A 1.268 metros de altitude na Chapada Diamantina, Piatã contradiz tudo o que se espera de uma cidade baiana. O termômetro desce a 5°C no inverno, a neblina toma a serra de manhã e o café produzido nas fazendas locais já venceu quatro vezes o principal concurso mundial da bebida. A mais antiga povoação da Chapada virou referência nacional por uma combinação rara: altitude alpina, café campeão mundial e um pico que é o ponto mais alto do Nordeste a poucos quilômetros do centro.
A cidade serrana mais antiga da Chapada Diamantina
O nome vem do tupi e significa pé firme, descrição apropriada para uma cidade que se equilibra num platô entre a Serra da Tromba e a Serra da Santana. Segundo a Prefeitura Municipal de Piatã, o município é o mais alto e o mais frio de todo o Norte, Nordeste e Centro-Oeste brasileiros.
A história começou em meados do século XVII, quando garimpeiros descobriram minas de ouro nas serras da Tromba e da Santana e atraíram aventureiros à procura de pedras preciosas. Nasceu ali o povoado de Bom Jesus dos Limões, atual Piatã, que cresceu às margens da Estrada Real aberta em 1725 pelo bandeirante Pedro Barbosa Leal para ligar Rio de Contas a Jacobina. Quando o ciclo do ouro se esgotou, a altitude que trouxera os mineradores revelou outra vocação: a produção de café especial em clima de altitude.

Por que o café de Piatã virou referência internacional?
A cidade ganhou destaque mundial pelo grão. A família Rigno de Oliveira é tetracampeã do Cup of Excellence Brazil, principal concurso de qualidade de café do planeta, com vitórias em 2009, 2014, 2015 e 2022. Segundo o Global Coffee Report, da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), Antônio Rigno de Oliveira Filho, da Fazenda Tijuco, conquistou o primeiro lugar em 2022 com nota 91,41 numa escala até 100, com a variedade Catuaí 144 e processo natural.
O segundo lugar do mesmo concurso também foi de Piatã, com o café do Sítio Bonilha, de Maridalton Silva Santana, com 90,59 pontos. Os juízes internacionais descreveram o café vencedor como tendo aroma floral e notas de pêssego, manga, camomila, limão e lima, com acidez cítrica marcante. O café da Fazenda Tijuco hoje é exportado para Japão, Coreia, EUA, Inglaterra, Austrália e Alemanha. O resultado consolidou Piatã como a Terra do Café no Nordeste, apelido usado oficialmente pela Prefeitura em campanhas de turismo.
O que fazer em Piatã além das fazendas de café?
A cidade combina ecoturismo, sítios arqueológicos e a maior elevação do Nordeste. Entre os principais atrativos divulgados pela Prefeitura Municipal de Piatã, destacam-se:
- Pico do Barbado: ponto mais alto do Nordeste brasileiro com 2.033 metros, dentro da Área de Proteção Ambiental Serra do Barbado, criada em 1993 pelo governo da Bahia para proteger 63.652 hectares.
- Cachoeira do Patrício: queda cristalina em meio à serra, uma das mais procuradas para banho refrescante.
- Cachoeira do Cochó: trilha de fácil acesso e poço natural ideal para piquenique.
- Cachoeira Malhada da Areia: cenário rochoso com poço amplo, abrigada em propriedade rural com condutor local.
- Cachoeira Bica do Machado: queda alta cercada por mata nativa nos arredores do centro urbano.
- Capela do Senhor do Bonfim: pequena igreja colonial no alto da Serra da Santana, vestígio do ciclo do ouro.
- Sítios com pinturas rupestres: paredões com registros pré-históricos espalhados pelo município, atrativo para o turismo arqueológico.
- Serra do Navio e Serra dos Três Morros: mirantes naturais com paisagens panorâmicas da Chapada.
Na gastronomia, a cidade combina herança serrana com os cafés premiados:
- Cafés especiais: visitas guiadas em fazendas como Tijuco, Bonilha, Ponte, Bicholândia e Santa Bárbara incluem degustação dos grãos campeões mundiais.
- Quentão e canjica: bebidas e doces típicos do inverno serrano, servidos em torno das lareiras das pousadas locais.
- Pratos com pequi e palmito juçara: ingredientes nativos da transição entre Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica.
- Rapadura e doces de cana: produção artesanal que dá ao café da região o sabor de melaço identificado pelo júri internacional.
Quem busca desbravar a cidade mais alta e fria do Nordeste brasileiro, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 133 mil visualizações, onde Bruno e Paula mostram os encantos, as trilhas deslumbrantes e a premiada produção de café de Piatã na Chapada Diamantina:
Quando o clima de Piatã favorece cada tipo de passeio
Piatã tem clima tropical de altitude classificado como Csb na escala de Köppen, o mesmo padrão de regiões montanhosas da Europa, segundo a Prefeitura Municipal. A tabela a seguir resume o comportamento ao longo do ano:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O inverno entre junho e agosto é a estação mais procurada por quem quer sentir o frio incomum do Nordeste em Piatã, com mínimas históricas de 1,2°C registradas em noites de exceção. Já a primavera e o outono são as melhores janelas para subir o Pico do Barbado a partir de Catolés, com trilha de aproximadamente 4 km de subida por campos rupestres e matas de altitude.
Como chegar à cidade mais alta do Nordeste
Piatã fica a cerca de 670 km de Salvador pela BR-242 e BR-122, em viagem de carro de cerca de 9 horas. O acesso final ao município se dá pela BA-148, rodovia estadual que corta a Chapada Diamantina e conecta a cidade a Rio de Contas e Abaíra.
Quem prefere voar pode desembarcar no Aeroporto Horácio de Mattos, em Lençóis, principal porta de entrada da Chapada Diamantina, e depois seguir cerca de 250 km de carro por estrada que cruza o platô da serra. Há também linhas regulares de ônibus que partem de Salvador rumo aos municípios da Chapada com conexão para Piatã.
Vá conhecer a Bahia que não parece a Bahia
A cidade mais alta do Nordeste guarda uma combinação que existe em pouquíssimos lugares do Brasil: altitude de serra europeia, café tetracampeão mundial e o povoado mais antigo da Chapada Diamantina, tudo no mesmo município no sul baiano.
Você precisa conhecer Piatã e ver de perto uma Bahia em que se acende lareira para encarar a noite, se toma café campeão direto do produtor e se sobe ao ponto mais alto do Nordeste a 2.033 metros do nível do mar.




