O desvio de função ocorre quando o trabalhador exerce cargo diferente e superior ao registrado, sem receber o salário correspondente. Entender a diferença para acúmulo de função e conhecer seus direitos pode gerar indenização relevante e até rescisão indireta.
O que é desvio de função e como ele acontece?
O desvio de função surge quando o empregado é contratado para um cargo, como auxiliar administrativo, mas passa a exercer apenas atividades de nível superior, como analista, sem alteração contratual ou ajuste salarial.
Já o acúmulo de função ocorre quando o trabalhador mantém suas tarefas originais e ainda assume novas atribuições de outro cargo. No desvio, ele abandona a função inicial; no acúmulo, ele acumula responsabilidades.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Ricardo Azevedo | Advogado falando sobre o direito que trabalhadores possuem em caso de desvio de funções.
Quais são os direitos garantidos pela CLT?
A prática é vedada pelo artigo 468 da CLT, que proíbe alterações contratuais prejudiciais ao empregado. Quando há prejuízo salarial ou funcional, o trabalhador pode exigir reparação judicial com base nesse dispositivo legal.
- Diferenças salariais retroativas, calculadas entre o salário do cargo registrado e o da função efetivamente exercida.
- Reflexos em 13º, férias + 1/3, FGTS e horas extras, ampliando o valor total da indenização.
- Rescisão indireta, permitindo romper o contrato com recebimento de aviso prévio e multa de 40% do FGTS.
Como provar desvio de função na Justiça do Trabalho?
A Justiça aplica o princípio da primazia da realidade, priorizando o que acontece na prática e não apenas o que está no contrato. Se as atividades exercidas forem superiores, isso pode prevalecer como prova.
Testemunhas, e-mails corporativos, relatórios assinados e acesso a sistemas restritos servem como evidência. Mensagens digitais também reforçam a comprovação das atribuições exercidas além da função formal.

O que é equiparação salarial e quando ela se aplica?
Se não houver plano formal de cargos e salários, é possível buscar equiparação salarial com um colega que exerça as mesmas atividades com mesma produtividade e qualidade técnica. Algumas regras importantes aparecem a seguir.
- Paradigma válido precisa exercer funções idênticas com igual produtividade e perfeição técnica.
- Diferença superior a dois anos na função pode dificultar a equiparação jurídica.
- Diferença superior a quatro anos na empresa também pode impedir o pedido.
Qual é a melhor estratégia para proteger seus direitos?
Manter um diário de tarefas com registro detalhado das atividades exercidas ajuda a demonstrar mudança de função ao longo do tempo. Quanto mais específico for o registro, maior a força da prova.
Guardar documentos, contratos e comunicações reforça o pedido judicial. Um advogado trabalhista poderá organizar as provas e calcular corretamente as diferenças salariais e seus reflexos.




