Na ponta norte de Prins Karls Forland, em Svalbard, os arqueólogos encontraram 45 túmulos cercados por pedras cuja forma não combina com o padrão funerário conhecido dos Pomor. Restos de uma cruz de madeira surgiram no mesmo local, mas a origem cultural do cemitério continua sem definição até o momento.
Onde foram encontrados os 45 túmulos no Ártico?
O cemitério fica próximo ao cabo Fuglehuken, no extremo norte de Prins Karls Forland, ilha do arquipélago norueguês de Svalbard. A área reúne vestígios de diferentes fases de ocupação ligadas a caça, navegação e exploração do Ártico.
A descoberta ocorreu durante uma campanha arqueológica de 2026 que percorreu trechos do oeste de Spitsbergen e a parte norte da ilha. O trabalho foi feito com métodos não invasivos, registrando estruturas e objetos sem realizar escavações ou retirar materiais do local.

Por que o formato das sepulturas chamou tanta atenção?
O detalhe mais incomum é a presença de 45 sepulturas com contornos de pedra. Esse tipo de delimitação não corresponde ao padrão funerário atribuído aos Pomor nos sítios já estudados pela equipe em Svalbard.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores encontraram restos de uma cruz de madeira na parte sul do conjunto. Cruzes são compatíveis com tradições cristãs presentes na região, mas esse elemento isolado não basta para definir quem foi enterrado ali.
Quais pistas tornam a origem do cemitério ainda incerta?
O local reúne sinais que não apontam todos para a mesma resposta. A forma dos túmulos difere do padrão Pomor conhecido, enquanto a cruz acrescenta uma pista religiosa sem estabelecer uma identidade cultural definitiva.
Três elementos do sítio precisam ser analisados em conjunto:
- Contornos de pedra: são o traço funerário mais incomum observado no conjunto.
- Cruz de madeira: indica contexto cristão, mas não determina a origem dos enterrados.
- Posição do cemitério: permite comparação com outros sítios históricos espalhados por Svalbard.

Existem outros cemitérios antigos em Prins Karls Forland?
Sim. Registros do Prins Karls Forland documentam sepulturas ligadas ao período baleeiro dos séculos XVII e XVIII em outras partes da ilha. Esses exemplos ajudam a comparar formas de enterro, mas não identificam automaticamente o novo conjunto de Fuglehuken.
Svalbard recebeu caçadores, baleeiros e grupos russos ao longo de séculos, deixando camadas culturais diferentes em pontos relativamente próximos. Por isso, sem escavação e análise direta dos restos, semelhanças visuais precisam ser tratadas com cautela.
O que falta para saber quem foi enterrado nesses túmulos?
Os arqueólogos ainda precisam comparar a arquitetura funerária, objetos associados e documentação histórica para testar hipóteses de origem. Como o levantamento preserva o sítio, o avanço depende de registro detalhado e de futuras autorizações para qualquer investigação mais invasiva.
Os 45 túmulos já mostram que Fuglehuken guarda um conjunto funerário fora do padrão Pomor conhecido. A cruz de madeira amplia o enigma em vez de resolvê-lo, deixando aberta a questão central sobre quem ocupou esse trecho remoto do Ártico e escolheu enterrá-lo dessa maneira.
Sua história pode virar reportagem
Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.




