As fezes dos pinguins na Antártida liberam amônia, gás que participa de reações formadoras de partículas no ar. Um estudo de 2025 observou a ligação entre colônias, compostos de enxofre do oceano e gotículas de nuvens, mas não concluiu que essa emissão impeça o aquecimento do continente gelado, hoje ameaçado.
Como o guano dos pinguins chega à atmosfera?
Na Antártida, colônias de pinguins deixam no solo grandes quantidades de guano, nome dado ao acúmulo de excrementos das aves. A decomposição desse material libera amônia, que pode ser transportada pelo vento e alcançar locais afastados dos animais.
O estudo publicado em 2025 na Communications Earth & Environment realizou medições perto da estação Marambio, na Península Antártica. Quando o vento vinha das colônias, os instrumentos registravam concentrações de amônia muito maiores do que sob ventos provenientes de outras direções.

A amônia se combina com substâncias produzidas no oceano
A amônia não cria nuvens sozinha nem substitui condições favoráveis. Na atmosfera, ela participa de reações com compostos de enxofre ligados à atividade de microrganismos marinhos. Essas combinações favorecem o surgimento de aerossóis, partículas minúsculas que permanecem suspensas no ar e podem crescer antes de servir de suporte à condensação.
Os pesquisadores identificaram ainda sinais de dimetilamina, composto possivelmente associado ao guano, que acelera certas etapas da formação de partículas. Isso mostra uma conexão entre alimentação das aves, resíduos deixados nas colônias e processos químicos acima da costa antártica.
Por que partículas tão pequenas fazem diferença?
Para uma gotícula de nuvem crescer, o vapor de água geralmente precisa encontrar uma superfície microscópica sobre a qual se condensar. Algumas partículas formadas pelas reações atmosféricas funcionam como núcleos de condensação, facilitando o aparecimento de neblina e nuvens.
Na prática, os pontos principais são:
- Guano: fornece compostos nitrogenados ao solo ao redor das colônias de aves.
- Amônia: alcança o ar após a decomposição do material depositado no terreno.
- Enxofre: participa de reações atmosféricas com origem em processos biológicos marinhos.
- Partículas: podem oferecer superfícies para gotículas quando encontram umidade favorável.
O mecanismo envolve mais de um elemento e não depende apenas da presença dos pinguins. A combinação entre vento, gases, umidade e partículas modifica o resultado observado. Por isso, é necessário separar a produção química inicial da formação posterior de nuvens visíveis.
O resultado não garante resfriamento do continente
Algumas nuvens refletem radiação solar, mas outras condições podem alterar seu efeito sobre a temperatura. O estudo demonstrou um processo de formação de partículas e sua ligação com gotículas, não uma proteção climática automática produzida pelas aves.
Ao investigar os aerossóis na atmosfera, cientistas tentam entender melhor como pequenas emissões naturais interferem na cobertura de nuvens. Os dados coletados em campo ajudam a testar mecanismos, embora não permitam extrapolar o mesmo resultado para toda a Antártida.

O que os pesquisadores mediram na região?
A equipe acompanhou amônia, composição química e quantidade de partículas, além das condições do vento. O aumento da concentração de gás associado às colônias forneceu uma pista sobre a origem das emissões e o momento em que novas partículas surgiam. A direção do vento ajudou a separar fontes prováveis.
As observações ocorreram em uma área da Península Antártica, com vento variável. Como em outras pesquisas de campo, a interpretação depende do lugar, do período e dos instrumentos utilizados. A análise oferece um mecanismo plausível, mas não uma previsão completa do comportamento das nuvens antárticas.
As colônias integram processos maiores do clima
A ligação entre resíduos de animais e química atmosférica reforça que a vida marinha influencia o ambiente muito além da água. Microrganismos do oceano e aves costeiras fornecem substâncias diferentes que acabam participando das mesmas reações no ar.
Entender essas relações é útil porque alterações nas populações de pinguins, no gelo marinho e na atividade biológica podem modificar as emissões locais. O estudo amplia o conhecimento sobre a formação de partículas, sem transformar os animais em solução para a mudança climática.
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