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Caçadores cruzavam 100 quilômetros de mar há 8.500 anos, milhares de anos antes das primeiras embarcações com velas

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
08/09/2026
Em Entretenimento, Notícias
A travessia exigia enfrentar mar aberto muito antes do surgimento das tecnologias de navegação mais conhecidas

A travessia exigia enfrentar mar aberto muito antes do surgimento das tecnologias de navegação mais conhecidas

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Há cerca de 8.500 anos, caçadores-coletores chegaram a Malta após uma travessia de aproximadamente 100 km desde a Sicília.↓ Ver no artigo
Escavações em Latnija encontraram ferramentas de pedra, fogueiras, cinzas e restos de animais; o radiocarbono data a ocupação inicial em 8.500 anos.↓ Ver no artigo
Sem velas, eles provavelmente usaram canoas escavadas em troncos, remos e conhecimento de correntes, ventos e referências naturais.↓ Ver no artigo

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Resumo da matéria
01
Travessia chegava a 100 km
Correntes e ventos faziam a rota entre Sicília e Malta superar a distância direta, exigindo uma longa jornada em mar aberto.
rota longa
02
Ainda não havia velas
O estudo documenta a travessia antes das tecnologias náuticas associadas ao Neolítico e à Idade do Bronze, incluindo o uso de velas.
Mesolítico
03
Malta já era habitada
Ferramentas de pedra, fogueiras e restos de animais mostram ocupação por caçadores-coletores entre cerca de 8.500 e 7.500 anos atrás.
mil anos

Há cerca de 8.500 anos, caçadores cruzavam 100 km de mar para chegar a Malta, antes da navegação à vela no Mediterrâneo. Em Latnija, arqueólogos encontraram ferramentas, fogueiras e alimentos que comprovam ocupação mesolítica. A travessia provavelmente usava canoas escavadas em troncos e exigia horas no escuro.

Como sabemos que caçadores chegaram a Malta há 8.500 anos?

Escavações no sítio de Latnija, no norte de Malta, encontraram ferramentas de pedra, fogueiras, cinzas e restos de animais consumidos por pessoas. Datações por radiocarbono colocam o início da ocupação por volta de 8.500 anos atrás, aproximadamente mil anos antes da chegada dos primeiros agricultores ao arquipélago.

A descoberta muda uma antiga suposição sobre a pré-história de Malta. Por muito tempo, acreditou-se que ilhas pequenas e isoladas só seriam ocupadas depois da agricultura, quando tecnologias marítimas mais complexas permitiriam viagens regulares e transporte de pessoas, animais e suprimentos.

Chegar ao destino dependia de conhecimentos sobre correntes, direção e condições do mar

Por que a travessia chegava a cerca de 100 quilômetros?

A distância em linha reta entre Malta e a Sicília é menor, mas correntes, ventos e pontos de partida seguros alteram a rota real. Modelos usados pelos pesquisadores indicam uma viagem de aproximadamente 100 quilômetros, provavelmente a cerca de 4 km/h em embarcações simples.

O estudo publicado na Nature concluiu que essas são as travessias de longa distância mais antigas documentadas para caçadores-coletores no Mediterrâneo. Mesmo no verão, parte do percurso teria acontecido no escuro, exigindo orientação além da costa visível.

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Que tipo de embarcação poderia fazer uma viagem dessas?

Nenhuma embarcação foi encontrada em Latnija. Os autores consideram provável o uso de canoas escavadas em troncos, tecnologia conhecida em períodos antigos. Experimentos com réplicas neolíticas mostram que barcos desse tipo podem avançar a velocidades compatíveis com o tempo calculado para atravessar o canal.

A ausência de vela torna a viagem ainda mais impressionante. Os navegadores dependiam de remo, corrente, vento e referências naturais. Como Malta pode ficar abaixo do horizonte a partir de trechos da Sicília, estrelas, direção das ondas e conhecimento do mar podem ter ajudado a manter o rumo.

A seguir listamos 4 desafios de uma travessia de 100 quilômetros que ajudam a entender o conhecimento marítimo necessário há 8.500 anos:

  • Navegação noturna: a duração estimada exigia várias horas de viagem após o pôr do sol.
  • Correntes fortes: o canal entre Sicília e Malta podia empurrar as embarcações para fora da rota.
  • Pouca visibilidade: a ilha nem sempre podia ser vista durante toda a travessia.
  • Embarcação simples: a hipótese mais provável envolve canoas sem vela movidas principalmente a remo.

Leia também: Ilha artificial construída há mais de 5 mil anos é mais antiga que Stonehenge e ainda esconde uma plataforma de madeira sob as pedras

O feito sugere habilidades marítimas mais avançadas do que normalmente se imagina para aquele período

O que os caçadores faziam depois de chegar a Malta?

Os vestígios mostram uma dieta diversificada. Havia veados, focas, peixes, caracóis marinhos, caranguejos e ouriços, muitos com sinais de cozimento. Isso indica exploração tanto do interior da ilha quanto do litoral e ajuda a explicar como pequenos grupos conseguiram permanecer num território insular com recursos limitados.

Pesquisas posteriores sugerem ocupação contínua por cerca de mil anos, o que provavelmente exigia contato repetido com populações externas. Uma comunidade muito pequena teria dificuldade para manter diversidade demográfica sozinha. Viagens recorrentes entre Malta e outras terras podem ter conectado parentes, parceiros e redes sociais.

A seguir listamos 3 recursos usados pelos primeiros habitantes que mostram como uma população mesolítica explorava ambientes terrestres e marinhos da ilha:

Logo EM Foco
DADOS EM FOCO
A escala da viagem até Malta
Resumo das principais características da navegação realizada por caçadores-coletores
Aspecto Estimativa Significado
Data Cerca de 8.500 anos Antes da agricultura em Malta
Travessia Aproximadamente 100 km Mar aberto entre Sicília e Malta
Velocidade provável Cerca de 4 km/h Viagem com horas no escuro

Por que essas viagens são anteriores às primeiras embarcações com velas?

O próprio estudo ressalta que as travessias ocorreram antes dos desenvolvimentos náuticos mais associados ao Neolítico e à Idade do Bronze, quando aparecem evidências de velas no Mediterrâneo. Isso significa que viagens longas não dependiam necessariamente da tecnologia marítima complexa que antes se imaginava indispensável.

Os caçadores que cruzavam 100 quilômetros de mar mostram que sociedades sem agricultura já dominavam rotas abertas e planejamento suficiente para alcançar uma ilha remota. O achado não revela a embarcação exata, mas transforma Malta em evidência de que viagens longas pelo Mediterrâneo começaram muito antes das grandes civilizações marítimas.

Sua história pode virar reportagem

Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.

Tags: arqueologiamaltaMesolíticoNavegação

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