Uma entrada aberta na montanha a oeste de Luxor parecia pertencer a uma mulher da família real, mas fragmentos inscritos mudaram essa leitura. A primeira tumba real desde Tutancâmon foi ligada ao último rei da 18ª Dinastia que ainda não tinha sepultura identificada. O local, porém, sofreu enchentes antigas e não guardava um tesouro intacto.
Qual faraó foi identificado na tumba?
O faraó era Tutemés II, marido e meio-irmão de Hatshepsut. A missão egípcia e britânica identificou o dono da estrutura C4 depois de encontrar pedaços de vasos com os nomes do rei e de sua principal esposa.
O Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito informou que a entrada e o corredor principal foram localizados em 2022 no Wadi C, cerca de 2,4 quilômetros a oeste do Vale dos Reis. A confirmação veio após novas escavações.

Quais pistas confirmaram a identidade do faraó?
A identificação não dependeu de uma única peça. Inscrições, decoração, posição da tumba e forma da estrutura foram analisadas em conjunto antes do anúncio.
As principais pistas divulgadas pelo ministério foram:
Por que a tumba estava tão danificada?
A tumba foi atingida por enchentes pouco depois da morte do rei. A água entrou na estrutura, derrubou partes do reboco e obrigou os antigos egípcios a retirar o conteúdo funerário principal para outro lugar.
Os sinais encontrados ajudam a reconstruir o que ocorreu:
- Água no interior: as enchentes alcançaram corredores e a câmara funerária.
- Reboco caído: a equipe recuperou e restaurou partes decoradas que estavam no chão.
- Objetos removidos: estudos iniciais indicam uma transferência ainda na Antiguidade.
- Passagem elevada: uma abertura pode ter servido para retirar o corpo e outros materiais.
- Múmia preservada: a múmia de Tutemés II foi localizada em outro esconderijo real em 1881.
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A descoberta é comparável à tumba de Tutancâmon?
A comparação vale apenas para a sequência das descobertas reais. A tumba de Tutemés II é a primeira sepultura de um rei egípcio identificada desde 1922, mas seu estado e seu conteúdo são muito diferentes dos de Tutancâmon.
A página oficial sobre a múmia do rei Tutemés II confirma que o corpo já havia sido encontrado no esconderijo de Deir el-Bahari. Estes pontos evitam uma comparação errada:
O que a descoberta encerra e o que ainda falta estudar?
A identificação encerra a procura pela última tumba perdida dos reis da 18ª Dinastia. Ela também oferece dados sobre um reinado com poucos objetos funerários conhecidos e sobre o começo de um modelo arquitetônico usado por governantes posteriores.
A equipe ainda precisa restaurar os fragmentos, estudar as inscrições e procurar o local para onde o conteúdo foi levado. Essa busca pode explicar melhor como os antigos responsáveis reagiram ao desastre causado pela água.
A grande resposta apareceu nos nomes gravados, não em um salão cheio de ouro.




