Toda Copa do Mundo tem hoje um mascote que vira brinquedo, camiseta e símbolo do evento. Mas essa tradição começou em algum lugar. O responsável por inaugurar esse costume foi o Willie, um leão vestindo uma camisa com a bandeira do Reino Unido, criado especialmente para a Copa do Mundo de 1966, realizada na Inglaterra. Antes dele, as Copas não tinham representação visual animada. Depois dele, nenhuma Copa do Mundo voltou a abrir mão dessa figura.
Quem criou o Willie e qual foi a inspiração por trás do personagem?
O Willie foi criado pelo ilustrador britânico Reg Hoye, conhecido por seu trabalho em livros infantis. A escolha do leão não foi aleatória: o animal é o símbolo histórico do Reino Unido e aparece no brasão da família real inglesa há séculos. Ao vestir o mascote com uma camisa estampada com a bandeira britânica, Hoye criou um personagem que remetia diretamente ao país anfitrião sem depender de nenhuma explicação adicional. Era imediatamente reconhecível para qualquer torcedor do mundo.
O nome Willie foi escolhido por ser um apelido britânico comum e afetuoso, que combinava com a personalidade amigável e acolhedora que a FIFA queria transmitir ao evento. O personagem tinha feição simpática, postura ereta e aspecto animado, projetado para atrair tanto adultos quanto crianças.

Qual foi a importância histórica do Willie para o esporte mundial?
O Willie abriu um caminho que nenhuma grande competição esportiva voltou a ignorar. Segundo a FIFA, o leão de 1966 inaugurou a tradição de mascotes em Copas do Mundo e inspirou outros grandes eventos esportivos a criarem os seus próprios. Olimpíadas, Eurocopas, Jogos Pan-Americanos e praticamente todo evento esportivo de grande porte passou a adotar mascotes a partir do pioneirismo da Copa de 1966. O Willie também foi o primeiro mascote a ser transformado em produto oficial: brinquedos, roupas e artigos esportivos licenciados com sua imagem chegaram às lojas durante o torneio, inaugurando o mercado de merchandising esportivo em Copas.
Esse aspecto comercial transformou o mascote de um símbolo decorativo em uma ferramenta estratégica de comunicação e receita. Hoje, os direitos de imagem e comercialização de mascotes representam uma parcela significativa das receitas de eventos esportivos globais, e tudo começou com Willie em 1966.
Quais foram os mascotes das Copas seguintes e como evoluíram ao longo dos anos?
Após o Willie, cada Copa do Mundo ganhou seu próprio mascote com identidade visual ligada ao país anfitrião. O Brasil tem um capítulo especial nessa história: em 1970, a Copa no México apresentou o Juanito, um menino com chapéu de sombrero. Em 1994, nos EUA, surgiram Striker, um cão. Para a Copa de 2014 no Brasil, o Fuleco foi escolhido, um tatu-bola em referência ao bioma brasileiro, com o nome combinando futebol e ecologia.
Para a Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, a FIFA apresentou três mascotes simultâneos: Maple (Canadá), Zayu (México) e Clutch (Estados Unidos), refletindo pela primeira vez o caráter multinacional de um torneio que será disputado em três países ao mesmo tempo.
O Willie ainda é lembrado nos dias de hoje e qual é seu legado para a Copa de 2026?
O legado do Willie vai muito além de um personagem de 1966. Ele provou que um símbolo visual bem construído consegue humanizar um megaevento esportivo e criar conexão emocional com públicos que vão muito além dos torcedores de futebol. Crianças que nunca viram uma partida se identificam com um mascote antes de entender o jogo. Adultos colecionam os bonecos décadas depois do torneio. Essa capacidade de transcender gerações é o legado mais duradouro que o leão britânico deixou para o futebol mundial.
Com 60 anos de mascotes de Copa do Mundo em 2026, a tradição inaugurada pelo Willie está mais viva do que nunca. Maple, Zayu e Clutch já aparecem em produtos, campanhas e na imaginação de milhões de crianças ao redor do mundo, exatamente como Willie fez em 1966. Compartilhe com quem ama a história da Copa do Mundo e talvez nunca tenha parado para pensar que tudo isso começou com um leão britânico bem-vestido numa tarde de julho na Inglaterra.




