O Brasil acaba de colocar sete destinos na briga pelo reconhecimento mais importante do turismo rural global. A ONU Turismo avalia este ano 268 candidatas ao selo de Melhores Vilas Turísticas do Mundo, e sete são brasileiras. Elas concorrem com destinos de mais de 100 países, com resultado previsto para dezembro, em Buenos Aires. O que une todas elas é uma mistura rara: paisagem preservada, identidade cultural forte e um modelo de turismo construído pela própria comunidade local.
Quais são os sete destinos brasileiros na disputa?
Os candidatos foram selecionados pelo Ministério do Turismo entre dez inscrições nacionais. Para participar, cada vila precisa ter até 15 mil habitantes, estar inserida em uma paisagem com atividades tradicionais como pesca, agricultura ou pecuária, e compartilhar um estilo de vida comunitário autêntico.
Os sete representantes do Brasil nesta edição são:

O que o selo da ONU Turismo representa para uma vila?
O reconhecimento foi criado em 2021 e hoje reúne 319 destinos rurais cadastrados em todo o mundo. Ganhar o selo significa integrar uma rede internacional de turismo sustentável que atrai atenção de operadoras, viajantes e investidores do mundo inteiro. Para comunidades pequenas, pode representar um salto significativo em visibilidade e receita sem precisar abrir mão da identidade local.
O Brasil já tem dois destinos premiados em edições anteriores. A vila de Testo Alto, em Pomerode (SC), entrou para o mapa pela Rota do Enxaimel, que reúne a maior concentração, fora da Europa, de casas construídas com a técnica alemã de encaixes sem pregos. Antônio Prado (RS) foi reconhecido pela preservação da cultura italiana, onde 80% dos moradores ainda falam o talian, dialeto derivado do norte da Itália.
Por que o turismo em vilas pequenas está crescendo tanto?
Porque o viajante contemporâneo busca experiências que grandes cidades não entregam. Contato com comunidades reais, gastronomia artesanal, paisagens sem multidões e roteiros com propósito cultural ou ambiental são exatamente o que destinos como os sete candidatos brasileiros oferecem com naturalidade, segundo a Agência Gov.
O governo federal vê essa modalidade como uma das maiores ferramentas de inclusão social do setor. O modelo fixa populações no campo, valoriza o patrimônio cultural local e distribui renda de forma mais equilibrada do que o turismo de massa, sem demandar grandes infraestruturas.

Como o Brasil se compara a outros países nesse ranking?
Desde a criação do programa, a ONU Turismo já recebeu mais de mil inscrições de mais de 100 países. O Brasil acumula 27 indicações ao longo de todas as edições, com duas premiadas, um resultado expressivo para um país que ainda tem muito a explorar no segmento de turismo rural. Este ano, com sete candidatas simultâneas, é a maior representação brasileira já registrada na competição, conforme divulgado pelo Ministério do Turismo.
A comparação com outros países mostra que o Brasil tem espaço real para crescer nesse segmento. Há recursos naturais e culturais abundantes que ainda esperam por uma estrutura de recepção qualificada e pelo reconhecimento internacional que selos como esse ajudam a construir.
Vale planejar uma visita a esses destinos ainda em 2026?
Vale, e com mais urgência do que parece. Destinos que entram no mapa internacional rapidamente passam por aumento de demanda, e quem chega antes encontra a experiência mais autêntica, sem o ruído que o turismo em excesso traz com ele.
Escolha uma das sete vilas, pesquise os roteiros locais e planeje a visita antes de dezembro, quando o resultado sai e os preços e a procura tendem a subir. O Brasil raramente oferece tantas experiências tão genuínas tão perto de qualquer aeroporto do país.




