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Empresa aceita acordo de R$ 300 mil sem se defender, atrasa a primeira parcela e Justiça descobre ação simulada para blindar patrimônio

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
07/08/2026
Em Economia
A falta de defesa no início contrastou com a reação intensa para salvar o acordo

A falta de defesa no início contrastou com a reação intensa para salvar o acordo

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A Egesa Engenharia aceitou pagar R$ 300 mil sem apresentar defesa e atrasou a primeira das 20 parcelas. O comportamento oposto adotado depois, somado à continuidade dos serviços da advogada e a 245 processos, levou o TST a anular a ação simulada.

O que a advogada cobrava da empresa?

A profissional afirmou que havia trabalhado normalmente para a construtora e depois prestado serviços por mais 4 anos sem registro. Os pedidos somavam R$ 660,8 mil.

A decisão sobre o acordo trabalhista considerado simulado informa que a empresa não apresentou contestação durante a audiência.

A empresa aceitou uma dívida alta e depois lutou para impedir sua anulação

Como o acordo de R$ 300 mil foi montado?

A própria empresa propôs o pagamento de R$ 300 mil em 20 parcelas. O documento previa multa de 50% e cobrança antecipada das parcelas restantes em caso de atraso.

Os passos chamaram atenção pela rapidez e pela falta de resistência:

1
Pedido de R$ 660,8 mil A ação cobrava vínculo de emprego e várias parcelas trabalhistas.
2
Nenhuma defesa A construtora não contestou as alegações apresentadas pela advogada.
3
Acordo de R$ 300 mil O pagamento foi dividido em 20 parcelas.
4
Multa de 50% O atraso permitiria aumentar a dívida e cobrar as parcelas futuras.

Por que o atraso da primeira parcela levantou suspeita?

A empresa não pagou a primeira parcela e não reagiu quando a execução começou. Essa passividade era diferente do comportamento adotado em outros processos.

O Ministério Público do Trabalho afirmou que o acordo criava uma dívida fictícia para prejudicar credores verdadeiros. A construtora enfrentava uma execução fiscal e já havia tido um imóvel penhorado.

Outros sinais reforçaram a suspeita:

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  • Serviços mantidos: a advogada continuou atuando mesmo após a suposta dispensa.
  • 164 ações trabalhistas: a empresa já respondia a dezenas de cobranças na Justiça do Trabalho.
  • 81 ações comuns: outros processos também disputavam o patrimônio da construtora.
  • Defesa contraditória: a empresa passou a agir com força para manter um acordo que aumentava sua própria dívida.

Leia também: Caminhoneiro passa 21 horas por dia na estrada e Justiça manda empresa pagar R$ 5 mil

O que o TST decidiu sobre o acordo?

A segunda instância havia rejeitado o pedido de anulação por considerar os indícios insuficientes. O TST analisou o conjunto das condutas e chegou ao resultado contrário.

A decisão separou o que ocorreu no processo original e na ação usada para questioná-lo:

Anulado
Acordo de R$ 300 mil O documento perdeu seus efeitos após o reconhecimento da simulação.
Fictícia
Dívida trabalhista O conjunto dos fatos indicou que a cobrança havia sido criada artificialmente.
Unânime
Decisão da SDI-2 Todos os integrantes do julgamento acompanharam a anulação.

Como uma dívida trabalhista pode blindar patrimônio?

Uma dívida criada artificialmente pode colocar uma pessoa próxima na fila de credores e retirar bens do alcance de cobranças reais. A aparência de um acordo judicial dificulta a reação de quem não participou do processo.

O Código de Processo Civil sobre ação rescisória permite desfazer decisões em situações previstas em lei. A empresa ficou em silêncio para criar a dívida e falou demais quando tentaram apagá-la.

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Tags: acordo trabalhistaconstrutorafraude processualPatrimônio

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