Ela parece uma planta ornamental comum, com folhas grossas, verde-acinzentadas e cobertas por uma penugem macia. No entanto, a peixinho-da-horta ganhou espaço na gastronomia justamente depois que cozinheiros perceberam uma característica inesperada: quando preparada empanada e crocante, sua textura e seu sabor podem lembrar bastante um pequeno peixe frito.
Por que a peixinho-da-horta ganhou um nome que parece não combinar com uma planta?
O nome científico é Stachys byzantina, mas no Brasil ela também aparece como peixinho, lambarizinho, lambari-de-folha e orelha-de-lebre. A aparência explica alguns desses apelidos: as folhas são alongadas, espessas e densamente cobertas por pequenos pelos, criando uma superfície aveludada bastante diferente das hortaliças folhosas tradicionais.
O “peixinho”, porém, não surgiu apenas por causa do formato. A própria Embrapa Hortaliças registra que o sabor da folha remete ao de peixe e aponta o consumo empanado como uma das formas mais características de preparo. Isso ajuda a explicar por que uma planta que poderia passar despercebida em um canteiro acabou ganhando um nome tão curioso.
O que acontece com as folhas quando elas são empanadas e ficam crocantes?
A transformação culinária acontece principalmente quando a folha recebe uma cobertura crocante e passa por preparo térmico. A superfície pilosa ajuda a criar uma textura peculiar, enquanto a Embrapa associa o sabor que lembra peixe à composição da própria folha. Entretanto, dizer que ela tem “exatamente o mesmo gosto” de um lambari é uma comparação editorial: percepção de sabor varia entre pessoas e também depende dos temperos e do preparo.
- Folhas espessas e aveludadas
- Superfície coberta por pequenos pelos
- Textura crocante depois do preparo
- Sabor descrito como semelhante ao de peixe
O vídeo “PEIXINHO DA HORTA – Aprenda a fazer ‘à milanesa’ igual peixe frito”, publicado pelo canal Viajar, Curtir e Comer, mostra a Stachys byzantina sendo utilizada como alimento e apresenta justamente a preparação que tornou a planta conhecida entre vegetarianos e curiosos da gastronomia. O conteúdo é relevante porque permite observar a folha antes e depois do preparo e entender de onde vem a comparação visual e sensorial com peixe frito.
Por que a peixinho-da-horta é considerada uma PANC mesmo podendo crescer no jardim?
PANC significa Planta Alimentícia Não Convencional. O termo reúne espécies ou partes de plantas com potencial alimentar que não fazem parte do consumo cotidiano da maioria das pessoas ou das grandes cadeias comerciais. Isso significa que uma planta pode ser perfeitamente comestível e, ao mesmo tempo, continuar desconhecida como alimento para boa parte da população.
No caso do peixinho, existe ainda uma curiosidade: durante muito tempo, sua aparência aveludada favoreceu o uso ornamental. Entretanto, pesquisas e projetos voltados às hortaliças não convencionais passaram a divulgar também seu potencial gastronômico. A Embrapa informa que a planta é cultivada para consumo como hortaliça, especialmente no Sul do Brasil, e que suas folhas também podem entrar em omeletes e molhos.
O que existe nessa folha além da aparência que lembra uma orelha de coelho?
A fama não depende apenas da curiosidade gastronômica. Material técnico da Embrapa aponta teores relevantes de minerais, especialmente potássio, cálcio e ferro, além de destacar seu conteúdo de fibra alimentar. Isso ajuda a colocar a espécie dentro de uma discussão mais ampla sobre diversificação da alimentação e aproveitamento de hortaliças pouco convencionais.
| Característica | Na planta | Na cozinha |
|---|---|---|
| Folha | Espessa e aveludada | Pode ganhar crocância |
| Sabor | Suave quando crua | Remete a peixe no preparo tradicional |
| Uso | Ornamental e alimentício | Empanados, omeletes e molhos |
| Classificação | Hortaliça não convencional | Ingrediente ainda pouco comum |
Há também um detalhe prático relevante antes do consumo. Como os numerosos pelos das folhas podem reter terra e outras partículas do cultivo, a Embrapa recomenda atenção à lavagem e à higienização após a colheita. Portanto, o aspecto “peludinho” que torna a planta tão interessante também exige cuidado maior na limpeza em comparação com uma folha de superfície lisa.
A peixinho-da-horta realmente virou uma febre entre chefs e restaurantes?
A planta já apareceu em restaurantes e projetos gastronômicos brasileiros. Uma reportagem sobre PANCs em estabelecimentos de São Paulo registrou, por exemplo, peixinho-da-horta frito entre os pratos oferecidos e mostrou como diferentes chefs passaram a incorporar plantas não convencionais aos cardápios. Em 2026, a chef Sabina Galletto também apresentou publicamente a planta e seu uso culinário.
Contudo, “nova febre dos chefs” ainda é uma expressão mais forte do que os dados permitem afirmar. Uma publicação acadêmica sobre a espécie observa que seu consumo continua relativamente nichado e que ela ainda não é amplamente utilizada nas cozinhas profissionais. Portanto, a tendência real é de crescente curiosidade e valorização das PANCs, mas a peixinho ainda está longe de ocupar restaurantes na mesma escala de ingredientes convencionais.

Por que uma simples folha consegue enganar tanto os sentidos quando chega ao prato?
Parte da surpresa está no contraste. Antes do preparo, a planta lembra mais uma espécie ornamental do que qualquer produto de origem animal. Depois, sua forma alongada permanece visível, enquanto a cobertura externa pode ficar crocante. A combinação entre aparência, textura e sabor faz surgir uma associação com pequenos peixes fritos, especialmente o lambari, comparação que aparece inclusive em materiais sobre PANCs e gastronomia.
Isso também explica o interesse de quem procura ampliar um cardápio vegetariano. A folha não “vira peixe” nem reproduz de maneira científica e idêntica toda a composição sensorial de um filé, mas consegue produzir uma experiência culinária curiosamente semelhante dependendo do preparo. E é justamente essa transformação — de uma folha aveludada do jardim para um petisco crocante — que fez a Stachys byzantina deixar de ser apenas uma planta bonita e conquistar espaço como ingrediente.




