A lula-colossal, considerada o invertebrado mais pesado do planeta, apareceu viva em seu habitat natural em filmagem inédita realizada em 9 de março de 2025. O registro foi feito a 600 metros de profundidade, perto das Ilhas Sandwich do Sul, mas mostrou um filhote de cerca de 30 centímetros, não um gigante adulto.
Por que a lula-colossal demorou tanto para ser filmada viva?
A espécie habita águas profundas e frias do Oceano Austral, onde a observação direta é difícil. Durante décadas, grande parte das informações sobre esses animais veio de exemplares capturados acidentalmente ou encontrados em conteúdos estomacais de predadores. Registrar seu comportamento natural exigia alcançar regiões pouco acessíveis aos pesquisadores.
A lula-colossal, conhecida cientificamente como Mesonychoteuthis hamiltoni, possui corpo robusto, oito braços e dois tentáculos especializados. Diferentemente da lula-gigante, destaca-se principalmente pela massa corporal. A ausência de filmagens confirmadas em seu ambiente impedia compreender melhor sua movimentação e suas características durante a vida.

Como os pesquisadores encontraram o animal a 600 metros de profundidade?
Em 9 de março de 2025, um veículo submarino operado remotamente registrou o pequeno animal durante uma expedição científica no Atlântico Sul. O Schmidt Ocean Institute confirmou que a filmagem foi realizada a 600 metros de profundidade, usando câmeras instaladas no equipamento.
O exemplar possuía aproximadamente 30 centímetros de comprimento e apresentava corpo parcialmente transparente. As imagens permitiram observar características importantes para sua identificação, incluindo estruturas presentes nos braços. A confirmação científica diferenciou o animal de outras espécies semelhantes, tornando o registro especialmente relevante para o estudo da vida marinha profunda.
Quais características apareceram nas imagens da lula-colossal?
O registro chamou atenção porque mostrou um indivíduo juvenil, muito diferente dos grandes exemplares encontrados anteriormente. Seu corpo translúcido permitia perceber estruturas internas, enquanto os braços se movimentavam livremente na água. Essas imagens oferecem uma oportunidade de estudar a aparência da espécie durante uma fase inicial de desenvolvimento.
Os detalhes observados também ajudam a compreender como uma lula tão pequena pode pertencer à espécie dos invertebrados mais pesados conhecidos. Entre as características registradas e identificadas pelos pesquisadores estavam:
- Corpo transparente: aparência típica de indivíduos juvenis de algumas lulas de águas profundas.
- Comprimento de 30 centímetros: tamanho muito inferior ao dos grandes exemplares adultos.
- Oito braços: estruturas utilizadas na movimentação e captura de alimento.
- Ganchos característicos: elementos importantes para confirmar a identificação da espécie.
- Movimento natural: comportamento observado diretamente na coluna de água, sem o animal estar capturado.

Como um animal de 30 centímetros pode pertencer à espécie mais pesada?
O exemplar registrado ainda estava nos primeiros estágios de desenvolvimento. Com o crescimento, a lula-colossal pode atingir dimensões muito superiores às vistas na filmagem. O Museu Te Papa conserva um exemplar de 495 quilos, demonstrando o tamanho alcançado pela espécie.
Essa diferença também explica por que a filmagem não apresenta o animal gigantesco imaginado por muitas pessoas. A espécie é considerada a mais pesada entre os invertebrados conhecidos, embora indivíduos adultos sejam extremamente difíceis de observar. O registro juvenil fornece informações sobre seu desenvolvimento, não uma medida do tamanho máximo possível.
O que a primeira filmagem pode revelar sobre a vida no oceano profundo?
A observação representa uma oportunidade de investigar uma espécie cuja biologia ainda possui muitas lacunas. Saber como o animal se movimenta e quais características apresenta durante a juventude pode orientar novas expedições. A exploração submarina permite registrar seres vivos sem necessariamente removê-los de seu ambiente.
O encontro também demonstra como tecnologias de filmagem em grandes profundidades ampliam o conhecimento sobre espécies raramente vistas. Depois de aproximadamente 100 anos desde a descrição científica da lula-colossal, pesquisadores conseguiram observá-la viva em seu habitat. Uma criatura de apenas 30 centímetros abriu novas possibilidades para compreender um dos maiores animais sem coluna vertebral da Terra.
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