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Rabiscar durante uma mensagem monótona melhorou a lembrança em 29% num estudo — mas o efeito tem limites

João Victor Por João Victor
26/07/2026
Em Curiosidades
Pessoas usando fones de ouvido realizam uma atividade escrita em sala de aula, enquanto um instrutor observa ao fundo.

Participantes escutam uma gravação enquanto escrevem, em cena associada a um experimento sobre atenção, rabiscos e memória. Imagen generada por IA.

EM RESUMO
✓ Estudo clássico da Universidade de Plymouth (Jackie Andrade) registrou 29% mais retenção de informações em pessoas que preenchiam formas geométricas durante uma gravação monótona.
✓ O benefício ocorre porque tarefas motoras simples ocupam a atenção residual, reduzindo o devaneio sem competir com a absorção auditiva.
✓ O experimento testou apenas o sombreamento de formas prontas; desenhos complexos ou artísticos demandam processamento visual alto e prejudicam o foco.
✓ A técnica é recomendada para chamadas longas puramente auditivas, mas é contraindicada ao analisar gráficos, ler dados ou anotar compromissos precisos.
✓ Rabiscar não substitui registros formais de prazos e tarefas, devendo ser combinado com anotações diretas nas pausas da reunião.

Rabiscar enquanto alguém fala pode parecer distração. Em um experimento clássico, porém, participantes que preenchiam formas no papel enquanto ouviam uma mensagem monótona lembraram 29% mais informações que o grupo sem a tarefa.

O resultado é interessante, mas não significa que qualquer desenho melhora qualquer reunião. O estudo foi pequeno, usou uma atividade simples e testou uma situação muito específica.

Como foi feito o experimento?

Homem registra tarefas à mesa enquanto enfrenta cansaço, mostrando como o excesso de responsabilidades pode afetar foco e produtividade.

A psicóloga Jackie Andrade, da Universidade de Plymouth, reuniu 40 participantes. Todos ouviram uma gravação de cerca de dois minutos e meio com uma voz descrevendo pessoas que iriam a uma festa.

Metade recebeu uma folha com formas e foi instruída a sombreá-las enquanto escutava. Não era desenho livre nem produção artística. Depois, sem aviso prévio, os participantes tiveram de recordar nomes e lugares citados.

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O grupo que rabiscou teve desempenho melhor na tarefa de monitoramento e na lembrança. O artigo “What Does Doodling Do?” foi publicado na revista Applied Cognitive Psychology.

Por que o rabisco pode ter ajudado?

A autora propôs que uma tarefa secundária muito leve poderia reduzir o devaneio durante uma mensagem entediante. O rabisco ocuparia atenção suficiente para evitar o desligamento total, sem competir demais com a escuta.

Essa explicação é uma hipótese, não uma prova de que o cérebro funciona sempre assim. O estudo não mediu diretamente todos os devaneios, e uma amostra de 40 pessoas pede replicações maiores.

Além disso, sombrear formas prontas é diferente de criar um desenho complexo. Quanto mais elaboração visual, maior pode ser a competição pela atenção.

Simulador de Carga Cognitiva: Rabiscar ou Anotar?
Selecione as características da sua reunião para avaliar se o rabisco simples ajudará na retenção ou causará disputa de atenção.
Recomendado
Cenário Ideal para Rabiscos Leves
A reunião é predominantemente auditiva e não há concorrência de leitura visual. O rabisco simples funciona como âncora motora contra o devaneio.
Dica prática: Mantenha formas mecânicas repetitivas sem buscar valor artístico.
Estimativa editorial baseada nos limites de carga cognitiva do experimento de Jackie Andrade (University of Plymouth, 2009).

Quando rabiscar pode ajudar?

  • em uma ligação longa e predominantemente verbal;
  • durante uma palestra monótona em que não há material visual importante;
  • quando a alternativa provável é perder completamente o foco.

Quando pode atrapalhar?

Anotações organizadas ao lado do celular e da calculadora ajudam a transformar ideias, tarefas e compromissos em prioridades claras.

Se a tarefa exige olhar gráficos, ler, calcular ou anotar instruções precisas, o rabisco pode disputar recursos. Ele também não substitui registro de prazos, nomes e decisões.

Em reunião, vale combinar as duas coisas: rabiscos simples nas pausas e anotações claras para compromissos concretos. Se o desenho impede contato visual necessário ou é interpretado como desinteresse, explique a estratégia.

A divulgação da editora Wiley-Blackwell resumiu o ganho de 29%, mas o número deve permanecer ligado ao experimento. Não é promessa individual.

O achado oferece uma permissão modesta: em tarefas auditivas e tediosas, um movimento simples no papel pode ser melhor que deixar a mente ir embora. Só não transforma todo canto de caderno em técnica universal de memória.

Como testar sem perder a reunião?

Escolha uma conversa de baixo risco e use formas repetitivas, sem construir uma cena detalhada. Ao final, anote decisões, responsáveis e prazos sem olhar para o rabisco. Compare com dias em que você apenas escreveu tópicos.

Se a lembrança piorar, abandone a técnica. Diferenças individuais importam, e algumas pessoas se concentram melhor mantendo as mãos livres. O Em Foco já discutiu a relação entre rabisco e desempenho cognitivo; o novo estudo de caso aqui delimita o experimento de Andrade.

Tags: atençãodoodlingmemóriapsicologiarabiscarreunião

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