Umami: o quinto sabor da culinária japonesa
Umami é um termo de origem japonesa que descreve um sabor específico, diferente do doce, salgado, azedo e amargo. Entenda o quinto sabor da culinária do Japão.
compartilhe
SIGA
Umami é um termo de origem japonesa que descreve um sabor específico, diferente do doce, salgado, azedo e amargo. Na culinária, esse conceito associa-se à sensação de “sabroso” ou “sabor profundo” que certos alimentos proporcionam, como caldos, queijos curados e tomates bem maduros. Na gastronomia japonesa, o umami aparece como um elemento essencial para dar corpo e equilíbrio aos pratos.
O entendimento do umami como quinto sabor consolidou-se ao longo do século XX, a partir de estudos que identificaram substâncias responsáveis por essa percepção, principalmente o glutamato. A partir daí, cozinheiros e pesquisadores passaram a observar que muitos preparos tradicionais do Japão, como o dashi, já exploravam esse sabor há séculos, mesmo antes de receberem esse nome ou de existirem explicações científicas.
O que significa umami na prática?
Na prática, umami relaciona-se à sensação de plenitude na boca, como se o alimento preenchesse o paladar e deixasse um gosto persistente, mas suave. Assim, não é um sabor intenso como o doce de um refrigerante ou o salgado de um snack, e sim algo mais discreto, que realça outros sabores. Ele costuma ser percebido com mais clareza em preparações quentes, bem temperadas e ricas em proteínas ou fermentação.
Os principais compostos ligados ao umami são o glutamato, o inosinato e o guani-lato, naturais em muitos alimentos. Por isso, quando esses elementos se combinam, o efeito é potencializado. Alimentos como cogumelos secos, algas marinhas, molhos fermentados e carnes cozidas lentamente são exemplos de fontes de umami bastante comuns na culinária japonesa e em outras cozinhas pelo mundo.
Por que o umami é o quinto sabor na culinária japonesa?
O umami é o quinto sabor básico porque atende a critérios científicos semelhantes aos dos demais sabores. Pesquisas identificaram receptores específicos nas papilas gustativas, capazes de reconhecer essas substâncias ligadas ao umami, assim como existem receptores próprios para o doce ou o amargo. Esse reconhecimento fisiológico ajudou a consolidar o umami como uma categoria de sabor independente.
Na culinária japonesa, o destaque ao umami vem da forte presença do dashi, caldo feito tradicionalmente com alga kombu e flocos de peixe bonito seco (katsuobushi). Essa combinação reúne glutamato e inosinato, produzindo um sabor marcante, base de muitas sopas, molhos e ensopados. Em vez de mascarar o gosto dos ingredientes, o umami funciona como um intensificador natural, reforçando o caráter do peixe, dos legumes ou do arroz.
Ao longo dos anos, Chefs japoneses e de outras nacionalidades passaram a trabalhar de forma mais consciente com fontes de umami, como:
- Alga kombu, nori e outras algas marinhas;
- Molho de soja, missô e outros produtos fermentados;
- Cogumelos (shiitake, shimeji, porcini, entre outros);
- Queijos curados, como parmesão;
- Tomates, especialmente os bem maduros ou concentrados em molho;
- Carnes, peixes e caldos preparados em cozimento lento.
Quais são os outros quatro sabores básicos?
Além do umami, a ciência do paladar reconhece quatro sabores fundamentais, presentes em diferentes alimentos e combinações. Cada um deles desempenha um papel específico no equilíbrio das receitas, inclusive na culinária japonesa. Esses sabores são: doce, salgado, azedo e amargo.
De forma resumida, eles podem ser entendidos assim:
- Doce: associado a açúcares e carboidratos; aparece em frutas, sobremesas, alguns legumes e molhos adocicados.
- Salgado: ligado principalmente ao cloreto de sódio; está em sal de cozinha, shoyu, conservas e diversos produtos processados.
- Azedo (ácido): relacionado a ácidos naturais; comum em frutas cítricas, vinagres e alguns legumes em conserva.
- Amargo: encontrado em certos vegetais, café, cacau e ervas; costuma ser usado em pequenas doses para dar contraste.
Na gastronomia japonesa contemporânea, a combinação desses quatro sabores com o umami permite construir pratos equilibrados. Preparos que associam, por exemplo, o salgado do shoyu, o doce de um mirin, o ácido de um toque de vinagre de arroz, o amargo de vegetais específicos e o umami do dashi produzem camadas de sabor mais complexas, sem depender de excesso de temperos artificiais.
Como o entendimento do umami influencia o modo de cozinhar?
Ao compreender o significado de umami e seu papel como quinto sabor, cozinheiros passam a planejar os pratos de forma mais estratégica, pensando menos apenas em tempero e mais em construção de sabor. Esse olhar é visível tanto em receitas tradicionais japonesas quanto em fusões com outras cozinhas, que aproveitam ingredientes locais ricos em umami, como queijos, frutos do mar ou produtos fermentados.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Dentro desse contexto, a busca pelo equilíbrio entre doce, salgado, azedo, amargo e umami se torna uma espécie de guia. Em vez de aumentar apenas o sal ou o açúcar, muitos profissionais ajustam fontes de umami para intensificar o gosto geral do prato. Essa abordagem ajuda a valorizar melhor os ingredientes e a manter a identidade de cada culinária, ao mesmo tempo em que explora de forma mais consciente os cinco sabores básicos reconhecidos atualmente.