Tigelas e potes de 8 mil anos encontrados em Çatalhöyük, na Turquia, preservaram proteínas alimentares. Um estudo de 2018 identificou resíduos de leite, soro e coalhada que ajudam a investigar a produção antiga de queijo. Os mesmos vasos também guardavam pistas de cereais e carnes consumidos pelos antigos moradores.
Onde foram encontrados os recipientes com proteínas antigas?
Os recipientes vieram de Çatalhöyük, antigo assentamento localizado na atual Turquia. A equipe estudou fragmentos de tigelas e potes do setor oeste do sítio, usados por volta de 5900 a 5800 antes de Cristo, quando a comunidade já cultivava alimentos e criava animais.
O estudo publicado na Nature Communications examinou crostas antigas grudadas no interior da cerâmica. Elas pareciam simples depósitos, mas conservavam proteínas alimentares capazes de revelar produtos que haviam sido colocados nos recipientes muito antes dos métodos de análise atuais.

Como o soro e a coalhada apareceram nos exames?
Os pesquisadores retiraram pequenas amostras dos resíduos e procuraram fragmentos de proteínas. Essas moléculas podem resistir em depósitos minerais preservados dentro dos potes. Com equipamentos de laboratório, foi possível comparar seus sinais com os de alimentos e animais conhecidos.
A equipe identificou proteínas associadas ao leite, incluindo sinais de soro e coalhada em recipientes diferentes. Essa separação é relevante porque o processamento do leite pode produzir partes sólidas e líquidas, oferecendo pistas sobre métodos antigos de preparo de alimentos lácteos.
O que esses resultados dizem sobre o queijo pré-histórico?
A pesquisa sustenta a interpretação de que havia processamento de laticínios em Çatalhöyük, possivelmente envolvendo etapas semelhantes às usadas para produzir queijo. A presença de soro e coalhada é importante, mas não revela o formato, o sabor ou a consistência de um queijo pronto.
O exame das proteínas ajuda a reconstruir técnicas de cozinha que não aparecem em receitas escritas. Mesmo assim, os vestígios não permitem afirmar que todos os potes guardaram queijo nem que existia um método único. A conclusão depende da combinação de diferentes sinais químicos.
A seguir listamos três evidências do processamento do leite que ajudam a entender melhor as evidências:
- Proteínas lácteas: Resíduos preservados mostram a presença de alimentos feitos com leite.
- Soro: Componentes líquidos do leite apareceram em parte dos recipientes.
- Coalhada: Proteínas ligadas à parte sólida ajudam a estudar técnicas de preparo.

Que outros alimentos deixaram vestígios nos potes?
Os recipientes também guardavam proteínas relacionadas a trigo e cevada, duas plantas cultivadas, além de ervilhas e outras leguminosas. Alguns fragmentos apontavam para carnes e produtos animais. Isso mostra uma alimentação mais variada do que aquela sugerida somente pelos vestígios de gordura.
Alguns vasos concentravam sinais de alimentos específicos, enquanto outros continham misturas. Isso pode indicar usos diferentes ou várias preparações ao longo do tempo. As marcas invisíveis no interior das peças ajudam a reconstruir hábitos sem depender de encontrar alimentos inteiros conservados.
A seguir listamos quatro grupos de alimentos identificados que resumem as diferenças importantes:
| Grupo | Vestígio encontrado | O que indica |
|---|---|---|
| Leite | Proteínas lácteas | Uso de produtos animais |
| Soro e coalhada | Proteínas distintas | Possível preparo de queijo |
| Cereais | Trigo e cevada | Alimentos vegetais |
| Leguminosas | Ervilhas e similares | Cardápio diversificado |
Por que conservar resíduos de cerâmica virou tão importante?
Antes de análises como essa, parte das crostas de vasos podia ser retirada durante a limpeza das peças. O trabalho mostra que esses resíduos são fontes de informação, porque guardam proteínas que permitem reconhecer ingredientes mesmo depois de milhares de anos.
Em Çatalhöyük, os pequenos depósitos revelaram leite, cereais, leguminosas e sinais de processamento que podem estar ligados ao queijo. Preservar essas crostas significa guardar pistas sobre uma cozinha pré-histórica, ainda que muitos detalhes do preparo e do consumo permaneçam desconhecidos.
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