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Cidade onde uma montanha inteira de 1.385 metros desapareceu e nasceu um dos maiores poetas do Brasil

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
19/09/2026
Em Cidades
A paisagem atual guarda sinais de uma transformação que avançou durante décadas - Imagem ilustrativa

A paisagem atual guarda sinais de uma transformação que avançou durante décadas - Imagem ilustrativa

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O Pico do Cauê, com 1.385 metros, desapareceu após décadas de exploração de minério de ferro em Itabira.↓ Ver no artigo
A Companhia Vale do Rio Doce foi criada em 1942, ampliando a escala da mineração ligada à cidade.↓ Ver no artigo
Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira em 1902 e levou a cidade e a perda do Cauê para sua obra.↓ Ver no artigo

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EM FOCO
Resumo da matéria
01
Montanha transformada
O Pico do Cauê marcou a formação de Itabira e foi profundamente alterado pela exploração de minério de ferro ao longo do século XX.
Paisagem
02
Berço de Drummond
Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira e levou a cidade, suas pedras e suas mudanças para diferentes partes de sua obra.
Literatura
03
Versos pelas ruas
A memória do poeta ganhou um percurso urbano com placas, espaços culturais e pontos ligados à infância e aos textos de Drummond.
Memória

Itabira viu uma referência da paisagem desaparecer enquanto sua história ganhava versos. O Pico do Cauê, ligado ao avanço da mineração de ferro, deixou de dominar o horizonte, e a cidade natal de Carlos Drummond de Andrade transformou memória, minério e poesia em marcas que ainda convivem pelas ruas.

Como o Pico do Cauê virou parte da história de Itabira?

Antes de a mineração mudar a paisagem, o Pico do Cauê funcionava como referência visual para Itabira. A concentração de minério de ferro no relevo ajudou a aproximar a história da cidade da extração mineral e tornou a montanha inseparável da identidade local.

Com a exploração em grande escala, a forma original do Cauê foi sendo retirada junto com o minério. O que antes se levantava sobre a cidade deixou de existir como montanha, e a transformação do relevo passou a representar de maneira visível o peso econômico e territorial da mineração.

Itabira - A cidade mineira onde uma montanha de 1.385 metros desapareceu e nasceu o maior poeta do Brasil
Itabira oferece cultura, natureza e cenários do interior mineiro // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Por que a mineração mudou tanto o horizonte da cidade?

A mudança ganhou outra dimensão em 1942, quando a Companhia Vale do Rio Doce foi criada com forte ligação a Itabira. A atividade mineral já vinha de antes, porém a nova fase ampliou a escala da extração e colocou o ferro local dentro de uma estrutura industrial muito maior.

Essa transformação também entrou na memória cultural. Carlos Drummond de Andrade, nascido na cidade em 1902, escreveu sobre Itabira e sobre a perda da montanha. Assim, o desaparecimento físico do Pico do Cauê continuou presente por outro caminho, agora preservado em literatura, memória e símbolos urbanos.

Como Drummond ficou gravado nas ruas de Itabira?

A ligação saiu dos livros e ganhou espaço público. O portal municipal de turismo apresenta os Caminhos Drummondianos, percurso composto por 44 placas com poemas instaladas em diferentes pontos relacionados à cidade vivida pelo escritor.

O roteiro faz a memória funcionar como mapa. Em vez de concentrar tudo em um único prédio, versos, lugares e lembranças aparecem ligados às ruas. A cidade atual passa a conversar com a Itabira descrita por Drummond, mesmo depois de tantas mudanças causadas pela mineração e pelo crescimento urbano.

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A seguir listamos quatro marcas dessa memória que ajudam a reconhecer a ligação entre paisagem, mineração e literatura:

  • Pico do Cauê: concentra a memória da paisagem transformada pela mineração de ferro.
  • Carlos Drummond: levou Itabira para poemas, crônicas e lembranças ligadas à cidade natal.
  • Caminhos Drummondianos: espalham versos por pontos urbanos relacionados à vida e à obra do poeta.
  • Memória urbana: mantém lado a lado a história mineral e o patrimônio cultural itabirano.

Quem quer conhecer Itabira em Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Naeco, que conta com mais de 13 mil visualizações, onde mostra a história, os locais para passear, morar e investir em Itabira:

Leia também: Cidade planejada de 140 hectares construída há 3.600 anos aparece no meio da estepe com casas organizadas e uma área inteira para produzir bronze

O que ainda conecta ferro e poesia na cidade?

A relação permanece porque os dois elementos nasceram do mesmo território. O ferro modificou a paisagem e a economia, enquanto a poesia guardou imagens, personagens e perdas que poderiam ter desaparecido junto com o antigo horizonte. Um lado mudou a cidade material, o outro preservou parte de sua memória.

Por isso, três referências ajudam a resumir Itabira: o Pico do Cauê representa a transformação da paisagem, Drummond representa a memória literária e os Caminhos Drummondianos colocam essa lembrança nas ruas. Elas contam fases diferentes da mesma cidade sem separar cultura de mineração.

A seguir listamos três referências de Itabira que resumem como ferro, memória e poesia continuam conectados:

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DADOS EM FOCO
Ferro, memória e poesia
Tabela com três referências de Itabira, seu papel e o que representam
Referência Papel O que representa
Pico do Cauê Paisagem mineral Transformação do relevo
Carlos Drummond Memória literária Itabira na literatura
Caminhos Drummondianos Percurso urbano Versos espalhados pela cidade

Por que Itabira continua marcada por essa transformação?

O caso mostra como uma paisagem pode desaparecer sem sumir da identidade coletiva. O Cauê deixou de ser a montanha que dominava o horizonte, porém permaneceu em fotografias, relatos e versos. A própria ausência virou uma referência para entender como Itabira mudou no último século.

Entre minério e literatura, Itabira acabou transformando uma perda física em memória espalhada pela cidade. O ferro explica boa parte de sua formação moderna, enquanto Drummond ajuda a lembrar o que existia antes, fazendo do antigo Pico do Cauê uma presença mesmo depois de sua mudança radical.

Sua história pode virar reportagem

Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.

Tags: CauêDrummondItabiramineração

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