O surto atual de influenza aviária H5N1 é o maior surto de doença animal já registrado na história, com mais de 166 milhões de aves mortas nos Estados Unidos desde 2022, segundo dados da Universidade da Califórnia em Davis. O que começou como uma crise na avicultura rapidamente se expandiu para mamíferos silvestres, gado leiteiro e, mais recentemente, animais domésticos. Gatos são especialmente vulneráveis ao vírus, com taxa de mortalidade em torno de 67% entre os infectados, de acordo com revisão de 20 anos publicada pela Universidade de Maryland. Cães também podem ser contaminados, mas apresentam resistência significativamente maior.
Por que gatos correm mais risco do que cães de contrair o H5N1?
A vulnerabilidade dos gatos ao H5N1 está relacionada ao comportamento de caça e à biologia da espécie. Segundo a Dra. Jane Sykes, especialista em medicina interna de pequenos animais da Universidade da Califórnia em Davis, gatos são naturalmente atraídos por aves doentes como presas fáceis, o que os coloca em contato direto com animais infectados. Além disso, pesquisas mostram que felinos se infectam facilmente por contato com ambientes contaminados por dejetos de aves, mesmo sem ingestão direta do animal.
Cães podem ser infectados pelo H5N1, mas os casos clínicos graves são raros. A Dra. Sykes explica que, se cães fossem tão suscetíveis quanto gatos, já teríamos visto muito mais casos confirmados. Ainda assim, a precaução é recomendada para ambas as espécies, especialmente em regiões com surtos ativos em aves silvestres ou gado leiteiro.

Quais são as principais formas de contaminação dos pets pelo vírus?
Entender as rotas de contaminação é o primeiro passo para proteger o animal. O Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos identificou as seguintes vias de transmissão para gatos e cães:
- Contato direto com aves silvestres ou domésticas doentes ou mortas e seus dejetos
- Consumo de ração crua à base de aves contaminada com H5N1, incluindo marcas comerciais já recolhidas do mercado
- Ingestão de leite não pasteurizado de vacas infectadas, que pode conter cargas virais elevadas
- Contato com roupas, superfícies ou ambientes contaminados por excrementos de aves
- Exposição a gado leiteiro em fazendas com surtos ativos
Quais sintomas indicam que o pet pode estar infectado com o H5N1?
Os sintomas da gripe aviária em gatos e cães podem se assemelhar a outras doenças respiratórias comuns, o que dificulta o diagnóstico imediato. A American Veterinary Medical Association (AVMA) lista os principais sinais de alerta que devem levar o tutor ao veterinário com urgência. Os sintomas mais comuns incluem:
- Dificuldade respiratória, tosse e secreção nasal
- Sintomas neurológicos como convulsões, tremores, desorientação e cegueira repentina
- Incoordenação motora e perda de equilíbrio
- Febre alta e prostração intensa
- Recusa de alimento e água por mais de 24 horas
A AVMA alerta que sintomas neurológicos podem se assemelhar à raiva, por isso recomenda manter a vacinação antirrábica dos pets sempre em dia. Em caso de qualquer suspeita de exposição ao H5N1, o veterinário deve ser informado imediatamente sobre o histórico de contato da animal com aves ou ração crua.

Como proteger gatos e cães do vírus H5N1 na prática?
A boa notícia é que a maioria das medidas de proteção é simples e pode ser adotada de imediato. Não existe vacina disponível para gatos ou cães contra o H5N1 até o momento, segundo o Cornell University College of Veterinary Medicine, o que torna a prevenção a única linha de defesa disponível. As recomendações dos especialistas consultados pela Scientific American incluem:
- Manter gatos exclusivamente em ambiente interno para evitar contato com aves silvestres
- Não oferecer ração crua, alimentos congelados à base de aves cruas ou leite não pasteurizado
- Manter cães na coleira durante passeios, especialmente em áreas com aves ou corpos d’água
- Remover comedouros de pássaros do quintal para reduzir a presença de aves silvestres
- Lavar as mãos após contato com aves, galinheiros ou gado antes de tocar nos pets
Vale procurar o veterinário mesmo sem sintomas se houve exposição suspeita?
Sim, e quanto antes, melhor. O H5N1 pode evoluir rapidamente em gatos, e o prognóstico melhora com atendimento precoce. Se o pet esteve em contato com aves mortas, consumiu ração crua recentemente ou teve acesso a leite não pasteurizado, informe o veterinário mesmo que o animal pareça saudável. O profissional poderá avaliar o risco de exposição e orientar sobre isolamento preventivo.
A transmissão do H5N1 de pets para tutores é possível, mas extremamente rara. Ainda assim, o CDC recomenda lavar as mãos com frequência após contato com o animal e evitar exposição à saliva ou secreções nasais do pet caso haja suspeita de infecção. Não espere os sintomas aparecerem para agir: diante de qualquer exposição suspeita, ligue para o veterinário hoje.




