Uma laje de 12 toneladas, encontrada em Nínive, no Iraque, preserva partes de um relevo assírio de 5,5 metros. A cena reúne o rei Assurbanípal e os deuses Assur e Ishtar. O achado surpreendeu porque grandes divindades raramente aparecem assim nos relevos já conhecidos pelos especialistas de palácios assírios.
Onde foi encontrado o relevo de Nínive?
Arqueólogos da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, trabalhavam no Palácio Norte de Assurbanípal, em Nínive. A equipe encontrou fragmentos de uma placa que originalmente ocupava uma posição de destaque na sala do trono, diante de sua entrada principal.
A Universidade de Heidelberg informou em maio de 2025 que a peça media cerca de 5,5 metros de comprimento por 3 metros de altura. Seu peso aproximado era de 12 toneladas, embora os pesquisadores tenham recuperado grandes partes, e não uma laje inteira intacta.

O rei aparece acompanhado por deuses poderosos
No centro da composição está Assurbanípal, governante assírio do século VII a.C. Ao seu lado aparecem Assur, divindade central do império, e Ishtar, deusa ligada a Nínive. A posição das figuras aproxima o poder real da proteção divina.
Também foram reconhecidas figuras protetoras, entre elas um ser associado a peixe. Outra personagem com braços erguidos pode representar um homem-escorpião. A equipe considera possível que houvesse ainda um disco solar alado acima da cena, mas essa parte continua sendo uma reconstrução.
Por que essa imagem surpreendeu os pesquisadores?
Os palácios assírios guardavam muitos relevos de reis, caçadas, guerras e seres protetores. A representação de grandes deuses junto ao soberano, porém, é incomum no conjunto conhecido. Isso torna a cena relevante para estudar como a autoridade imperial era apresentada.
- Rei: Assurbanípal ocupa o centro e representa a autoridade política.
- Deuses: Assur e Ishtar associam o governo ao universo religioso.
- Protetores: seres simbólicos acompanham as figuras principais.
- Posição: a entrada da sala do trono dava grande visibilidade à obra.
- Fragmentos: as partes de pedra conservadas ajudam a comparar o desenho original com outras peças da arte assíria.
O Metropolitan Museum of Art conserva outros relevos palacianos assírios, inclusive de um palácio mais antigo em Nimrud. Eles ajudam a compreender a tradição visual da realeza, mas não são a mesma obra encontrada recentemente em Nínive.
A sala do trono concentrava símbolos de autoridade
O Império Neoassírio dominou grandes áreas do Oriente Próximo. Em seus palácios, imagens e inscrições reforçavam a posição do soberano. Uma peça monumental colocada diante da entrada principal provavelmente fazia parte dessa mensagem de poder.
Entretanto, o significado exato da composição ainda está em estudo. O pesquisador Aaron Schmitt relaciona as figuras a uma possível representação maior do mundo divino. A descoberta permite uma nova interpretação do espaço, mas não revela sozinha cada intenção de seus criadores.

Como partes tão grandes ficaram escondidas?
Os fragmentos estavam em um buraco preenchido por terra, atrás do local onde a placa teria sido exibida. A equipe considera provável que esse buraco tenha sido aberto na época helenística, séculos depois do período assírio.
O enterro das pedras pode explicar por que pesquisadores britânicos não as localizaram no século XIX. É uma hipótese sobre a conservação, não um registro direto de quem as escondeu. O contexto arqueológico ajudará a testar outras explicações.
O futuro da obra depende de novos estudos
Com autorização das autoridades iraquianas, os arqueólogos pretendem estudar a posição original dos fragmentos e a possibilidade de recolocar o relevo no palácio. A pesquisa também deve examinar a combinação de figuras que tornou a peça tão incomum entre os achados assírios. A comparação com outras obras será importante.
A laje mostra que o passado de Nínive ainda guarda detalhes importantes. O relevo assírio com deuses amplia o conhecimento sobre a sala do trono e suas imagens, enquanto a interpretação final segue aberta à análise dos especialistas.
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