Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, o subsolo virou patrimônio mundial: a UNESCO reconheceu em 2024 um geoparque que cobre todo o município e reúne mais de 10 mil fósseis. Entre eles está o Uberabatitan ribeiroi, apresentado como o maior dinossauro já descoberto no Brasil e símbolo da Terra dos Gigantes.
Por que Uberaba recebeu o reconhecimento de Geoparque Mundial UNESCO?
O Geoparque de Uberaba recebeu a designação internacional em 2024. A UNESCO destaca uma área de 452,3 mil hectares, equivalente a praticamente todo o município, onde patrimônio geológico, fósseis, paisagens do Cerrado e atividades culturais são tratados como partes do mesmo território.
O reconhecimento não significa apenas proteger pedras antigas. Um Geoparque Mundial UNESCO combina conservação, pesquisa, educação e desenvolvimento local. Em Uberaba, Peirópolis, Serra da Galga, formações vulcânicas, aquíferos e sítios culturais entram numa rede voltada a transformar o patrimônio geológico em conhecimento e geoturismo.

Uberaba continua sendo o único geoparque mundial da Região Sudeste?
Sim. A lista atual da UNESCO, atualizada em 2026, reúne seis Geoparques Mundiais no Brasil. Uberaba é o único localizado no Sudeste; os demais ficam no Nordeste e no Sul. A designação de 2024 também foi a primeira desse tipo em Minas Gerais.
O território ganhou o nome internacional de Uberaba UNESCO Global Geopark. A marca “Terra dos Gigantes” conversa diretamente com a paleontologia local, mas o geoparque não se limita a dinossauros: inclui história geológica do Gondwana, rochas vulcânicas, o Aquífero Guarani e elementos culturais ligados ao município.
Quem foi o Uberabatitan ribeiroi encontrado na Serra da Galga?
O Uberabatitan ribeiroi era um titanossauro herbívoro do Cretáceo Superior. Seus fósseis foram recuperados a partir de 2004 no sítio paleontológico Serra da Galga, durante obras na BR-050. O material revelou vários indivíduos e forneceu um dos conjuntos mais importantes de saurópodes já estudados no país.
Uma revisão publicada na Zootaxa em 2019 estimou comprimentos corporais entre 7 e 26 metros para indivíduos da série estudada. A UNESCO usa cerca de 27 metros para o maior exemplar e o apresenta como o maior dinossauro já descoberto no Brasil.
A seguir listamos 4 fatos sobre o Uberabatitan que ajudam a entender por que o animal virou o principal símbolo paleontológico da cidade:
- Nome ligado à cidade: Uberabatitan significa literalmente um titã associado a Uberaba.
- Vários indivíduos: os fósseis estudados pertencem a animais de tamanhos diferentes encontrados no mesmo contexto.
- Até 26 metros: a revisão científica de 2019 estimou esse comprimento para os maiores indivíduos analisados.
- Cretáceo Superior: o animal viveu dezenas de milhões de anos antes da formação da paisagem urbana atual.
Onde os fósseis de dinossauros podem ser vistos em Uberaba?
O principal endereço é Peirópolis, cerca de 25 quilômetros do centro, onde funciona o Museu dos Dinossauros da UFTM e o Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price. O espaço reúne fósseis, réplicas, reconstruções e material produzido por décadas de escavações na região.
A Universidade Federal do Triângulo Mineiro informa que a coleção do Centro Price reúne milhares de exemplares e destaca Uberabatitan como o maior dinossauro do Brasil. Peirópolis também funciona como núcleo de pesquisa, educação científica e proteção dos depósitos fossilíferos do município.
A seguir listamos 3 pontos do roteiro paleontológico que mostram como pesquisa, fósseis e paisagem se conectam dentro do geoparque:
| Local | Destaque | Importância |
|---|---|---|
| Peirópolis | Museu dos Dinossauros e Centro Price | Pesquisa, exposição e educação |
| Serra da Galga | Local do Uberabatitan ribeiroi | Sítio paleontológico internacionalmente relevante |
| Todo o município | Geoparque de 452,3 mil hectares | Território reconhecido pela UNESCO |
Por que Uberaba ganhou o apelido de Terra dos Gigantes?
A expressão nasce da combinação de quantidade e importância dos achados. A UNESCO registra mais de 10 mil fósseis encontrados no território, incluindo dinossauros, crocodilomorfos, tartarugas e outros animais. Essa diversidade ajuda a reconstruir ecossistemas do Cretáceo e explica por que a paleontologia virou parte da identidade local.
Em Uberaba, o gigante mais famoso é só a porta de entrada para uma história maior. O reconhecimento de 2024 conectou Serra da Galga, Peirópolis, rochas vulcânicas e milhares de fósseis num território único no Sudeste, transformando patrimônio enterrado havia milhões de anos em ciência, educação e turismo.
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