Estrela da temporada: broche ressurge e assume protagonismo
Tendência vem forte porque traz algo que o luxo precisa hoje: individualidade, cada mulher usa do seu jeito
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Impossível imaginar a rainha Elizabeth II sem o tradicional chapéu e seus broches, joias poderosas que remetem às histórias da monarquia inglesa. A coleção preciosa incluía peças ancestrais herdadas da avó e da mãe, presentes do pai e marido ou oferecidos por chefes de Estado, e adicionava um toque de personalidade e estilo às roupas que usava.
Na verdade, o broche tem origem muito antiga, remonta à Idade Média como símbolo de status e poder usado por nobres e por clérigos. No século 18, se popularizou na Europa, particularmente na França, como acessório relevante. Essa é a explicação para que esteja sempre ligado à elegância e distinção.
Em um movimento típico da moda, que é correr atrás do seu próprio acervo para renovar ideias, o broche vem se revelando, devagarzinho, há algumas temporadas, assumindo, agora, o protagonismo nos últimos desfiles internacionais de alta-costura e prêt-à-porter, em que foi elevado à potência máxima. Ou seja, item obrigatório para quem quer estar em dia com as tendências apresentadas nas passarelas.
Porém, muito antes disso, Alessandra Salvador Muzzi já estava investindo no acessório, fazendo dele o carro-chefe da sua marca, a Mi Florcita – ou Minha Florzinha em português. O negócio foi criado em 2018 e, desde então, se tornou referência em Belo Horizonte. Suas criações começaram a ser mostradas em bazares, galerias e ateliers de arte, feiras conceituadas ou em parceria com boas lojas que trabalham com moda.
“Minha filha era aluna do Santo Agostinho e ia para a Espanha pelo colégio. Comecei a fazer algumas bolsas de lona com apliques bordados e uma coleção de broches montada por mim, manualmente, pedrinha por pedrinha. A ideia foi muito boa, vendemos para algumas lojas e conseguimos pagar a parte terrestre da viagem”, conta. O sucesso do projeto motivou a empresária a seguir em frente.
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Anteriormente à Mi Florcita, Alessandra já tinha ligação com acessórios. De 2013 a 2021, manteve um brechó de luxo, o Maria passa para a frente, centrado em artigos de luxo, como bolsas e óculos, entre outros complementos. Com a pandemia, ela encerrou esse ciclo para se dedicar aos broches. Formada em administração de empresas com pós-graduação em finanças, trabalhou no setor de private banks durante nove anos, até o nascimento dos filhos. “Venho da área comercial, o que é fator importante para desenvolver negócios”, enfatiza.
Alessandra foi Glamour Girl – promoção do colunista social Eduardo Couri para o jornal Estado de Minas – em 1989. Alta, elegante, sempre foi adepta de um estilo clássico. Daí o apreço pelos broches, que, na verdade, fazem parte do repertório de mulheres apreciadoras do minimalismo. Esse também foi um dos motivos para se dedicar a essas peças, que remetem à herança vintage. “Eu me lembro que, na minha formatura, meu marido me presenteou com um broche e uma gargantilha da Wanda Guatimosim. São joias eternas”, pontua.
Dessa forma, ela é a melhor garota propaganda da sua marca. “Uso broche todos os dias. Uso na roupa, no pescoço, como colar, na pashmina, nos sapatos, nas bolsas. Essa versatilidade que ele tem me encanta. As clientes veem o que estou usando e querem usar também”.
Com o passar do tempo, Alessandra foi atrás de fornecedores da área, passando da criação para a curadoria. “Cada época tem seu apelo, seus temas preferidos, sejam borboletas, flores, insetos, laços. Observo esse movimento. No meu caso, vou de produtos mais acessíveis a semijoias em zircônia cravejada com paetês, por exemplo, peças mais caras, mas com valor agregado”.
O que ela tem percebido é que se antes a clientela se concentrava em um público 40+, hoje atinge pessoas mais jovens. Não há limite de idade e, com a ascensão do acessório, certamente, ele ganhará cada vez mais espaço.
Simbolismo
“Estou achando chiquérrima e muito simbólica essa volta dos broches”, diz Georgiana Mascarenhas, dona da Bárbara Bela, marca mineira voltada para o mercado de luxo. “Eles representam exatamente o movimento que estamos vivendo na moda. Menos minimalismo e mais expressão, memória e personalidade”, ressalta.
Ela remonta aos desfiles internacionais, de maneira generalizada, e à alta-costura, em que a peça deixou de ser detalhe e virou protagonista de styling, aparecendo em golas, ombros, cinturas. “Tem um lado de resgate afetivo conectado com herança, com o vintage e apresenta um toque de teatralidade couture, quase como uma joia aplicada na roupa”, reflete.
A empresária observa que a tendência vem forte porque traz algo que o luxo precisa hoje: individualidade, cada mulher usa do seu jeito. “No shooting da Bárbara Bela, fizemos produções com um broche vintage Chanel para nossas clientes se inspirarem”.
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É bom lembrar: não só as mulheres que se renderam aos broches. Como foi comprovado na temporada de premiações do cinema, os homens o adotaram como adorno e como transmissor de mensagens políticas.