Sete flautas de 12 mil anos feitas com ossos de aves revelaram uma paisagem sonora da pré-história. Encontradas em Eynan-Mallaha, elas produziram em testes sons semelhantes aos chamados de aves de rapina. Os pesquisadores consideram usos ligados à caça, comunicação ou música, sem apontar uma função única como certeza.
O que são as flautas de 12 mil anos encontradas em Eynan-Mallaha?
Os objetos pertencem à cultura natufiana e foram encontrados no sítio de Eynan-Mallaha, no Levante. São sete pequenos aerofones de osso, nome dado a instrumentos em que o som nasce do ar colocado em movimento.
Eles foram produzidos com ossos de asas de aves aquáticas e receberam pequenas perfurações. Um dos exemplares chegou inteiro aos pesquisadores. A datação do contexto coloca esses instrumentos há mais de 12 mil anos, num período de comunidades de caçadores-coletores que já construíam assentamentos na região.

Como os pesquisadores descobriram que eles produziam sons de aves?
A equipe analisou fabricação, marcas de uso e acústica, além de criar réplicas experimentais. Quando soprados, os modelos produziram sons agudos semelhantes a chamados de rapinantes. A comparação foi feita com espécies conhecidas na região e com aves identificadas no conjunto arqueológico.
Os sons se aproximaram especialmente do gavião-da-europa e do peneireiro-vulgar. Isso não prova que cada instrumento tivesse uma única finalidade, mas mostra que as perfurações e dimensões permitiam produzir um resultado acústico muito específico e aparentemente planejado.
Para que essas flautas pré-históricas podem ter servido?
A equipe ligada ao CNRS aponta possibilidades que cruzam comunicação, atração de presas e música. O som de rapinantes poderia ter provocado reações em outras aves, criando oportunidades durante a caça, mas essa continua sendo uma interpretação entre várias.
Os pesquisadores também lembram que rapinantes tinham importância para aquelas comunidades, inclusive pelo uso de garras como ornamentos. Assim, som, caça e significado social podem ter se misturado. O achado é valioso justamente porque não obriga a escolher uma função simples para todos os instrumentos.
A seguir listamos quatro usos possíveis que os pesquisadores discutem sem tratar nenhuma hipótese isolada como certeza absoluta:
- Caça: o chamado poderia atrair rapinantes ou alterar o comportamento de outras aves.
- Comunicação: sons padronizados poderiam transmitir sinais entre pessoas em determinadas situações.
- Música: os instrumentos também podem ter participado de práticas sonoras sem função apenas utilitária.
- Simbolismo: a relação com rapinantes pode ter envolvido significados sociais além da alimentação.
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Por que esses instrumentos são tão importantes para a arqueologia?
Instrumentos sonoros pré-históricos são raros no registro arqueológico, principalmente fora da Europa. Ossos pequenos podem quebrar, ser confundidos com restos de fauna ou perder marcas importantes. Identificar sete peças num mesmo sítio amplia o conhecimento sobre produção de som no Levante antigo.
O achado também permite fazer algo incomum: reconstruir parte de uma paisagem sonora. Réplicas baseadas nas peças originais mostram que a arqueologia pode investigar não apenas objetos visíveis, mas experiências auditivas que fizeram parte da vida de pessoas que viveram milhares de anos atrás.
A seguir listamos quatro evidências do estudo que ajudam a entender por que a descoberta oferece uma janela rara para o som pré-histórico:
| Evidência | O que foi analisado | O que mostrou |
|---|---|---|
| Tecnologia | Perfurações e fabricação | Produção intencional |
| Uso | Marcas nas peças | Manipulação dos objetos |
| Réplicas | Modelos experimentais | Capacidade sonora |
| Acústica | Comparação dos sons | Semelhança com rapinantes |
O que ainda não sabemos sobre o som dessas flautas?
Ainda não é possível afirmar qual era a função principal dos instrumentos nem em quais situações eram tocados. O som reconstruído mostra capacidade acústica, mas não preserva intenção. Caça, comunicação, música e simbolismo continuam como possibilidades que precisam ser avaliadas junto ao contexto arqueológico.
Mesmo com essa incerteza, as flautas de 12 mil anos oferecem algo raro: a chance de ouvir uma aproximação de sons produzidos por caçadores-coletores do Levante. O achado amplia a pré-história para além de pedra e osso, incluindo também aquilo que essas pessoas podiam escutar.
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