Escavações sob o mercado de Leicester, na Inglaterra, revelaram vestígios de quase 2 mil anos de ocupação. Surgiram o sepultamento de um bebê da época romana, fornos de cerâmica e restos de uma antiga prisão. As descobertas vieram durante uma reforma e mostram várias fases da cidade no mesmo terreno.
Como as escavações começaram sob o mercado?
Em julho de 2025, equipes ligadas à Universidade de Leicester acompanharam obras para renovar a praça do mercado. Valas abertas expuseram áreas antes cobertas por construções. Cada camada trouxe pistas de diferentes épocas. A equipe registrou a posição original dos vestígios antes de continuar as obras.
A Universidade de Leicester anunciou os primeiros resultados em setembro de 2025. Entre os vestígios, estavam dois edifícios romanos preservados em partes. Um deles usava madeira; outro, mais recente, tinha construção de pedra.

O enterro infantil apareceu sob uma casa romana
Debaixo do piso de uma construção de madeira, os arqueólogos acharam a sepultura de um bebê do período romano. A equipe a situou aproximadamente 1.900 anos atrás. O achado informa sobre práticas funerárias, mas não revela a causa da morte.
Com o tempo, a lembrança da sepultura desapareceu e outra construção foi erguida sobre o local. Essa mudança mostra como o espaço urbano foi ocupado e reconstruído. Os pesquisadores também encontraram peças de mosaico, moedas e adornos associados a etapas posteriores.
O que os fornos dizem sobre a vida na cidade?
Os fornos de cerâmica romanos identificados perto dos edifícios sugerem a produção de objetos no ambiente urbano. A presença deles aproxima trabalho artesanal e moradia. Por serem pouco frequentes nas escavações locais, ajudam a completar a imagem da economia cotidiana.
- Moradia: fundações de casas romanas de madeira e pedra.
- Produção: fornos associados à fabricação de cerâmica.
- Sepultamento: enterro infantil preservado sob um piso antigo.
- Comércio: pisos, estruturas e objetos ligados ao mercado medieval.
- Justiça: restos de uma dependência subterrânea usada como prisão.
A cidade romana era conhecida como Ratae Corieltauvorum. A relação entre moradias, oficinas e comércio ajuda a compreender sua organização urbana. O mercado atual ocupa uma área onde os usos mudaram muitas vezes, sem desaparecerem completamente os vestígios anteriores.
Uma prisão fazia parte de um prédio público medieval
As escavações também mostraram restos de uma câmara subterrânea ligada ao Gainsborough Chamber, prédio usado para funções públicas. O edifício aparece em registros do século XVI e teve usos ligados à justiça e ao governo municipal. A prisão ficava sob essa construção.
O prédio permaneceu importante até ser demolido por volta de 1748. Sua presença mostra que a praça não serviu apenas para comprar e vender. Também foi um lugar de decisões públicas e de atividades administrativas, além de concentrar o comércio local.

As obras revelaram um mercado de várias épocas
A Prefeitura de Leicester informou em março de 2026 que as escavações principais haviam terminado. Também foram registrados vestígios do mercado coberto do século XV, poços, pisos, objetos e cerca de 30 moedas romanas reunidas em um depósito.
As moedas parecem pertencer ao século IV, mas sua interpretação depende de estudo. As peças estavam reunidas em um único depósito. Elas podem ter sido guardadas por segurança ou depositadas por outro motivo. Não há base para dizer que o conjunto representa, com certeza, um tesouro escondido.
O que acontece com os achados depois de fechar as valas?
Mesmo com a etapa principal concluída, a equipe ainda precisa limpar e estudar os objetos, comparar datas e organizar registros. Arqueólogos podem acompanhar novas intervenções na praça para evitar que outros vestígios importantes passem despercebidos.
O valor do achado está na sequência de ocupações, não em uma peça isolada. Sob o mercado de Leicester, sepultamentos, casas, oficinas e edifícios públicos revelam como a cidade foi transformando o mesmo espaço por quase dois milênios.
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