Um caminhoneiro cumpria jornadas de 16 a 21 horas por dia, inclusive aos domingos e feriados. A primeira sentença fixou R$ 5 mil por dano existencial, prejuízo causado pelo trabalho à vida pessoal. Depois, o valor subiu para R$ 20 mil e foi mantido pelo TST.
O que aconteceu com o caminhoneiro?
O motorista afirmou que o excesso de trabalho consumia quase todo o seu dia. Além das longas jornadas, havia trabalho em domingos e feriados, descanso semanal irregular e falta de pagamento ou compensação adequada.
A decisão da 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho reconheceu que a rotina afetava o descanso, a convivência familiar e as atividades pessoais do empregado.

Como uma jornada chegou a 21 horas por dia?
Os registros analisados no processo mostraram dias de trabalho muito acima do limite normal. A jornada variava, mas podia ocupar quase todo o período entre a saída de casa e a hora de dormir.
Os pontos que pesaram no julgamento foram:
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Por que o excesso virou dano existencial?
O dano existencial aparece quando o trabalho impede a pessoa de manter atividades básicas fora do emprego. Não se limita ao cansaço de um dia difícil, pois envolve uma rotina longa que prejudica relações, planos e descanso.
A jornada normal prevista na Constituição Federal não deve passar de 8 horas diárias e 44 horas semanais, salvo compensações e regras específicas.
Na prática, o excesso atingia estes pontos:
- Descanso: sobrava pouco tempo para dormir entre uma jornada e outra.
- Família: domingos e feriados também eram tomados pelo trabalho.
- Saúde: dirigir cansado aumentava a exaustão e os riscos na estrada.
- Vida pessoal: compromissos e atividades fora do emprego ficavam limitados.
Qual foi o valor mantido pelo TST?
O valor mantido pelo TST foi de R$ 20 mil. Os R$ 5 mil citados no título correspondem à indenização definida na primeira instância, antes da análise do Tribunal Regional.
O Tribunal Regional aumentou a reparação e a empresa tentou excluir ou reduzir a condenação. A 3ª Turma rejeitou o recurso, mantendo o valor maior.
Toda jornada longa gera uma indenização?
Não. Cada processo depende das provas sobre horários, folgas, pagamentos e efeitos causados na vida do empregado. O simples pagamento de horas extras também não elimina automaticamente um dano maior.
O conceito de jornada de trabalho ajuda a separar o horário contratado do tempo extra. Quando o expediente ocupa quase o dia inteiro, o relógio deixa de medir apenas trabalho e passa a medir a vida perdida.




