Anna Garzon queria criar móveis e estava certa da sua decisão até que uma atividade da aula de prática projetual, no curso de design de produto da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), fez com que ela desviasse de rota, enveredando para a indústria da moda. De lá para cá, passaram-se 16 anos e várias experiências até que decidisse lançar a Garzon Bags que, apesar de novinha, já conseguiu espaço no mercado com seu estilo cool e atemporal.
Até chegar a esse ponto, Anna passou por um estágio na Luiza Barcelos, ocasião em que entrou em contato com todos os processos de uma empresa especializada em calçados e bolsas, consolidada e com nome nacional. “Foi onde aprendi a fazer produto para mulher de forma criativa e viável”, explica a estilista.
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Os quatro anos lá dentro a levaram a aceitar um convite irrecusável: trabalhar na equipe da Arezzo, em Campo Bom, no Rio Grande do Sul. Ali, no Vale dos Sinos, Região Metropolitana de Porto Alegre, concentram-se fábricas importantes do segmento, os melhores curtumes, os ateliês especializados, a mão de obra qualificada, além das tradições italiana e germânica, que carregam uma identidade enorme em relação ao couro, segundo Anna.
Foi um choque de realidade, ela sentiu de perto as diferenças culturais entre gaúchos e mineiros. “Eles são bons de trabalho, profissionais e corretos, mas têm comportamentos muito diversos dos nossos. A princípio, estranhei bastante a vida no interior, mas os sete anos em que trabalhei na empresa me renderam a proposta para assumir o cargo de head de produtos da Schutz (do mesmo grupo), nos Estados Unidos. Fiquei em Nova York por dois anos e meio.”
Portas abertas
Essas vivências e expertises convergiram para que Anna tivesse coragem de abrir a própria marca. Um desejo que já estava latente em seu coração e que foi adquirindo forma ante o incentivo de um sócio-investidor. “Ele me estimulou a voltar para Belo Horizonte e a colocar a cara no mundo. Em 2023, comecei a desenvolver os processos para a abertura da Garzon.”
Momento de recorrer às fábricas e fornecedores com os quais trabalhou no Rio Grande do Sul. “Tinha que ter um local para produzir e esses contatos foram muito importantes. Liguei para o pessoal e convidei: 'Vamos comigo?'. Felizmente, encontrei as portas abertas. O desenvolvimento do produto é feito lá, o que exige minha presença em campo periodicamente.”
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Metal retorcido
Anna queria uma marca que contasse uma história, tivesse um conceito interessante e pudesse ser reconhecida por elementos recorrentes. Foi quando pensou no metal retorcido, que está presente nas alças das bolsas ou funciona como adorno nas peças.
“A torção remete à flexibilidade e adaptabilidade essenciais para enfrentar a vida e representam também a força feminina, que tem essas características”, enfatiza. Daí que o sobrenome da família materna nomeia o seu negócio. “Ele vem de mulheres fortes, como minha mãe, Cristiana, e minha avó, Heloisa, que, desde cedo, conquistaram seus espaços. É um DNA carregado por três gerações.”
Além do metal dourado torcido, a Garzon pode ser identificada pelas cores: o vinho predomina no logotipo e na ambientação do showroom, no Bairro Lourdes, em Belo Horizonte. As bolsas são sempre forradas no tom lilás.
Desde o começo, a estilista priorizou um design funcional, que pudesse conversar com as necessidades cotidianas do seu público. A bolsa All Day, por exemplo, está presente em todas as temporadas e tem espaço para carregar o “mundo”. “É um best-seller, mas temos a bolsa Petit, que lembra uma pequena frasqueira, muito fashionista.”
Tendências no radar
A coleção contempla ainda os tamanhos médios e clutches vintages, entre outras inovações, como o modelo confeccionado com cachos de linha.
A textura de leopardo é um clássico permanente, mas a estilista já explorou outros prints, como a cobra e a vaca. “Estamos sempre buscando novas texturas e incluindo tendências de temporadas, como a palha, agora no verão.”
A atemporalidade do estilo se apoia na escolha de matérias-primas nobres desenvolvidas com exclusividade.
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O movimento comercial é realizado em feiras relevantes, como o Minas Trend e o Contemporâneo, na capital paulista. “Estamos agora no showroom Loomp, em São Paulo, para fortalecer as vendas e o canal de marketing.” No entanto, Anna acredita que o boca a boca tem seu valor. Ousada, ela tem planos ambiciosos: transformar a Garzon em referência nacional e conquistar o mercado internacional, particularmente os europeus e asiáticos.
