Esse vilarejo do interior baiano foi a maior produtora mundial de diamantes entre 1845 e 1871 e hoje é a porta de entrada do parque nacional mais visitado do Nordeste. Lençóis, na Chapada Diamantina, fica a 420 km de Salvador pela BR-242.
Da Capital do Diamante à porta do parque mais visitado do Nordeste
O nome veio dos próprios garimpeiros. Quando chegaram à região no século XIX, montaram acampamentos com lonas brancas estendidas sobre as rochas, vistas de longe como lençóis ao vento. A cidade nasceu da febre dos diamantes, encontrados em 1845 nos rios da Serra do Sincorá, e cresceu rápido o suficiente para receber até um vice-consulado da França, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O auge durou pouco mais de duas décadas, mas deixou um conjunto arquitetônico que sobreviveu intacto. Em 1973, o casario colonial e o entorno paisagístico foram tombados pelo Iphan, que protege hoje 570 imóveis na cidade. Foi o primeiro tombamento federal proposto pela própria comunidade, segundo registros do seminário de 50 anos do tombamento, realizado pelo próprio órgão em 2023.

Reconhecimento que veio das águas e das rochas
Doze anos depois do tombamento, a região ganhou outra camada de proteção. Em 17 de setembro de 1985, o Decreto Federal 91.655 criou o Parque Nacional da Chapada Diamantina, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A área protegida soma 152.141 hectares e abrange seis municípios baianos: Lençóis, Andaraí, Ibicoara, Itaetê, Mucugê e Palmeiras.
O parque guarda picos de mais de 1.700 metros, dezenas de cachoeiras, campos rupestres e cavernas calcárias. A sede administrativa fica em Palmeiras, mas é Lençóis que concentra agências, pousadas e roteiros do circuito.

O que ver na Chapada e o que comer entre uma trilha e outra?
O ecoturismo se divide entre quedas d’água, piscinas naturais e mirantes que viraram símbolos do destino. Veja primeiro os atrativos que vale incluir no roteiro:
- Cachoeira da Fumaça: 340 metros de queda livre no Vale do Capão, em Palmeiras, segunda maior do Brasil. O acesso por cima é feito em trilha de 12 km, ida e volta, com 2 km de subida íngreme.
- Morro do Pai Inácio: cartão-postal da chapada a 1.120 metros de altitude, com vista panorâmica do vale e dos platôs. Fica a 29 km de Lençóis e tem trilha curta de 1,5 km.
- Poço Encantado: caverna em Itaetê com piscina natural de 60 metros de profundidade. Entre abril e setembro, das 10h às 13h30, um feixe de luz solar atravessa uma fenda no teto e ilumina a água azul.
- Poço Azul: gruta em Nova Redenção descoberta em 1992, com 20 metros de profundidade e flutuação permitida. O feixe de luz aparece entre fevereiro e outubro, das 12h30 às 14h.
- Gruta Azul: na Fazenda Pratinha, em Iraquara, tem profundidade de cerca de 70 metros e tons azulados intensos quando o sol entra pela abertura, entre 14h e 15h.
- Cachoeira do Sossego: queda dentro do parque, com poço cercado por paredões rochosos, acessível por trilha de 14 km a partir do centro de Lençóis.
A cozinha local mistura tradições do garimpo, ingredientes do sertão e a herança baiana. Confira o que aparece nos restaurantes do centro:
- Godó de banana: prato à base de banana-da-terra cozida com carne seca e temperos, herança das mesas dos garimpeiros.
- Cortado do garimpeiro: receita tradicional da época da mineração, à base de carne, mandioca e jiló.
- Moqueca de peixe de rio: feita com pescados dos rios da chapada e dendê, presença certa nos restaurantes da Rua das Pedras.
- Doce de buriti: sobremesa típica do sertão, feita com a fruta nativa do cerrado e açúcar mascavo.
Quem deseja explorar o melhor da Chapada Diamantina, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vaz Aonde (Marcos Vaz), que conta com mais de 392 mil visualizações, onde Marcos Vaz mostra um roteiro de 3 dias saindo de Lençóis, visitando lugares como a Fazenda Pratinha e a Cachoeira do Mosquito:
Quando ir e o que fazer em cada estação?
O clima tropical de altitude, com média anual em torno de 22°C, mantém Lençóis agradável o ano inteiro. Cada estação favorece um tipo de roteiro:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à porta da Chapada Diamantina
De Salvador, o trajeto mais comum é pela BR-324 até Feira de Santana, seguindo pela BR-242 sentido oeste por cerca de 420 km. A viagem leva de cinco a seis horas de carro. Há ainda ônibus diários da empresa Real Expresso saindo da rodoviária de Salvador, com viagem de cerca de seis horas.
Quem prefere voar pode chegar pelo Aeroporto Horácio de Mattos, a Lençóis, com voos regulares de Salvador, ou desembarcar no Aeroporto Internacional de Salvador e seguir de carro alugado ou transfer. A própria cidade é compacta o suficiente para se conhecer a pé, com agências de turismo concentradas no centro histórico.
Conheça a antiga Capital do Diamante
Lençóis reúne uma combinação rara em uma única cidade: ruas de pedra do século XIX, sede de um dos parques nacionais mais espetaculares do Brasil e acesso a piscinas que mudam de cor com a luz do sol. É o tipo de viagem que cabe em uma semana e ainda fica devendo.
Você precisa subir a serra e conhecer Lençóis, a antiga Capital do Diamante onde a paisagem da Chapada Diamantina ainda guarda mais segredos que cidades inteiras.




