Grandes redes de supermercados no Brasil iniciaram em 2026 a implementação de projetos-piloto com a escala 5×2. A mudança busca conciliar a demanda por qualidade de vida com a necessidade de reter talentos em um setor marcado pela alta rotatividade de pessoal.
Como os supermercados estão testando a nova escala 5×2?
O Grupo Savegnago e o Grupo Supernosso lideram essa transformação no varejo alimentar. Segundo reportagem do Estado de Minas, o Savegnago expandiu o modelo para todas as unidades em São Paulo após observar impactos positivos na satisfação dos colaboradores em Campinas e Sumaré.
O Grupo Supernosso optou por uma implementação progressiva em unidades selecionadas. A lógica operacional mantém a carga semanal de 44 horas, redistribuindo as horas trabalhadas em cinco dias, o que resulta em jornadas diárias de aproximadamente 8h48 para garantir os dois dias de folga.

O que mudou na distribuição das horas de trabalho?
A transição altera a rotina de funções essenciais como caixas, repositores e açougueiros. A organização interna exige novos turnos e rodízios para que os supermercados mantenham o atendimento pleno nos fins de semana e horários de maior movimento dos clientes.
Veja na tabela abaixo a comparação entre a jornada tradicional e a nova proposta em teste:

Qual a posição da Abras sobre essa transição?
A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) manifestou apoio à flexibilização, desde que preservada a carga horária atual. Marcio Milan, vice-presidente da entidade, alerta que reduções forçadas de jornada podem elevar os custos operacionais do setor.
Pequenas e médias redes, que operam com margens estreitas, enfrentam maiores desafios na contratação de substitutos. Para a entidade, discussões sobre mudanças na CLT devem considerar o impacto direto nos preços finais pagos pelos consumidores nas gôndolas.
Como estão as propostas legislativas no Congresso Nacional?
O cenário jurídico vive momentos de intensa movimentação política. Em abril de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso, sob regime de urgência, um projeto que visa reduzir a jornada máxima para 40 horas semanais.
Além disso, a PEC 148/2015, de autoria do senador Paulo Paim, tramita no Senado Federal propondo uma redução mais radical. O texto sugere um cronograma escalonado de seis anos para atingir o patamar de 36 horas semanais, garantindo sempre dois dias de descanso obrigatório.
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Essa mudança é uma realidade definitiva para o varejo?
A antecipação dos supermercados demonstra que o setor compreende as novas exigências do mercado de trabalho. A adoção da escala 5×2 não é apenas uma resposta a possíveis leis futuras, mas uma estratégia de gestão para enfrentar a escassez de mão de obra qualificada.
Embora os projetos de lei avancem, a manutenção das 44 horas no modelo atual serve como um campo de testes. O sucesso ou fracasso desses pilotos orientará o varejo sobre como conciliar a rentabilidade operacional com as novas expectativas sociais por equilíbrio entre vida pessoal e profissional.




