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Caçadores chegaram a Malta há 8.500 anos depois de atravessar pelo menos 100 quilômetros de mar aberto em embarcações desconhecidas

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
03/09/2026
Em Entretenimento
A distância percorrida indica uma capacidade de navegação maior do que se imaginava para aquela época

A distância percorrida indica uma capacidade de navegação maior do que se imaginava para aquela época

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Caçadores-coletores ocuparam a caverna de Latnija, em Malta, há cerca de 8.500 anos, mil anos antes dos primeiros agricultores.↓ Ver no artigo
Os grupos atravessaram pelo menos 100 quilômetros de mar aberto, provavelmente da Sicília, em embarcações que não foram preservadas.↓ Ver no artigo
Ferramentas, fogueiras e restos cozidos de cervos, aves, peixes, focas, caranguejos, ouriços e moluscos foram encontrados em Latnija.↓ Ver no artigo

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  • Um pescador morreu com pelo menos 790 ferimentos há cerca de 3.000 anos e seu esqueleto preservou o ataque de tubarão mais antigo já documentado há 8 horas
  • Uma impressão completa de mão ficou escondida sob uma peça funerária egípcia durante cerca de 4.000 anos há 1 dia
  • Pontas de flecha de 60 mil anos ainda guardavam resíduos de um veneno vegetal usado para enfraquecer animais há 18 horas
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Resumo da matéria
01
Chegada antes da agricultura
Ferramentas, fogueiras e restos de comida mostram uma ocupação iniciada cerca de mil anos antes da chegada dos primeiros agricultores.
8.500 anos
02
Travessia em mar aberto
A distância próxima de 100 quilômetros desde a Sicília exigiu navegação longa e algumas horas no escuro.
100 quilômetros
03
Comida da terra e mar
Os grupos cozinharam cervos, aves, peixes, focas, caranguejos, ouriços e milhares de moluscos marinhos.
Dieta variada

Em Malta, vestígios de caçadores-coletores com 8.500 anos mudaram a data da primeira ocupação humana conhecida. Eles cruzaram pelo menos 100 quilômetros de mar aberto, provavelmente saindo da Sicília, e chegaram ao arquipélago cerca de mil anos antes dos primeiros agricultores, em plena Pré-História.

O que foi encontrado na caverna de Latnija?

A prova veio da caverna de Latnija, na região de Mellieħa, ao norte de Malta. Camadas escavadas guardavam ferramentas de pedra, pontos de fogueira e restos de alimentos cozidos, sinais diretos de pessoas vivendo no local.

Esses materiais registram ocupações de caçadores-coletores, grupos que obtinham comida sem depender de lavouras ou rebanhos. A presença não foi deduzida de um objeto isolado: diferentes vestígios apareceram juntos e permitiram ligar moradia, preparo de comida e uso de recursos locais.

Nenhuma embarcação usada na travessia chegou até os dias atuais

Como os vestígios mudaram a pré-história de Malta?

Antes da escavação, a ocupação permanente das pequenas ilhas era associada à chegada de agricultores, por volta de 7.500 anos atrás. A nova cronologia empurrou esse começo para aproximadamente 8.500 anos, ampliando em cerca de um milênio a presença humana conhecida no arquipélago.

O estudo publicado na Nature reuniu datação, arqueologia, restos de animais e plantas. O conjunto indica ocupações entre cerca de 8.500 e 7.500 anos atrás, quando a forma das ilhas e o nível do mar já eram próximos dos atuais.

Como seria uma travessia de 100 quilômetros?

A rota mais curta partiria da Sicília, a massa de terra mais próxima. Com uma velocidade estimada em cerca de quatro quilômetros por hora, os viajantes precisariam passar muitas horas remando. Mesmo no dia mais longo do ano, parte do caminho ocorreria após o anoitecer.

Nenhuma embarcação foi preservada, por isso o tipo usado continua desconhecido. Uma hipótese é a canoa escavada em tronco, mas correntes, ventos, estrelas e pontos visíveis também teriam ajudado. O resultado mostra capacidade de planejar uma viagem para uma ilha pequena e distante.

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A seguir listamos quatro desafios da travessia que precisavam ser vencidos durante o percurso:

  • Distância longa: cerca de 100 quilômetros separavam a Sicília de Malta.
  • Horas no escuro: nem o dia mais longo bastaria para completar a rota com luz.
  • Ilha pequena: o destino oferecia uma faixa limitada para ser avistada.
  • Recursos incertos: os viajantes precisavam encontrar água e alimento após chegar.
O percurso exigia avançar por mar aberto sem depender apenas da costa como referência

Leia também: Uma impressão completa de mão ficou escondida sob uma peça funerária egípcia durante cerca de 4.000 anos

Como esses grupos conseguiram viver na ilha?

A sobrevivência dependia de uma dieta muito variada. Nas fogueiras apareceram restos de cervos-vermelhos, tartarugas e aves, inclusive espécies grandes hoje extintas. Isso mostra que os habitantes exploravam diferentes ambientes terrestres em vez de depender de um único animal.

O mar completava a alimentação. Foram encontrados peixes, focas e milhares de moluscos, além de caranguejos e ouriços, todos com sinais de cozimento. Essa mistura de recursos ajudaria um grupo pequeno a permanecer em uma ilha com pouca área e oferta terrestre limitada.

A seguir listamos três grupos de achados que mostram como era a vida em Latnija:

Logo EM Foco
DADOS EM FOCO
Vestígios da ocupação de Latnija
Vestígios arqueológicos de Latnija e o que revelam sobre os caçadores-coletores de Malta.
Grupo Exemplos O que revela
Atividades humanas Ferramentas e fogueiras Ocupação da caverna
Recursos terrestres Cervos, aves e tartarugas Caça e preparo de comida
Recursos marinhos Peixes, moluscos e ouriços Uso amplo do litoral

Por que a descoberta importa para outras ilhas?

A viagem representa a mais longa travessia marítima conhecida entre caçadores-coletores no Mediterrâneo. Ela sugere que grupos anteriores à agricultura podiam manter contatos pelo mar e alcançar ilhas consideradas pequenas demais para sustentar pessoas com os meios disponíveis naquela época.

Ferramentas, fogueiras e comida formam uma resposta concreta: os caçadores de Malta não apenas chegaram, mas aprenderam a usar terra e mar durante séculos. A travessia amplia a imagem dessas comunidades, que planejavam rotas longas e viviam em ambientes isolados muito antes da agricultura.

Sua história pode virar reportagem

Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.

Tags: arqueologiamaltamediterrâneoNavegação

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