas, quase todas em tons de rosa.

O fenômeno revela uma contradição interessante do marketing contemporâneo: quanto mais sofisticadas se tornam as ferramentas de análise e previsão, maior parece ser a tendência de empresas diferentes chegarem às mesmas respostas.


A escolha do rosa, porém, não aconteceu por acaso. A cor produz forte contraste com o gramado, destaca-se nas transmissões de televisão e dialoga com consumidores mais jovens, segundo especialistas. O resultado comercial inicialmente também parece positivo. A Centauro registrou crescimento de quase 50% nas vendas de chuteiras rosas desde o início da Copa, sinal de que a tendência extrapolou o campo e chegou ao varejo.


Mas o curioso e que passa a ser didático é que, quando todos seguem a mesma lógica, surge um paradoxo: a estratégia criada para diferenciar acaba produzindo uniformidade. Esse talvez seja o aspecto mais interessante para o mercado publicitário até o momento nesta Copa. O torneio não expõe apenas uma tendência visual. Funciona como um laboratório a céu aberto sobre os efeitos da padronização das decisões de marketing.


Historicamente, a diferenciação sempre esteve no centro da construção de marcas. Durante décadas, empresas investiram fortunas para ocupar territórios exclusivos na mente dos consumidores. Mas a popularização das ferramentas de inteligência de mercado criou um cenário novo. Quando concorrentes observam os mesmos dados e as mesmas tendências, aumenta a probabilidade de que suas decisões também se pareçam, como é o caso em questão.


O fenômeno, no entanto, não está restrito ao futebol. Bancos digitais utilizam linguagens visuais semelhantes. Marcas de varejo compartilham discursos parecidos sobre propósito e experiência. Empresas de tecnologia adotam códigos estéticos cada vez mais próximos. Em muitos segmentos, o consumidor percebe diferenças menores entre concorrentes que deveriam disputar atenção justamente pela singularidade.


Há, evidentemente, argumentos favoráveis a essa convergência. Quando diversas empresas apostam na mesma tendência, ajudam a consolidar uma categoria de consumo. O rosa deixa de ser uma escolha de nicho e passa a representar performance, modernidade e inovação. Sob esse ponto de vista, todos se beneficiam do fortalecimento coletivo da tendência.


Mas a estratégia também traz riscos para fixação da marca. Em um lance transmitido para milhões de espectadores, quantas pessoas conseguem identificar se uma chuteira rosa pertence à Nike, à Adidas ou à Puma? A cor chama atenção. A autoria da mensagem, nem sempre.


Talvez o melhor exemplo dessa discussão seja a própria Adidas. Enquanto a maioria das fabricantes apostou no rosa-choque, a empresa lançou para Lionel Messi a coleção especial "El Último Tango", criada para celebrar sua provável despedida dos Mundiais. O destaque é uma chuteira inspirada na histórica F50.6 Tunit, nas cores azul e branca da Argentina.


Em uma Copa dominada pelo rosa, o modelo de Messi se transforma em exceção. O que parecia menos chamativo acaba ganhando destaque justamente por oferecer algo raro: contraste em meio à uniformidade. A cor escolhida para maximizar a visibilidade tornou-se tão comum que passou a dividir atenção com dezenas de modelos semelhantes. Enquanto isso, quem fugiu da regra conquistou diferenciação de forma espontânea.


Esse parece ser o principal a principal lição para o mercado publicitário. Dados, inteligência artificial e análises preditivas são ferramentas indispensáveis para reduzir riscos e aumentar a eficiência das decisões. Mas, quando todos utilizam as mesmas ferramentas para encontrar as mesmas respostas, a vantagem competitiva pode surgir exatamente onde os algoritmos têm mais dificuldade de atuar: na originalidade.


Mais do que uma história sobre chuteiras rosas, a Copa de 2026 oferece um alerta para as marcas. A tecnologia aponta caminhos seguros. A identidade, porém, continua sendo construída por escolhas que escapam do óbvio. Afinal, quando todos escolhem a mesma cor, o maior diferencial passa a ser quem decide não escolhê-la.

Briefing

LIDERANÇA RECONHECIDA
A Gerdau foi reconhecida como a marca mais forte da indústria do aço no Brasil no ranking Brand Finance Brazil 100 2025. A companhia ocupa a 38ª posição entre as 100 marcas mais valiosas do País e lidera o segmento siderúrgico em valor de marca.

REPUTAÇÃO
Além da liderança no setor, a empresa registrou crescimento de 23% em força de marca, alcançando a 55ª posição nesse indicador. Segundo a companhia, o resultado reflete seus 125 anos de história, a proximidade com clientes e parceiros e a atuação de seus mais de 30 mil colaboradores.

INTENACIONAL
Elaborado pela consultoria Brand Finance, referência global em avaliação de marcas, o ranking reúne as empresas brasileiras de maior relevância econômica. A presença da Gerdau entre as mais valiosas do País reforça a importância da marca no ambiente corporativo nacional e internacional.

GRECO MUDA REDE
Greco Design, agência mineira comandada por Gustavo Greco e premiada em festivais como Cannes, D&AD e Red Dot, foi responsável pelo reposicionamento completo da marca REDE. O projeto criou uma identidade visual proprietária, flexível e preparada para fortalecer a presença da empresa em todos os seus canais de relacionamento.

EVOLUÇÃO
Após 28 anos como Lojas REDE Perfumaria e Beleza, a varejista adotou uma marca mais simples e contemporânea, passando a se chamar apenas REDE. A mudança reflete a evolução da operação, que reúne 87 lojas em Minas Gerais, e-commerce nacional e mais de 15 mil produtos em seu portfólio.

INTUITIVO
O novo sistema desenvolvido pela Greco traduz a diversidade da marca por meio de uma paleta de cores ampliada e organizada por categorias de produtos. Já o tradicional vermelho foi modernizado para ganhar leveza, mantendo o reconhecimento construído junto aos consumidores ao longo de quase três décadas.

FILADÉLFIA
Pela primeira vez, uma agência fora do eixo São Paulo é responsável pela campanha de divulgação das inscrições do Anuário do Clube de Criação. A Filadélfia criou peças inspiradas nos desafios enfrentados por agências e criativos até que uma ideia alcance relevância suficiente para disputar a Estrela do Clube, principal reconhecimento da criatividade brasileira.

CRIATIVIDADE
A campanha defende o valor das ideias e do trabalho criativo em um cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial. Sem utilizar IA na produção das imagens, a Filadélfia convidou o artista mineiro Gustavo Leite para desenvolver pinturas exclusivas. O conceito reforça que a tecnologia pode apoiar o processo criativo, mas não substitui a sensibilidade humana nem a força de uma boa ideia.

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FUSCA RESISTE
Neste domingo, Belo Horizonte se transforma na "capital Mundial do Fusca". Para celebrar o carro que marcou época, BH recebe o "Cidade dos Carros - Dia Mundial do Fusca", um dos maiores encontros automotivos da América Latina. O evento será realizado na esplanada da Cidade Administrativa, devendo reunir milhares de admiradores de veículos clássicos, customizados e de coleção.

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