Entre os dias 13 e 16 de abril, o prédio do século 19 que abriga o Iepha virou palco da moda mineira. O Minas Showroom, que aproveita a semana de realização do Minas Trend (evento que acontece entre os dias 14 e 16/4), reuniu 25 marcas, que apresentaram aos lojistas suas coleções de primavera/verão de 2027. Onze delas (todas mineiras, com exceção de uma paulista) estiveram na sede do Iepha, enquanto outras 14 grifes fizeram o mesmo mas em seus respectivos showrooms.
Logo ao entrar no prédio na Praça da Liberdade, nos deparamos com a exposição Minas Feita à Mão, que englobou 27 looks desenvolvidos para o desfile de mesmo nome, que aconteceu em outubro de 2025 no Palácio das Artes, realizado pela A.Criem.
Por dentro das coleções
O segundo e o terceiro piso do prédio foram ocupados pelos showrooms de marcas de peso. Seja no couro, linho, organza, renda, ou jacquard, o trabalho manual se mostrou a grande estrela das coleções dessas marcas belo-horizontinas. É quase como se cada grife olhasse para tecidos e estilos que já são clássicos, e que o manual fosse a grande interseção entre todas as empresas.
Chamou atenção o trabalho da marca “irmã” da tradicional M. Rodarte, a Marrô. Conforme explica a estilista de ambas as grifes, Larissa Villanova, a coleção é inspirada no trabalho de Burle Marx.
O jacquard, muito usado, aparece em diversas mesclas de cores, e parece, de fato, um jardim visto de cima. Por vezes, inclusive, conta com aplicações de bordados pontuais que reforçam essa perspectiva.
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Muitas peças com estruturas de barbatanas e espuma evocam um toque moderno, mas que parecem sempre dialogar com a natureza, com as plantas e, consequentemente, com o trabalho do artista e paisagista brasileiro.
Para todos os estilos
Com tons quentes, a marca de moda festa Kalandra lançou uma coleção inspirada na Riviera francesa. Um destaque são as capas, que aparecem tanto em tecidos mais esvoaçantes quanto os mais estruturados com detalhes do corte à laser que já é tradicional da marca.
Com looks que também se inspiram no Sul da França, V.Condotti é outro destaque. A marca investiu em uma linha diversa, que atende, literalmente, avó, mãe e filha.
Franjas, aplicações de tecidos recortados a laser, flores, volumes que se parecem leques e até ondas. São muitos os detalhes que aparecem na coleção, que conta ainda com looks mais românticos em organza e chegam à estética navy – muito elegante, aliás – com detalhes em corda e uso de tons de marinho e branco.
Victor Dzenk, por sua vez, usou e abusou da renda, que traz uma pegada sexy para sua coleção que propõe uma volta pela Itália. Modelos modernos com trabalhos de miçangas e crochê também são pontos de destaque da linha.
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Uma estampa degradê exclusiva que une o verde, o roxo e o branco aparece em diversos looks, em tecido acetinado e em tule. Esses looks se destacam em meio a peças casuais e de moda festa – que aqui aposta em pouco bordado e mais trabalho de movimento nos tecidos.
A Bella Pelle não abre mão do trabalho em couro, pela qual é mais conhecida, nem mesmo no verão, comprovando que o material pode ser usado na estação mais quente do ano, com elegância e frescor. O material aparece com recortes, texturas e estampas, mas também liso. Uma blusa em couro preto, por exemplo, recebe o detalhe de uma barra de acabamento em curvas que traz um charme e modernidade sem perder a sofisticação e sobriedade.
Uma modelagem mais fluida que traz elegância descomplicada fica por conta das peças em malha da marca, que também aparecem em tons neutros ou com estampas.
consultor de marketing, Fábio Monnerat
Palestra
A noite de abertura do Minas Showroom foi palco de uma palestra conduzida pelo professor, consultor de marketing, influenciador e colunista Fábio Monnerat. Em sua fala, tratou do consumidor atual, de valores em voga em 2026 e de diferenciais que marcas podem, portanto, investir para atrair essa clientela.
A confusão e a incerteza foram tratadas como palavras mais atuais que nunca. Com um verdadeiro “bombardeamento” de informações digitais, o consumidor se vê cada vez mais incerto de suas decisões de compra, mesmo depois de ter visitado em média seis pontos de venda antes de tomá-las, conforme explica o especialista. Tudo isso, corrobora para o distanciamento da moda num lugar do sonho, outro ponto forte da fala de Monnerat.
Fábio sugeriu a todos os lojistas e proprietários de marcas que tentem ao máximo viabilizar um “momento awe” em seus clientes. Esse seria o encantamento que pode vir de algo grande ou de um simples gesto fora do comum, como o exemplo que ele mesmo deu de um hotel oferecer gratuitamente amenities no quarto.
“É como se as pessoas tivessem se acostumado com determinado comportamento e, de repente, alguém ‘quebra’ isso. Se a gente for olhar para as lojas, vamos falar que de modo geral elas são todas iguais. Dentro de um shopping, por exemplo, esteticamente as lojas são parecidas, o atendimento é parecido. Então as pessoas acabam indo para o lugar do ‘tanto faz’, depois para o lugar do preço e, enfim, para a comodidade. Daí acabam comprando na Shein ou na Temu. Precisamos recuperar esse ‘momento awe'”, completa o especialista, destacando o poder de diferenciação e de encantamento da moda autoral, que não deve, nunca, “bater de frente” com grandes marcas de fast-fashion.
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*Estagiária sob supervisão da editora Isabela Teixeira da Costa
