No leste do Tocantins, o Jalapão reúne dunas douradas de até 40 metros, cachoeiras de águas esverdeadas e os famosos fervedouros, nascentes cristalinas onde a pressão da água empurra o corpo para cima e torna impossível afundar. O cheiro do capim seco e o vento quente do Cerrado acompanham cada curva da estrada de terra que leva ao parque.
Por que é impossível afundar nos fervedouros do Jalapão?
É impossível afundar porque a água sobe do subsolo com tanta força que sustenta o corpo na superfície. Os fervedouros são nascentes cársticas onde um rio subterrâneo encontra uma camada de areia fina e irrompe do chão, criando o efeito de flutuação.
A National Geographic descreve a sensação como parecida com flutuar em uma taça de champanhe, já que a água borbulha pela ruptura no solo e empurra uma espuma de areia rosada para cima. O Fervedouro do Ceiça é apontado pela publicação como o maior conhecido na região, mas há dezenas de outros espalhados pelo parque, como o Fervedouro Bela Vista e o Fervedouro Beija-Flor.

Reconhecimento que colocou o destino no mapa mundial
O Jalapão ganhou destaque internacional quando a National Geographic publicou uma reportagem descrevendo o parque como um paraíso remoto na maior savana da América do Sul. A matéria destaca os fervedouros como formações únicas, diferentes de qualquer outra nascente cárstica no planeta.
No Brasil, o Parque Estadual do Jalapão foi criado pela Lei Estadual 1.203 de 12 de janeiro de 2001 e é administrado pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins). Segundo o Governo do Tocantins, o parque representa a maior área contínua de Cerrado do Brasil em alto grau de conservação. A região faz parte de um mosaico de unidades que inclui a Área de Proteção Ambiental (APA) do Jalapão, a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins e o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba.

O que fazer no coração do Cerrado brasileiro?
O roteiro combina banhos em nascentes cristalinas, caminhadas por dunas e visitas a comunidades quilombolas que produzem o artesanato de capim dourado. A seguir, as atrações mais procuradas e os sabores típicos da região.
Principais experiências dentro e no entorno do parque:
- Fervedouro do Ceiça: a maior nascente cárstica conhecida da região, com águas borbulhantes e fundo de areia fina.
- Fervedouro Bela Vista: um dos mais procurados, tem estrutura para visitação e a mesma sensação de flutuação impossível.
- Dunas do Jalapão: formações de areia dourada dentro do parque estadual, ponto clássico para o pôr do sol.
- Cachoeira da Velha: maior queda do parque, com cerca de 15 metros de altura e 100 metros de extensão, ideal para rafting no Rio Novo.
- Cachoeira do Formiga: poço de águas verde-esmeralda cercado pela vegetação do Cerrado, acesso fácil e perfeito para banho.
- Serra do Espírito Santo: trilha que leva a um mirante panorâmico, escolha certeira para ver o nascer do sol.
- Pedra Furada: bloco de arenito esculpido pelo vento ao longo do tempo, um dos pontos mais fotografados.
- Comunidade Mumbuca: vila quilombola famosa pelo artesanato de capim dourado, reconhecido como tradição cultural do Tocantins.
Sabores típicos da cozinha jalapoeira:
- Galinha caipira com pequi: cozida em panela de ferro com o fruto típico do Cerrado, receita símbolo da região.
- Arroz com pequi: acompanhamento clássico das mesas tocantinenses, com aroma forte e sabor intenso.
- Peixe do Rio Novo: pescados frescos servidos grelhados ou em caldos, preparo típico das pousadas locais.
- Doce de buriti: feito com a polpa do fruto da palmeira que cresce nas veredas, tradição das comunidades extrativistas.
Quem sonha em conhecer o Jalapão, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 739 mil visualizações, onde os apresentadores mostram um guia completo de 5 dias pelo Tocantins:
Qual a melhor época para visitar e o que fazer em cada período?
A melhor época é entre maio e setembro, a estação seca, quando as estradas ficam em melhor condição e o céu permanece aberto na maior parte do tempo. A tabela a seguir organiza o que esperar em cada estação.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à região mais remota do Tocantins?
O caminho começa pelo Aeroporto de Palmas, capital do Tocantins, que recebe voos diários de várias cidades do Brasil. De lá, a viagem até o parque é feita de carro ou van em trajetos de 5 a 6 horas por estradas em parte não pavimentadas, conforme descrito pela National Geographic.
As duas portas de entrada mais usadas são Ponte Alta do Tocantins, a cerca de 180 km de Palmas, e Mateiros, a cerca de 340 km da capital. Dentro do parque, os deslocamentos são feitos apenas em veículos 4×4 credenciados pelo Naturatins, já que o terreno arenoso não permite o tráfego de carros comuns.
Um dos últimos paraísos selvagens do Brasil
O Jalapão é um desses lugares que desafiam a ideia do que o Cerrado pode ser. Dunas douradas, nascentes que empurram o corpo para cima e cachoeiras de águas translúcidas convivem em uma área que poucos brasileiros conhecem de perto.
Você precisa atravessar as estradas de terra do Tocantins e sentir na pele o que é flutuar em um fervedouro, a experiência mais improvável que o sertão brasileiro guarda.




