Tempo de lembranças pela trágica perda, de valorização do papel político de um grande brasileiro e de reconhecimento, por todas as gerações, do trabalho do homem público que enxergou longe e pensou o futuro do país. Fim de semana para reverenciar a memória do mineiro Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976), o eterno JK, que entrou para História com H maiúsculo – e jamais saiu dela! –, cumpriu sua trajetória com dignidade e morreu, há exatos 50 anos, num acidente de carro na Via Dutra, em Resende (RJ)
“Acidente” foi a palavra oficial usada até três meses atrás, quando o relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), aprovado em 29 de maio, concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek, natural de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, teve “morte não natural e violenta” causada pela ditadura militar, regime em vigor no Brasil de 1964 a 1985.
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No fatídico 22 de agosto de 1976, ele viajava de São Paulo (SP) para o Rio de Janeiro (RJ), num Chevrolet Opala na companhia do motorista e amigo, o mineiro de Santa Luzia, na Grande BH, Geraldo Ribeiro, que também perdeu a vida.
O ano de 2026 marca também sete décadas da posse de JK como mandatário do Brasil – foi presidente da República de 1956 a 1961, após governar Minas (de 1951 a 1955) e ser prefeito de Belo Horizonte (de 1940 a 1945). Para homenageá-lo, há ampla programação na capital e na terra natal. Hoje (22/8), das 10h às 12h, haverá sessão solene na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG).
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No domingo (23), às 10h, tem missa em sufrágio das almas de JK e Geraldo Ribeiro, no Santuário Arquidiocesano São Francisco de Assis (Igrejinha da Pampulha), em BH. Na programação deste mês e do próximo, se encontram exposições, recital de violão e a tradicional Semana JK, em Diamantina (de 8 a 13 de setembro), desta vez com o tema “Seu legado vive em cada conquista e inspira gerações”.
Ontem, na sede do IHGMG, como parte do simpósio “JK: 50 anos de ausência”, foi relançado o livro “JK: O médico”, de Fernando Araújo (1928-2012), ex-presidente da Academia Mineira de Medicina.
JK durante desfile em carro aberto: por onde passava, o político mineiro atraía simpatizantes que apoiavam a sua maneira de governar
O OLHAR DE UM AMIGO
Meio século após a morte, qual o legado de JK nascido em 12 de setembro de 1902? Único amigo ainda vivo do ex-presidente, Serafim Jardim, que completou 91 anos no dia 11, dirige com devoção a Casa de Juscelino, misto de memorial e museu no Centro Histórico de Diamantina. “Juscelino deve ser lembrando e reconhecido por todas as gerações, principalmente pelos jovens, como sinônimo de democracia. Não tinha inimigos, mas, sim, adversários”. Um exemplo disso é que ele, político do antigo PSD (Partido Social Democrático, em vigor de 1945 a 1965) era amigo de Juracy Magalhães (1905-2001), presidente da UDN (União Democrática Nacional, com mesmo período de vigência do opositor PSD), e de Antônio Carlos Magalhães (1927-2007), o baiano ACM, udenista no início da carreira política, observa Jardim.
Com entusiasmo e lucidez, Jardim destaca a importância do legado de JK nos tempos atuais dominados pela polarização. “O espírito democrático deve estar presente no período eleitoral. Na Casa de Juscelino, mantemos viva a memória do líder, que sofreu muito durante o exílio iniciado em 8 de junho de 1964, após ser cassado quando era senador”, conta Serafim Jardim, que teve o primeiro contato com Juscelino em 1967, no retorno do exílio na Europa. “Ele era amigo do meu pai, José Jardim. Fomos amigos por quase uma década. Como era o período da ditadura militar, ele não podia aparecer, ficava escondido. Era um homem que amava o Brasil, por isso merece homenagens e reconhecimento”.
Juscelino um homem á frente do seu tempo
12/09/1902
NASCIMENTO
Diamantina (MG)
Nasce Juscelino Kubitschek de Oliveira, filho de João César de Oliveira e Júlia Kubitschek. Órfão de pai ainda criança, cresce em uma família de poucos recursos e encontra nos estudos o caminho para mudar o próprio destino.
1927
O MÉDICO
Forma-se em Medicina pela Universidade de Minas Gerais. Especializa-se em urologia e passa uma temporada de aperfeiçoamento na Europa.
1934
ENTRA NA POLÍTICA
É eleito deputado federal por Minas Gerais. Começa uma trajetória pública que o levaria da política mineira ao Palácio do Planalto.
1940
BELO HORIZONTE
Nomeado prefeito da capital mineira. Sua administração ganha projeção com grandes intervenções urbanas. A Pampulha, concebida com a participação de Oscar Niemeyer, torna-se símbolo de uma nova arquitetura brasileira.
1951
GOVERNADOR DE MINAS
Assume o governo estadual defendendo o binômio “Energia e Transporte”. Investe em estradas e geração de energia para sustentar a industrialização de Minas.
1955
PRESIDENTE
Juscelino vence a eleição presidencial com uma promessa que se transformaria na síntese de seu governo: “50 ANOS EM 5”
1956
O BRASIL ACELERA
Assume a Presidência e lança o Plano de Metas. Energia, transportes, indústria, alimentação e educação passam a integrar uma estratégia de modernização nacional.
1956/1960
BRASÍLIA SAI DO PAPEL
No Planalto Central, uma cidade começa a surgir onde antes predominava o cerrado. A construção mobiliza milhares de trabalhadores e transforma Brasília no maior símbolo político do projeto desenvolvimentista de JK.
21/04/1960
NASCE UMA CAPITAL
Brasília é inaugurada. A transferência da capital para o interior redesenha o eixo político e territorial do país e se torna a obra mais associada ao nome de Juscelino.
1961
O FIM DO GOVERNO
JK entrega a Presidência após cinco anos marcados pela expansão industrial, abertura de rodovias, crescimento da indústria automobilística e grandes investimentos em infraestrutura.
1964
CASSAÇÃO
Após o golpe militar, tem os direitos políticos cassados por dez anos. Parte para o exílio e vive períodos na Europa e nos Estados Unidos.
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22/08/1976
MORTE
Via Dutra, próximo a Resende (RJ)
Juscelino Kubitschek morre aos 73 anos em um acidente automobilístico quando viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro.
